Aquele tremor de terra...
Naquela sexta-feira de Fevereiro de 1969, estava eu deitadinha
dorminhando, quando a enorme estante preta e pesada desabou
sobre a parede do lado da minha cama mas, ficou colocada
diagonalmente entre as duas paredes.
Os livros não caíram por ser uma estante fechada à chave e, a
minha mãe entrou a dizer-me para eu ír para a rua, deitar-me
no chão e esperar “que cela passe”!
Fiquei terrificada. Os segundos ou minutos pareceram-me
quase dias e, coloquei-me contra a parede, prostada a pensar no
medo que esse tremor de terra me fêz!
Mas, decidi partir mesmo assim para a rádio, atravessando de
barco (o cacilheiro), até Lisboa.
Andei, andei até à Estefânia onde existia um café pastelaria no
largo, e o Topé (um amigo, já lá estava à minha espera para
a bica). O Manel (hoje meu marido) chegou repentinamente
para saber se eu estava bem, pois ele tinha acorrido à Prisão
do Limoeiro –onde trabalhava como perceptor-, para ver se o
pessoal e os prisoneiros estavam bem.
O dia passou-se num grande nervosismo, pois o Tejo estava
revoltado, os barcos dançavam, sobre a terra diante de Lisboa!
As pessoas assustadas corriam de um lado para o outro.
O medo da noite tornou-se grande pois dizia-se que o tremor
se iria reproduzir!
Desde aí, nunca mais subi um momento assim, mas temo
imenso que, um dia me apareça perto um tremor de terra
terrívelmente devastador!
Rosario Duarte da Costa
Copyright
30/12/2011
Sismo de Portugal de 1969
O Sismo de 1969 foi um abalo telúrico ocorrido em 28 de Fevereiro de 1969 e que atingiu a região de Lisboa e sul do país, sendo o último grande sismo a ocorrer em Portugal Continental.
O facto de Portugal se encontrar perto da fronteira entre duas placas tectónicas, a Africana e a Euroasiática, torna-o vulnerável aos movimentos destas placas.
Com uma magnitude estimada entre 6,5 e 7,5 (valor apontado MW=7,3) foi todavia uma ordem de grandeza inferior à do terramoto de 1755, tendo provocado um pequeno maremoto sem provocar danos materiais.[1].
Os estudos efectuados situaram o epicentro deste sismo perto do Banco de Gorringe, localizado aproximadamente a 200 km a sudoeste do Cabo de S. Vicente. [2]
-
1968-CidUnivers (3)
- last edit: 10-d�c.-2008
- comments: 0
- 1968-CidUnivers (2)
-
- last edit: 10-d�c.-2008
- comments: 0
-
1968-CidUnivers (49)
- last edit: 10-d�c.-2008
- comments: 0
-
1968-CidUnivers (8)
- last edit: 10-d�c.-2008
- comments: 0
-
1968-CidUnivers
- last edit: 10-d�c.-2008
- comments: 0
-
1968-CidUnivers (9)
- last edit: 10-d�c.-2008
- comments: 0
-
1968-CidUnivers (12)
- last edit: 10-d�c.-2008
- comments: 0
-
1968-CidUnivers (5)
- last edit: 10-d�c.-2008
- comments: 0
-
1968-CidUnivers (14)
- last edit: 10-d�c.-2008
- comments: 0
-
1968-CidUnivers (13)
- last edit: 10-d�c.-2008
- comments: 0
-
1968-CidUnivers (32)
- last edit: 10-d�c.-2008
- comments: 0
-
1968-CidUnivers (20)
- last edit: 10-d�c.-2008
- comments: 0
-
1968-CidUnivers (27)
- last edit: 10-d�c.-2008
- comments: 0
-
1968-CidUnivers (22)
- last edit: 10-d�c.-2008
- comments: 0
-
1968-CidUnivers (31)
- last edit: 10-d�c.-2008
- comments: 0
-
1968-CidUnivers (35)
- last edit: 10-d�c.-2008
- comments: 0
-
1968-CidUnivers (43)
- last edit: 10-d�c.-2008
- comments: 0
-
1968-CidUnivers (47)
- last edit: 10-d�c.-2008
- comments: 0
-
1968-CidUnivers (40)
- last edit: 10-d�c.-2008
- comments: 0
-
1968-CidUnivers (50)
- last edit: 10-d�c.-2008
- comments: 0
-
1968-CidUnivers (15)
- last edit: 10-d�c.-2008
- comments: 0
-
1968-CidUnivers (51)
- last edit: 10-d�c.-2008
- comments: 0
-
1968-CidUnivers (52)
- last edit: 10-d�c.-2008
- comments: 0
-
1968-CidUnivers (53)
- last edit: 10-d�c.-2008
- comments: 0
-
1969-UnivCoimbra (1)
- last edit: 10-d�c.-2008
- comments: 0
-
1969-UnivCoimbra (2)
- last edit: 10-d�c.-2008
- comments: 0
-
1969-UnivCoimbra
- last edit: 10-d�c.-2008
- comments: 0
Album Description:
Manifestacao de estudantes em Lisboa e Coimbra, 1968 e 1969
www.viniciusde moraes.com.br
Prosa
O grande terremoto de Lisboa de 1969 segundo O.L.R.
Rio de Janeiro
Nunca se vira manhã mais bela que a de 1.º de novembro de 1755. O Sol brilhava em todo seu esplendor, e o céu estava perfeitamente sereno e
claro. Não fora sentido o menor sinal de aviso do grande evento que deveria transformar, em matéria de segundos, a cidade de Lisboa numa cena de horror e desolação gerais.
Traduzo de cor, com pequenos lapsos de memória, do velho livro de textos ingleses que o velho padre, à base
do decorebus, nos fazia ruminar nas tediosas aulas do colégio. A descrição convencional não deixava, no entanto, de excitar minha imaginação de menino, e a verdade é que alguns
trechos nunca mais me saíram da cabeça. Mal sabia eu que dois séculos mais tarde deveria estar presente, no mesmo local, a um de igual intensidade, e que só não arrasou Lisboa porque teve seu
epicentro no oceano, a cento e tantas milhas ao largo; e mesmo assim a teria destruído parcialmente se o deus dos sismos não cismasse, sem intenção de trocadilho, em fazer dele um terremoto
horizontal. Porque, dizem os entendidos, fosse ele vertical, e talvez eu não estivesse aqui para contar a história. Ou melhor: talvez não estivesse ainda por lá, vivo e cada
dia mais inteligente, meu amigo O.L.R., a quem passo a palavra, pois assim descreveu-me ele sua dramática experiência, ipsis verbis.
O.L.R., como todo bom mineiro que se preza, é chegado ao Além, a casos parapsicológicos, a um bom
defuntinho. Fala da morte como se tivesse a Dama Branca sentada ao colo, com um humor macabro que é dos pontos altos do seu charme de grande causeur, mas para quem o conhece, não
passa de um processo de autopunição, por isso que representa, no fundo, o riso amarelo dos condenados. Mas deixemos para lá os problemas psíquicos de meu querido amigo O.L.R., para
acompanhá-lo passo a passo nesse seu confronto não com o Além, mas o infranatural colocado ao nível do sobrenatural - porque os momentos que precedem um terremoto tiram de letra
quaisquer fenômenos de ordem espírita, tais como arrastar de correntes, bater de portas e aparição de ectoplasmas, nisso que se exercem sem razão óbvia diante dos olhos do infeliz totalmente
desprevenido, a pensar na futura alunissagem da Apolo-11 ou na galinha ao molho pardo comida na véspera. Tal como aconteceu com O.L.R.
Era o dia 27 de fevereiro último, e a madrugada caminhava a passos lentos para mais uma jornada lisboeta,
quando meu amigo O.L.R., já se preparando para puxar um sono, viu a porta do armário do quarto abrir-se de moto próprio e o chinó de sua mulher deslizar de uma prateleira no alto e cair
fofamente, como devem as perucas. Aquilo, sem que ele soubesse bem por que, inquietou-o, e ele se levantou e, para disfarçar, foi - hábito antigo - à cozinha, coar um café, arte em que é
exímio. Ao passar pela geladeira, abriu-a num gesto comum a todos os noctâmbulos domésticos, e eis senão quando as garrafas em entrechoque se põem a tilintar em uníssono, alertando-o ainda
mais contra a possível incursão do sobrenatural nos seus domínios. O medo ao além-túmulo pressupõe quase sempre um alerta premonitório, e meu amigo O.L.R., já sentindo se lhe eriçarem os
pelinhos do braço, partiu para fazer o seu café, pois, como é sabido, o trabalho é boa terapêutica para as perturbações da cuca. Café feito e tomado, foi ele até à sala olhar o céu,
provável culpado de todo este cafarnaum, e ao encostar a testa ao vidro da janela, sentiu-o vibrar de um tremor contínuo. "Uai…", comentou dentro dele o mineirão de Juiz de Fora.
Positivamente as coisas naquela noite não estavam se processando como de comum. Passagem de um jato não podia ser, dado que a vibração não fora precedida de qualquer ruído; de maneira que o
melhor mesmo era desligar aquilo e ir até o escritório mexer nuns papéis. Porque meu amigo O.L.R. é escritor, e dos melhores.
Contou-me ele que mal se sentou o cinzeiro começou a tremer e a escorregar com a maior sem-cerimônia, diante
de seus olhos. "É, seu..", comentou novamente o matuto que há em todo mineiro. "Deixa eu ir pra cama porque eu não sei o que é, não, mas, que tem qualquer coisa aí, ah, isso
tem..."
E como tinha! De repente a massa ígnea sobre a qual, protegidos apenas por uma frágil crosta, nós vivemos
nossas neuroses de cada dia, encontrou um ponto de menor resistência, forçou-o um pouco, depois mais, e logo entrou de sola até rompê-lo em mil estilhaços subterrâneos… - e partiu para cima
com o impacto de mil bombas H, sacudindo tudo em seu caminho, do Algarve em diante. Aí meu amigo O.L.R., que de bobo não tem nada, sentou-se na cama e com esse senso comum pessedista
de que todo bom mineiro é dotado, sacudiu também sua mulher e disse :"Acorda, Helena! Acorda que é um terremoto!"
Outra coisa não era. Era não só um terremoto como um dos de maior intensidade já registrados pelos
sismógrafos. Com a única atenuante, conforme disse, de ter um balanço horizontal, digamos como o dos quadris de uma mulata sambando. Pulasse ele como os carnavalescos no auge do baile do
Municipal, isto é, verticalmente, e seria uma repetição do de Agadir, ou da própria Lisboa em 1755, que não deixou pedra sobre pedra. Mas O.L.R. tem uma ótima estrela, muito embora os
momentos que se seguiram fossem do maior pânico... Pois as luzes se apagaram bruscamente e em meio às exclamações de pavor de sua mulher - imaginem! acordada dos seus doces sonhos de esposa
mineira para a terrível realidade de um sismo lusitano - meu amigo O.L.R. lembrou-se de sua filhinha de oito meses. Helena Cristina, mais conhecida como Maria-Pão-de-Queijo, apelido que
ganhou dessa bela e boa Geralda, empregada antiga da casa - e isso por um processo associativo que não cabe aprofundar aqui. Meu amigo O.L.R. partiu às cegas para o quarto da infanta, a quem
se pôs a procurar em trevas totais, enquanto os demais participantes manifestavam seu terror e consternação em interjeições do maior patético. Até que a menininha foi achada no berço e
devidamente protegida pelos braços amorosos de seu pai, ao mesmo tempo que aquela tralha toda tremia e ondulava mais que bailarina de fundo em programa do Chacrinha.
É, queridos leitores, terremoto não é de brincadeira. A gente pode chegar ao ponto de aceitar tudo: dinheiro
curto, pai quadrado, bêbado chato, trânsito engarrafado, mulher feia, música da pilantragem, hérnia de disco, dupla caipira, novela de televisão, dieta macrobiótica, poesia concretista,
romance de Morris West, trote telefônico, papo de grã-fino, uísque nacional - praticamente tudo.
Menos terremoto. Que o diga meu amigo O.L.R., cujo nome começa onde o outro termina. E como este, é capaz de
levantar montanhas. Só que por bem. Pelos amigos.
E volte logo, Lara Resende
Ecrire un commentaire - Voir les 0 commentaires


































Derniers Commentaires