Le blog de Rosario Duarte da Costa







Podia ter sido ontem mas, não foi!
Podia ter sido hoje mas, não pode ser.
Foi há muito na estrada do tempo. Foi num outro verão, quando após
o negro das noites a luz chegava sem lamentos, emaciando-nos a pele!
Eu dizia-te: vamos passear. Vamos divagar pelas calçadas de Lisboa.
Não querias, mas logo eu conseguia virar-te do avesso para a direita e, tu
vestias-te com uma saia casaco florida, enfiando os sapatos altos que te
faziam esculpir as belas pernas, compunhas os cabelos um tanto
alourados, os lábios salientados com uma côr deslumbrante e, la íamos
como duas moçoilas calcorrear o paveado da cidade!
Não foi ontem. Nem hoje. Foi há tanto tempo!
Eu tinha uns dezoito anos, tu pouco mais do dobro...
Eu jorrava águas de vida tu, espirrando fogos de artifício da tua esperança!
Dava-te o braço, rindo, conversando e, o ar vinha esfofeteando-nos a pele
lentamente como uma doce carícia.
Cacilhas centro de trânsito, o barco sobre o Tejo onde o marulhar das águas
zumbiam nos nossos ouvidos e Lisboa à nossa espera, como sempre!
Era ali. A Praça do Comércio com o D. José como vigia. As pessoas
passavam -em linha- como as formiguinhas no seu carreiro. Olhava-mos o
carro eléctrico amarelo onde as pessoas ficavam penduradas às portas...
O teu olhar fixando tudo tinha um aspecto repreensível, como quando eu
fazia qualquer coisa de que não gostavas!
E, la íamos deambulando pelas ruas( da rua Augusta a todas as traversas),
poisando o olhar nas vitrinas, entrando aqui ou acolá para comprar algo que
eu queria...ou tu aproveitavas para comprar coisas na Loja das Meias,no
Chiado ou no Grandela!
Depois, penetrando nas livrarias da cidade lá me enchias os braços com os
livros que eu tanto desejava!
Entretanto, cumprimentando o nosso amigo Camões, entravamos na
Brasileira para descansar e conversar onde bebíamos uma bica, mas
ficaste admirada em ver que eu conhecia vários frequentadores ali. Era
assim, eu sempre me integrei aos lugares onde me sentia bem!
A partida discutíamos porque tu eras adepta do taxi enquanto eu gostava
de andar a pé. Descendo até ao Rossio, fiquei convicta de que estavamos
carregadas demais e, que tu não suportarias a caminhada. Sugeri-te o
almoço no Ritz junto do Parque Eduardo VII que tu aceitas-te e,
comêmos felizardamente falando e rindo, como duas garotas, findando
a refeição com um grande gelado, um café e um “Marie Brizard”!
Justamente ao fim do almoço chegou um rapaz que eu havia conhecido
através da rádio.Cumprimentou-me, eu apresentei-te e conversamos
algum tempo de maneira agradável. Tu gostavas de Garret e, falavas
argumentando o porquê e o como. Contás-te mesmo que quando nasci
havias posto o meu umbigo dentro do livro “ A cidade e as Serras” para
que eu fôsse inteligente. Ele riu e, toda a gente nos olhava.
Depois, os três démos um giro à Estufa Fria acabando nós por entrar num
taxi de volta a casa até ao Cacilheiro. Estavamos cansadas e felizes!
No dia seguinte, telefona-me o rapaz para me dizer que ele lamentava que
fôsses minha mãe. Achou-te bela, simpática e extraordináriamente
comunicativa. Tive quase inveja de me faltar uma parte de ti!
Podia ter sido ontem mas, não foi!
Podia ter sido hoje mas, não pode ser.
Foi há tanto tempo e tu, partiste tão jovem!
A ti minha mãe...
Voici un mail reçu d'un Ami!
Amigo: Perdoa-me a inscriçao deste mail mas, deu-me um sopro!
06/07/2009
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Auteur Verme www.olhares.com


