Comptines! Lendas

Mercredi 1 février 2012 3 01 /02 /Fév /2012 09:54

Lolita

 

 

Crónicas do tempo.

 

Ela tem uns vinte e três anos, dois garotinhos de uns cinco anos

e oito meses, parece feliz quando anda na rua e, ninguém diz

que é filha do povo!

Mas é preciso compreender que veio de outra cidadezita à volta

de Lyon, onde os pais tinham uma casa ainda por pagar e, foram

obrigados a vendê-la porque tendo muitos créditos pediram

socorro para reembolso junto do Banco de França e este nada fez,

senão obrigá-los a venderem a casa!

 

Ela tinha apenas douze anos e, para ajudar a mãe que esteve

doente com problemas neuróticos até faltou à escola, para se poder

ocupar da irmãzada ainda mais pequenos do que ela.

 

E foi assim que mudáram do sul para norte de Lyon, instalando-se

num HLM sem repéres alguns e, ela viu-se crescer mais do que

devia, confundindo a família a função da mãe e da filha.

Depois de ter repetido vários anos da escola primária, acabou por

entrar no colégio mas, os resultados nulos fizéram que se voltásse

para o trabalho muito cedo.

 

E foi então que se iniciou a sua vida de jovem, com namoriscos

de todos os estilos e de todas as idades, os pais consentindo

mesmo em deixá-los dormir em casa, porque era ela a ajudanta

principal das serventias familiares.

 

Então desde os treze anos aprendeu o que é o amor, navegando

no mar de mãos diversas, sem qualquer receio de caír numa tempestade, como há em todos os mares.

E como qualque barco ía de aventura em aventura, cabotando em

todos os portos e, assim aprendia a navegar com destreza.

 

O único problema era que a mãe a ajudava a fazer e desfazer as

relações e, deve ter sofrido –como naquele dia em que ela chorava

à janela, gritando para a mãe-: “oui tu m’appelles une pute, et tu

ne t’arrêteras jamais » !

Ao fim de uma dúzia de amantes acabou por encontrar um rapaz

pequenino como ela, que a engravidou e, acabou por se assentar

tornando-se mãe e mulher, como qualquer outra.

Desde aí deixou de trabalhar, afirmando-se ume “fada do lar” e,

para mostrar à mãe que ela conseguiu realizar-se o que a mãe não soube ou pôde fazê-lo, acaba por ír todos os dias almoçar com os garotos a casa dos pais, pois é-lhe impossível cortar o cordão

umbilical!

 

Contudo quando sai à rua, o corpo pequeno e miúdinho dão-lhe

ainda um ar de garotinha, sempre bem vestida e arranjada, apenas

com o pequeno salário do seu jovem marido.

 

Às vezes vejo-a entrar e saír com um “certo ar de starlette" e

digo-me: o que é que a moçoila traz na cabeça?!

Com aquele ar pedante de pessoa “de alta escala”, acaba por me

enervar um pouco. É!

Rosario Duarte da Costa

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31/01/2012

 

Leave me ALONE!

Par Rosario Duarte da Costa - Publié dans : Comptines! Lendas - Communauté : Caligrafias Poéticas!
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Mercredi 11 janvier 2012 3 11 /01 /Jan /2012 11:05

O fantasma do adeus

Auteur: Carloscarlos "olhares.com"

Marmore sobre azulejo com o anjo a ver

 

L’imperméable,  vert bébé!

 

Oh! Comme j’aime cet imper léger et large, de ton vert bébé !

Oui…

Mais, il y a quelque temps, lors du baptême d’un de mes petits

enfants à Paris, au moment où je déposais une bougie aux pieds

de la Vierge Marie, une autre bougie allumée, me l’a brûlé sur

la manche gauche !

N’étant pas disposé à m’en séparer, et même si j’en ai d’autres,

c’est celui là qui me tenait à cœur !

 

En arrivant chez moi, j’ai eu une idée géniale. J’ai des jolis

rubans colorés «passementerie » et, pour boucher un petit trou

sur la manche, il me suffirait de faire un joli nœud et le coudre à

la manche.

Heureuse, puisque je l’ai réussi.

 

Mais, les jours suivants dans la rue, il y avait beaucoup d’yeux

qui se posaient sur la manche de mon imper, vert bébé...

Bon, je n’avais pas à raconter aux autres ce qui venait de m’arriver.

En couture la créativité est possible. Comme en peinture.

 

Certain jour, un de mes voisins me dit : ah ! ah ! nous sommes

du même parti !

Furieuse, je rétorquais vite : mais, pas du tout. En effet, mon

voisin est au Front National.

Mon ruban avait les trois couleurs du drapeau Français. Mais, le drapeau Français, n’est pas au Front National, j’ajoutais !

 

Des jours passèrent et, de temps en temps, un inconnu s’approchait

ou bien me faisait un signe, me signalant que nous étions du même bord.

A chaque fois, je répétais ce que j’avais déjà dit. Et, on ne me

croyait pas.

 

Alors, j’ai fini par laisser mon imper suspendu au porte manteau.

Il me servira quand j’irais au marché (derrière mon appart) un jour

de pluie.

 

Mais, la drapeau Français et, Jeanne d’Arc, appartiennent à tous

les français. Et, ce n’est même pas la peine de le dire…

Même le Président de la République, n’a pas à répondre de ces

choses là, au Front National.

La France est aux Français…

Et Jeanne d’Arc aussi !

Rosario Duarte da Costa

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10/01/2012

 

migração rumo ao mar
Par Rosario Duarte da Costa - Publié dans : Comptines! Lendas
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Lundi 5 décembre 2011 1 05 /12 /Déc /2011 09:31

  Conto de Natal... Conte de Noël...

 

Há contos que se inventam...

E aquelas coisas da vida que se tornam contos.

Foi no jornal espanhol el-mundo que Antonio Jiménez Barca contou

a históriazinha de uma menina neste fim de Novembro.

 

Gérard Bloncourt célébre fotógrafo havia visitado há mais de quatro décadas, os bairros da lata parisiences onde fotografou uma garotita

que lá vivia.

Guardou esta foto como recordação nas paredes da sua casa, com o

título “ A pequena portuguesa”. Esta fotografia viajou através de

livros e exposições e, tornou-se um pouco da “alma” portuguesa

emigrada que viveu más condições de vida, nos anos 70.

Uma professora de Francês em Portugal (Maria da Conceição Tina),

com 52 anos de idade  interrogou-se se não seria ela a criança da foto

que aliás tinha saído no jornal “O público”.

Não se reconhecia, nem a imagem dos lugares onde se tinha passado

a vida de criança.

Por razões óbvias, acabou por conhecer o fotógrafo, visitar lugares antigos e, para se refazer uma parte da memória.

Isto não é tradução do texto espanhol. Nada dirá de novo àqueles

que leram o artigo em Portugal. E mesmo muitos jovens portugueses

de origem aqui no estrangeiro não encontram tais referências em

relação a eles ou aos pais.

Portanto, desejo dedicar este artigo a muitos dos meus alunos e

alunas que viveram em meados de 70 na Região Rhône-Alpina.

Aquelas crianças que visívelmente pobres (cujos pais foram

operários em empresas como Rhône-Poulenc) e, começaram pelo

lado de baixo da pirâmide. As mães geralmente trabalhavam como mulheres a dias.

Portanto, foi esta gente que logo que Portugal entrou em acção após

a revolução, agiu enviando as suas economias para o País, o que

permitiu a Portugal de ir vivendo...

Foram os pais. Os pais daquelas crianças que viviam inicialmente

em casas desconfortáveis, que não tinham férias, nem eram

convidadas por crianças francesas.

Umas estudaram, prosseguiram mais tarde a vida como alguém que

tem capacidade para a prosseguir.

Outras não estudaram mas, tivéram uma profissão onde encontraram

motivação...

Algumas partiram para Portugal, como se fôssem encontrar o seu

reino.

De toda a maneira, todas as crianças desse tempo (penso numa

Cristina no dia da sua comunhão, cuja foto guardei), irão fazer o

balanço da vida.

E, para isso, terão de encontrar os pedaços que ficaram perdidos por

aí!

Rosario Duarte da Costa

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01/12/2011

  

La niña del barrio de lata

Por: Antonio Jiménez Barca | 30 de noviembre de 2011

 

Hace casi 45 años, un conocido fotógrafo francés de origen haitiano, Gérald Bloncourt, visitó los arrabales pobres de París y le hizo una foto a una niña morena al pie de la chabola en la que malvivía. Bloncourt se enamoró de la foto y la colgó desde aquel día en las paredes de su casa. La tituló La petite portugaise y pasó a simbolizar, tras ser reproducida en muchas exposiciones y publicaciones, las condiciones de vida de la emigración dura y miserable del Portugal de los años sesenta. Nadie supo nunca el nombre de aquella niña que se tapaba con la mano la sonrisa, conocida como A menina do bairro de lata.

Foto del bidon ville

Pero en enero, tras hablar con un amigo, Maria da Conceição Tina, una profesora de portugués y de francés de Coimbra de 52 años, comenzó a preguntarse si no sería ella la protagonista de esa foto-emblema, como explicaba ayer en un emocionante reportaje de Patrícia Carvalho en el diario Publico. La actual profesora dudaba, porque no recordaba haber visto nunca un fotógrafo en el barrio de chabolas de Saint-Denis en el que residió durante dos años junto a su padre, su madre y su hermano. Pero reconoció instintivamente la muñeca que sujetaba esa niña con el brazo. También el paisaje de barro y de chabolas que se amontonaba tras ella. Tras vacilar mucho, se decidió a contactar con el fotógrafo para asegurarse. En junio se conocieron y tras ver y reconocer también a Bloncourt, 45 años más viejo, a Maria da Conceição ya no le quedaron más preguntas. 

 

Hasta ahora. Hasta que se reconoció en la foto con la muñeca en el brazo y conversó con Bloncourt en París y se convenció de que no es bueno olvidar determinadas cosas y de que su pasado de emigrante pobre, como el de otros miles de portugueses –y españoles- que viajaron hacia el norte en aquellos años, no tiene nada de vergonzoso o reprobable. Sobre todo ahora que muchos portugueses vuelvenHYPERLINK “http://www.elpais.com/articulo/internacional/Dorado/portugues/Angola/elpepiint/20111114elpepiint_5/Tes” a HYPERLINK “http://www.elpais.com/articulo/internacional/Dorado/portugues/Angola/elpepiint/20111114elpepiint_5/Tes”emigrar para escapar de la crisis económica que ahoga el país. Ella misma, que se define como una mujer feliz, lo precisa: “Una hija mía, de 24 años, ha cursado Enfermería, pero no consigue encontrar trabajo y está pensando irse al extranjero. Esto es triste. No porque la vaya a echar de menos, sino porque eso demuestra que estamos mal políticamente, porque este país no puede aprovechar a sus licenciados y les obliga a hacer lo que hicieron sus padres: irse”.

 

Par Rosario Duarte da Costa - Publié dans : Comptines! Lendas - Communauté : Expatrie(e)s
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Mardi 2 août 2011 2 02 /08 /Août /2011 10:14

I can fly _ 05

 

 

Acrobatica

 

L’enfant est une personne. Comme le disait Bruno Bettelheim

et, Françoise Dolto. L’enfant a droit à ce que l’on s’occupe de

lui. Que nous lui assurions le maximum de moyens pour lui  

une vie saine, digne.

Il a besoin de notre amour et de notre tendresse. De notre

confiance. Mais, éduquer un enfant ne signifie cependant pas

de lui laisser tout faire. Sinon, il osera dépasser toutes les

frontières, sans tenir en compte la liberté d'autrui!

Rosario Duarte da Costa

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25/07/2011

 

CINCO sentidos

 

 

Disney_01

Par Rosario Duarte da Costa - Publié dans : Comptines! Lendas - Communauté : Les chroniques de la meute
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Jeudi 16 juin 2011 4 16 /06 /Juin /2011 10:30

| EM ALGUM SINGELO MOMENTO... | Auteur: Paulo Rodrigues: "olhares.com"

 

 

nos yeux ne pourront choisir

 

quand le vent amène au loin

les feuilles mortes

         de l’automne

il les rend immortelles !

 

et au retour du soleil

avec son beau sourire d’été

il vient déposer de jeunes fleurs

dans le calice de nos mains

 

c’est une offrande à chaque homme

une autre à chaque Dieu

et nos yeux ne pourront choisir

le bouquet le plus beau

Rosario Duarte da Costa

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15/06/2011

 

.....

 

:::::: O TEU PERFUME ::::::

 

Par Rosario Duarte da Costa - Publié dans : Comptines! Lendas - Communauté : Caligrafias Poéticas!
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Lundi 13 juin 2011 1 13 /06 /Juin /2011 10:09

.

Auteur: adriane Olhares.com"

 

Homenagem ao mestre alejadinho.

Auteur: Bruno Miranda "olhares.com

 

A casinha de faiança, com o cãozinho à porta!

 

Era eu então pequerrucha, a mãe estava deitada por estar doente

e, alguém bateu à porta. Logo, como uma grande responsável

fui ver para janelita quem era. Vi, um velhote de barba branca

e de pele enrugada com um pedaçito de algodão em cada narina.

Pediu-me uma moeda. Não sabendo que fazer fui buscar o meu mealheiro, que era uma casinha de faiança com um cãozinho à

porta!

O homem ficou de boca aberta a olhar para mim. Como viu

logo que a casinha estava bem recheada, quiz-ma dar

novamente. Mas eu fechei-lhe a janelinha, não lhe abrindo

também a porta.

Coçando a cabeça, o pobre homem não sabia o que fazer. Deve

ter interrogado a vizinhança e, eis que foi bater à casa da minha

avó que vivia na mesma rua, para lhe remeter a casinha plena

de moedas!

Aflita, após lhe ter dado qualquer coisa, chega a avó

enervadinha com o mealheiro na mão. Ficando atrapalhada,

perguntei-lhe porque era que o senhor tinha recusado a minha

prenda. Então, ela sorriu-me!

 

Hoje penso que os tempos mudaram de tal maneira, que não

só me ficariam com a casinha mas até me levaríam a mim!

Rosario Duarte da Costa

Copyright

11/06/2011

 

.
Auteur: adriane Olhares.com"
 

Traces de nos mémoires !

 

 

J’ai décidé par solidarité avec Carlos Fragateiro ex Directeur du Théâtre

National Dona Maria II à Lisbonne, ainsi que l’auteure de la pièce

«La fille Rebelle » Margarida Santos et, le scénographe José Manuel

Castanheira, accusés par les neveux de l’ancien Directeur de la PIDE

(Police Politique de Salazar), nommé « Silva Pais »,  qui est décédé en 1981

à l’âge de 76 ans avant d’être jugé  pour les crimes qu’il aurait commis

ou fait commettre, tel l’assassinat du Général Humberto Delgado,

de joindre ceci, à la fin de chacun de mes articles jusqu’à la fin du procès.

Pour que justice se fasse dans les Tribunaux Portugais, en faveur de

L’Histoire, du respect du peuple soumis durant quarante ans au fascisme

et, en nom de la Liberté d’expression et de la vérité !

Au Portugal, du fait des bouleversements politiques, de la situation du pays

dépendant du FMI, mails aussi d’un je m’enfoutisme général, les portugais

ne se sont pas beaucoup bougé.  Ce soir, à travers la SIC,

le fils du grand écrivain Aquilino Ribeiro, s’est montré solidaire

au nom de la liberté pour la création artistique !

Par ailleurs, la fille du Général Humberto Delgado vient de manifester

le 9/06/11, sa solidarité avec Carlos Fragateiro et ses compagnons !

Rosario Duarte da Costa

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13/06/2011

Par Rosario Duarte da Costa - Publié dans : Comptines! Lendas - Communauté : Caligrafias Poéticas!
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Lundi 4 avril 2011 1 04 /04 /Avr /2011 10:18

AMOR-PERFEITO

 

 

FLORES

 

Conta-me histórias!

“Os lindos sapatos rosa de  camurça”

 

Convidei a minha amiga, por estar farta de passear, de calcorrear

os pavesados das ruas. Tomámos um cházinho do Japão e,

seguiu-se um grande silêncio. Sentia que ela esperava alguma

coisa mais além do chá e, dos “petits-fours”. O silêncio pesado,

havia caído sobres nós duas. De repente, ela olhou e disse-me:

 - Agora, que estamos aqui sózinhas, longe da azáfama

quotidiana, da barulheira intensiva da cidade, podêmos falar

de qualquer coisa de diferente e, descontraír um  pouco? Os dias

são sempre uma lengalenga, uma repetição fastidiosa. Não achas?

 

Sim, respondi, fazendo girar um raminho de violetas entre os

dedos. Mas hoje estou distante. Nada tenho para contar...

 

- Entaladas nesse silêncio, originado pela falta de ideias disse-me:

  lembras-te dos anos setenta? 

 

Se me lembro...mas, agora só me questiono sobre ele. Ontem, estava

eu deitada pensei no que me ocorreu num certo mês de Julho. Não sei

se terá interesse, falar-te disso. São coisas que se guardam só para si.

 

 -Não sejas parva, partilha!

 

Após uns segundos de longa pausa, respondi-lhe: Olha, vou

contar-te o que me aconteçeu mas, não comeces a rir. Porque foi

um  erro e, os erros só entram na nossa consciência, muitos anos

depois!

- Então começa!

Ouve. Tinha eu uns vinte anos e acabado de ser mãe. Regressava  

a Portugal, após um ano de estadia em França. Feliz pelo regresso.

Felicíssima, por ter sido mãe. E, no meio dessa felicidade encontrei numa loja “chic”um conjunto “sapatos e cinto em camurça côr

de rosa velho, colar e pulseira,” de metal magníficos. O conjunto

era caríssimo para as minhas possibilidades financeiras globais,

mesmo para um empregado vulgar. Custava o conjunto mais de

1500 francos, naquele tempo (em Portugal, para obter o valor,

bastaria multiplicares por 35 vezes -mais ou menos-, para obteres

o preço em escudos)!

E, tentada, comprei-o. Enfeitei-me logo com toda essa cangalha.

Primeiro vesti umas calças brancas “boca de sino” larguíssimas,

com arabescos azeitonados de pintura estilo Picasso, uma túnica

de rede transparente linda e, assim cheguei a Lisboa, com um chapéuzinho na cabeça e, o meu bébé nos braços.

 

-Então, qual é o problema?!

 

Deixa-me continuar. Ao chegar a Portugal toda a gente me olhava,

apreciando-me os pés, os braços entrelaçados com a pulseira e o

colar de filigrana, que tinham integradas pedras grandes rosa

escuro e, o cinto largo em camurça, cuja fivela era uma  grande borboleta incrustada de pedras. Uma relíquia. Mesmo a família e amigos ficaram pasmados!

 

E, lá por lá andei calcorreando dias e dias, entre Lisboa, Estoril,

Cascais e Sintra, sempre contente da vida, acabando por não

abandonar esses enfeites durante pelo menos uma semana.

 

Porém, um dia, uma amiga pediu-me para ensaiar os meus lindos sapatos, colar e pulseira e, mesmo o cinto. Tão formosa ela

ficou, dizendo-me: “oh filha, só em França é que há coisas assim.

Aqui em Portugal tudo é mísero. Mesmo no Chiado, no Grandela

ou, na Loja das Meias. E, ao dizer isto, tirou o sapato côr des rosa

com carinho, olhou-o por cima e, por baixo , com alegria.

Mas, de repente gritou: És uma mentirosa, dizes não importa o

quê. Está escrito por dentro :

                                                 “Made in Portugal”.

Fiquei espantada. Não, eu comprei-os em Paris disse-lho. Em

Paris! Peguei nos sapatos, procurei ver o que ela me disse e, por

dentro, justamente por baixo do nome da grande marca françesa,

estava escrito em letras douradas minúsculas,

“Fabricado em Portugal “em inglês.

Então, viéram-me as lágrimas aos olhos. Tinha gasto tanto

dinheiro e, era feito em Portugal?!

 

Foi assim, que realizei ter muito mal gasto o dinheiro. Porque em

Portugal eu conhecia boas sapatarias, onde o preço seria muito

mais baixo! Desperdicei o dinheiro. Desperdicei a imagem. E, já

nem poderia dizer que tudo aquilo era de “grande classe” françesa!

 

- Olha, eram os anos setenta. A altura em que cobiçávamos tudo o

que era estrangeiro. Se, o que dizes se refere àquele cinto que

ainda ali tens guardado tantos anos depois, nada perdês-te.

Durou-te mais de trinta anos. Não?

 

Sim. Mas para o poder encarar, tive que lhe mudar a côr,

pintando-o de preto!

Rosario duarte da Costa

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29/03/2011

 

FLORES

 

 

FLOR

Par Rosario Duarte da Costa - Publié dans : Comptines! Lendas - Communauté : Caligrafias Poéticas!
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Samedi 26 mars 2011 6 26 /03 /Mars /2011 10:31

 

 

 

... city lights ...

Auteur des Photos Rui David "olhares.com"

... o tempo parou ...

 

As birras das Estações!

 

No fio da água

nasce a Primavera.

mesmo se o Outono

lhe lançou a guerra

 

Na vida. Tudo é enleio

confrontos vingança

nem os teus cabelos

aceitam uma trança

 

Guerreia a primavera

a ver se o verão

deixa a teimosia

e não lhe rouba a estação

 

Só fica o inverno

ainda a nascer

e toda gente quer ver

se ele sera bruto ou terno

 

São assim as estações

ciúmentas et más

vão aos trambulhões

arrastando as suas pás.

Rosario Duarte da Costa

Copyright

25/03/2011

 

... special one ...

 

 

... as últimas cores da Ursa ...

 

... in between ...

Par Rosario Duarte da Costa - Publié dans : Comptines! Lendas - Communauté : Virtuoses & cie
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Vendredi 25 mars 2011 5 25 /03 /Mars /2011 10:58

  antigamente fotografava a PB

Auteur des photos sur cette Page: alfredo almeida coelho da cunhaolhares.com

 

 

 

No País dos Oportunismos!

 

O meu País, sempre foi uma terra de tachos e de oportunismos.

Desde sempre, tudo se comprava: os espias, os lugares, os exames.

O essencial, era ter dinheiro!

De tempos a tempos aproximam-se de mim pedaços de vivência,

que nunca pude esquecer. Por exemplo, quando eu era garota, no

ano em que fiz a quarta classe e admissão (como era naquele tempo,

em que se matavam dois coelhos de uma só cajadada), fiz a

admissão em Setúbal, onde me encontrava, em casa da minha

madrinha.

 

À saída dos exames, vi uma minha colega (e, prima distante)acompanhada dos pais, numa sala de classe conversando com a professora de liceu, que morava no mesmo prédio que a minha

madrinha. Ouvi a conversa toda, mesmo a troca de dinheiro, entre

os pais da minha amiga e, a professora.

Já em casa, contei o que vi à madrinha que me respondeu muito

depressa: isso não são coisas para a tua idade. O melhor é

calares-te!

Calei-me!

Voltando para a minha terra, parladora como era, contei à minha

mãe e, ela respondeu-me: guarda isso para ti, o melhor é não

contares o que viste a ninguém!

Fiquei muito infeliz, à espera dos resultados do exame...

Alguns dias depois, apareceu a filha da minha madrinha que

estava de férias gritando à minha mãe: a ...foi dispensada às

orais!

Fiquei muito contente. A minha mãe também, mas ela achava

que era uma obrigação minha, porque os pais dávam-me os meios necessários para trabalhar!

Quanto à tal menina, ela foi às orais. Porém ignoro, se ao passar

estas, se obteve o diploma gratuitamente, ou bem se os pais dela, pagaram uma vez mais.

Rosario Duarte da Costa

Copyright

24/03/2011

 

  Sem título

Par Rosario Duarte da Costa - Publié dans : Comptines! Lendas - Communauté : Les chroniques de la meute
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Jeudi 24 mars 2011 4 24 /03 /Mars /2011 10:59

 

há... mas são figos

Auteur:Raul Cordeiro"olhares.com"

 

 

Marmelos

Auteur: Joka "olhares.com

 

Envie de figues, coings et citrons

 

J’ai envie d’une figue

mais pas de n’importe quelle figue.

J’ai envie d’un coing

et  pas de n’importe quel coing

issu d’un cognassier quelconque.

 

J’ai envie d’un citron

mais pas de n’importe quel citronnier.

Il me faut un grand citron

né d’un grand citronnier

dans le jardin de grand-mère.

 

Pour en faire de la confiture

fabriquer ma marmelade

avec l’aide du citron

du jardinet de mon enfance.

 

Ah ! si je pouvais y retourner

pour en prendre ma délivrance !

Rosario Duarte da Costa

Copyright

23/03/2011

 

LIMOEIRO / LIMÕES

Auteur: "Francisco Carrajola Oliveiraolhares.com"

 

 

 

 

 

 

 

Par Rosario Duarte da Costa - Publié dans : Comptines! Lendas - Communauté : Poésie contemporaine
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