Lisboa

Lundi 2 janvier 2012 1 02 /01 /Jan /2012 11:36

 

 

Aquele tremor de terra...  

Naquela sexta-feira de Fevereiro de 1969, estava eu deitadinha

dorminhando, quando a enorme estante preta e pesada desabou

sobre a parede do lado da minha cama mas, ficou colocada

diagonalmente entre as duas paredes.

Os livros não caíram por ser uma estante fechada à chave e, a

minha mãe entrou a dizer-me para eu ír para a rua, deitar-me

no chão e esperar “que cela passe”!

Fiquei terrificada. Os segundos ou minutos pareceram-me

quase dias e, coloquei-me contra a parede, prostada a pensar no

medo que esse tremor de terra me fêz!

 

Mas, decidi partir mesmo assim para a rádio, atravessando de

barco (o cacilheiro), até Lisboa.

Andei, andei até à Estefânia onde existia um café pastelaria no

largo, e o Topé (um amigo, já lá estava à minha espera para

a bica). O Manel (hoje meu marido) chegou repentinamente

para saber se eu estava bem, pois ele tinha acorrido à Prisão

do Limoeiro –onde trabalhava como perceptor-, para ver se o

pessoal e os prisoneiros estavam bem.

 

O dia passou-se num grande nervosismo, pois o Tejo estava

revoltado, os barcos dançavam, sobre a terra diante de Lisboa!

As pessoas assustadas corriam de um lado para o outro.

O medo da noite tornou-se grande pois dizia-se que o tremor

se iria reproduzir!

Desde aí, nunca mais subi um momento assim, mas temo

imenso que, um dia me apareça perto um tremor de terra

terrívelmente devastador!

Rosario Duarte da Costa

Copyright

30/12/2011

   

www.wikipédia.org

 

Sismo de Portugal de 1969

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa

O Sismo de 1969 foi um abalo telúrico ocorrido em 28 de Fevereiro de 1969 e que atingiu a região de Lisboa e sul do país, sendo o último grande sismo a ocorrer em Portugal Continental.

O facto de Portugal se encontrar perto da fronteira entre duas placas tectónicas, a Africana e a Euroasiática, torna-o vulnerável aos movimentos destas placas.

Com uma magnitude estimada entre 6,5 e 7,5 (valor apontado MW=7,3) foi todavia uma ordem de grandeza inferior à do terramoto de 1755, tendo provocado um pequeno maremoto sem provocar danos materiais.[1].

Os estudos efectuados situaram o epicentro deste sismo perto do Banco de Gorringe, localizado aproximadamente a 200 km a sudoeste do Cabo de S. Vicente. [2]  

 

 

 

 

Album Description:

Manifestacao de estudantes em Lisboa e Coimbra, 1968 e 1969

 

 

 

 

 

www.viniciusde moraes.com.br

 Prosa

O grande terremoto de Lisboa de 1969 segundo O.L.R.

Rio de Janeiro

Nunca se vira manhã mais bela que a de 1.º de novembro de 1755. O Sol brilhava em todo seu esplendor, e o céu estava perfeitamente sereno e claro. Não fora sentido o menor sinal de aviso do grande evento que deveria transformar, em matéria de segundos, a cidade de Lisboa numa cena de horror e desolação gerais.

      Traduzo de cor, com pequenos lapsos de memória, do velho livro de textos ingleses que o velho padre, à base do decorebus, nos fazia ruminar nas tediosas aulas do colégio. A descrição convencional não deixava, no entanto, de excitar minha imaginação de menino, e a verdade é que alguns trechos nunca mais me saíram da cabeça. Mal sabia eu que dois séculos mais tarde deveria estar presente, no mesmo local, a um de igual intensidade, e que só não arrasou Lisboa porque teve seu epicentro no oceano, a cento e tantas milhas ao largo; e mesmo assim a teria destruído parcialmente se o deus dos sismos não cismasse, sem intenção de trocadilho, em fazer dele um terremoto horizontal. Porque, dizem os entendidos, fosse ele vertical, e talvez eu não estivesse aqui para contar a história. Ou melhor: talvez não estivesse ainda por lá, vivo e cada dia mais inteligente, meu amigo O.L.R., a quem passo a palavra, pois assim descreveu-me ele sua dramática experiência, ipsis verbis.
      O.L.R., como todo bom mineiro que se preza, é chegado ao Além, a casos parapsicológicos, a um bom defuntinho. Fala da morte como se tivesse a Dama Branca sentada ao colo, com um humor macabro que é dos pontos altos do seu charme de grande causeur, mas para quem o conhece, não passa de um processo de autopunição, por isso que representa, no fundo, o riso amarelo dos condenados. Mas deixemos para lá os problemas psíquicos de meu querido amigo O.L.R., para acompanhá-lo passo a passo nesse seu confronto não com o Além, mas o infranatural colocado ao nível do sobrenatural - porque os momentos que precedem um terremoto tiram de letra quaisquer fenômenos de ordem espírita, tais como arrastar de correntes, bater de portas e aparição de ectoplasmas, nisso que se exercem sem razão óbvia diante dos olhos do infeliz totalmente desprevenido, a pensar na futura alunissagem da Apolo-11 ou na galinha ao molho pardo comida na véspera. Tal como aconteceu com O.L.R.
      Era o dia 27 de fevereiro último, e a madrugada caminhava a passos lentos para mais uma jornada lisboeta, quando meu amigo O.L.R., já se preparando para puxar um sono, viu a porta do armário do quarto abrir-se de moto próprio e o chinó de sua mulher deslizar de uma prateleira no alto e cair fofamente, como devem as perucas. Aquilo, sem que ele soubesse bem por que, inquietou-o, e ele se levantou e, para disfarçar, foi - hábito antigo - à cozinha, coar um café, arte em que é exímio. Ao passar pela geladeira, abriu-a num gesto comum a todos os noctâmbulos domésticos, e eis senão quando as garrafas em entrechoque se põem a tilintar em uníssono, alertando-o ainda mais contra a possível incursão do sobrenatural nos seus domínios. O medo ao além-túmulo pressupõe quase sempre um alerta premonitório, e meu amigo O.L.R., já sentindo se lhe eriçarem os pelinhos do braço, partiu para fazer o seu café, pois, como é sabido, o trabalho é boa terapêutica para as perturbações da cuca. Café feito e tomado, foi ele até à sala olhar o céu, provável culpado de todo este cafarnaum, e ao encostar a testa ao vidro da janela, sentiu-o vibrar de um tremor contínuo. "Uai…", comentou dentro dele o mineirão de Juiz de Fora. Positivamente as coisas naquela noite não estavam se processando como de comum. Passagem de um jato não podia ser, dado que a vibração não fora precedida de qualquer ruído; de maneira que o melhor mesmo era desligar aquilo e ir até o escritório mexer nuns papéis. Porque meu amigo O.L.R. é escritor, e dos melhores.
      Contou-me ele que mal se sentou o cinzeiro começou a tremer e a escorregar com a maior sem-cerimônia, diante de seus olhos. "É, seu..", comentou novamente o matuto que há em todo mineiro. "Deixa eu ir pra cama porque eu não sei o que é, não, mas, que tem qualquer coisa aí, ah, isso tem..."
      E como tinha! De repente a massa ígnea sobre a qual, protegidos apenas por uma frágil crosta, nós vivemos nossas neuroses de cada dia, encontrou um ponto de menor resistência, forçou-o um pouco, depois mais, e logo entrou de sola até rompê-lo em mil estilhaços subterrâneos… - e partiu para cima com o impacto de mil bombas H, sacudindo tudo em seu caminho, do Algarve em diante. Aí meu amigo O.L.R., que de bobo não tem nada, sentou-se na cama e com esse senso comum pessedista de que todo bom mineiro é dotado, sacudiu também sua mulher e disse :"Acorda, Helena! Acorda que é um terremoto!"
      Outra coisa não era. Era não só um terremoto como um dos de maior intensidade já registrados pelos sismógrafos. Com a única atenuante, conforme disse, de ter um balanço horizontal, digamos como o dos quadris de uma mulata sambando. Pulasse ele como os carnavalescos no auge do baile do Municipal, isto é, verticalmente, e seria uma repetição do de Agadir, ou da própria Lisboa em 1755, que não deixou pedra sobre pedra. Mas O.L.R. tem uma ótima estrela, muito embora os momentos que se seguiram fossem do maior pânico... Pois as luzes se apagaram bruscamente e em meio às exclamações de pavor de sua mulher - imaginem! acordada dos seus doces sonhos de esposa mineira para a terrível realidade de um sismo lusitano - meu amigo O.L.R. lembrou-se de sua filhinha de oito meses. Helena Cristina, mais conhecida como Maria-Pão-de-Queijo, apelido que ganhou dessa bela e boa Geralda, empregada antiga da casa - e isso por um processo associativo que não cabe aprofundar aqui. Meu amigo O.L.R. partiu às cegas para o quarto da infanta, a quem se pôs a procurar em trevas totais, enquanto os demais participantes manifestavam seu terror e consternação em interjeições do maior patético. Até que a menininha foi achada no berço e devidamente protegida pelos braços amorosos de seu pai, ao mesmo tempo que aquela tralha toda tremia e ondulava mais que bailarina de fundo em programa do Chacrinha.
      É, queridos leitores, terremoto não é de brincadeira. A gente pode chegar ao ponto de aceitar tudo: dinheiro curto, pai quadrado, bêbado chato, trânsito engarrafado, mulher feia, música da pilantragem, hérnia de disco, dupla caipira, novela de televisão, dieta macrobiótica, poesia concretista, romance de Morris West, trote telefônico, papo de grã-fino, uísque nacional - praticamente tudo.
      Menos terremoto. Que o diga meu amigo O.L.R., cujo nome começa onde o outro termina. E como este, é capaz de levantar montanhas. Só que por bem. Pelos amigos.
      E volte logo, Lara Resende 

 

Par Rosario Duarte da Costa - Publié dans : Lisboa - Communauté : Tout est chemins
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Lundi 2 janvier 2012 1 02 /01 /Jan /2012 10:14

 

 

Je viens souhaiter à vous tous, mes amis, lecteurs, ainsi qu'à toutes les communautés:

Les grands poètes, La chronique de la meute, Expatriés, ainsi que le Sarmiento, Poésie et Nouvelles, Tout est chemins,

Virtueuses et Cia, PDF à télécharger, Revue Poésie et Nouvelles ...qui m'ont ouvert  leurs portes, mes Voeux pour cette année 2012.

Je sais qu'ici en France, en Espagne, au Portugal et ailleurs,

que les  temps vont être difficiles pour nous tous.

Mais, je sais aussi que nous sommes des hommes et des

femmes de  bonne volonté, des gens qui par nos convictions

et notre force, ne nous laisserons pas abattre.

Même dans les périodes difficiles, je crois en humain dans

l'être que nous sommes!

Rosario Duarte da Costa

Copyright

02/01/2012

Na Baía de Cascais...

Auteur:olhares1966 "olhares.com

 

Descendo ás Profundezas

Desejos!

 

Ai, se soubéssem como eu desejaria passear a esta hora na

Baixa de Olisipo.  Deslizar por entre as ruas ao encontro de

passos já bem velhos e, revesti-los de uma pequena dose

de modernidade...

Depois, ír até à frente da Casa dos Bicos a dar uns dedos de

conversa ao meu irmão José “Saramago”... com quem eu

tenho muita comunhão de pensamento.

 

Amanhã talvez fôsse ter com o Jorge de Sena, para encontrar

resposta a algumas perguntas que me faço e, estou convicta

que ele me ajudaria...

Grandes homens, grandes prazeres, grandes esperanças....

Mas hoje, elas perderam-se ali no cais da minha saudade!

 

Mas o desejo não pode ser concluído. Fico então em Lyon,

ouvindo esta chuva miúdinha que se esbate contra tudo.

Eu sei. Nem sempre se podem obter todas as comodidades!

Rosario Duarte da Costa

Copyright

30/12/2011

Senhora dos Mares

 

 

Ainda sobre Lisboa...

 

Eléctricos de Lisboa

Par Rosario Duarte da Costa - Publié dans : Lisboa - Communauté : Les chroniques de la meute
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Mardi 12 juillet 2011 2 12 /07 /Juil /2011 10:15

Praça do comércio-Lisboa

www.panoramio.com

  

 

TerreiroDoPaco01.JPGwww.wikipedia.org
Estátua de D. José I na Praça do Comércio e Arco Triunfal da Rua Augusta.

Estátua de D. José, Praça do comércio-Lisboa

www.panoramio.com

 

 

praça do comércio

 

quando chega a noite na praça do comércio

don José cavala no seu cavalo sentado

(cujas ancas dançam por um e outro lado).

um macho nu com as crinas ao vento,

como uma dança- que o céu todo balança!

 

e o Tejo caminha num leito sem fim

desaguar as águas no palheiro do mar

vendo o don josé no seu cavalo montado

galopar para a frente e, às vezes para o lado!

Rosario Duarte dáa Costa

Copyright

11/07/2011

 

Vista da praça do comércio para a ponte 25 de Abril-Lisboa

www.panoramio.com

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Par Rosario Duarte da Costa - Publié dans : Lisboa - Communauté : Caligrafias Poéticas!
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Jeudi 12 mai 2011 4 12 /05 /Mai /2011 10:07

 

 

 

Lisboa Moderna Auteur des photos sur cette page: João Amaral www.olhares.com"

Socorros a Naúfragos

 

 

 

Voyez-vous...Castelo da Pena

  Il pourrait continuer à l'Etre!

 

 

 

    Le triangle de la Langue Portugaise

 

Les 20, 21 et 22 Mai, au Centre des Expositions d’Odivelas

(près de Lisbonne),  il y aura une rencontre Biennale des cultures

lusophones avec tous les écrivains.

Invitée, je ne puis y participer mais je tiens à véhiculer cet

Event, afin de permettre une meilleure compréhension du monde

lusophone .

L’objectif est d’ouvrir des horizons nouveaux, et créer un «état

d’esprit citoyen » en tous les continents. Vous le savez, puisque

je vous en parle depuis longtemps, que le triangle de la langue

portugaise atteint tous les continents.

Rosario Duarte da Costa

Copyright

06/05/2011

 

Par Rosario Duarte da Costa - Publié dans : Lisboa - Communauté : Caligrafias Poéticas!
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Jeudi 31 mars 2011 4 31 /03 /Mars /2011 09:35

 

Gaivota com o Tejo e Lisboa ao pé

Auteur:  Um Jeito Manso"olhares.com

 

O Tejo e Lisboa vistos do Ginjal

La clé- « Aléthéia !

 

À l’aube de ses soixante ans, elle est là prostrée sur un fauteuil usé,

se promenant dans les ruelles de ses vingt ans !                                                  

Que de chemin parcouru pense-t-elle. Pourtant il me semble que

ce fut il y a si peu de temps ,se dit-elle. J’étais jeune et, pas mûre.

j’étais sûre et, pas rassurée.

En ces temps là, elle traversait la ville avec un grand sac chargé d’espérance. L’avenir serait nouveau, bon et joyeux car, il ne

pourrait être crevassé comme cette année 70 (sans voix, sans

intimité et, sans respiration).                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                     Ce fut le temps où, même le Tage avait du mal à vivre !

Puis, elle pensa : Lorsque je fus enceinte de mon premier enfant,

j’étais une enfant moi-même ! Et, quand il est né ce n’était pas

mon enfant si, mon poupon. Je le tenais dans mon bras, comme

un enfant tient son doudou et, je ne permettais à quiconque de

le toucher. Je n’avais pas encore conscience que l’enfant «est

une personne », comme l’a dit si  bien Françoise Dolto !

Il m’a fallu mûrir. Plus vite, qu’une pomme sur son pommier…

 

Je n’étais pas noire et je me sentais noire. Je n’étais pas misérable,

mais je me sentais pauvre.  Je voulais être libre, et je vivais sous

un régime totalitaire !

Vous pouvez me dire que tout cela est du passé et, que le passé

est mort. Mais il a laissé des blessures. Soignées à l’extérieur mais,

enfoncées dans l’Âme. Et, elles se rouvrent toujours, aux moments

les plus inattendus. Comme dans ce présent, où tout s’enfouit à

une vitesse pharamineuse. Telle la démocratie qui est remise en

cause, par le pouvoir fiduciaire. Et aussi par les abus de pouvoir,

de ceux  qui  veulent que du pouvoir.

Qu’il ne vous déplaise. Se remettre en question  c’est une vraie question. Cela demande retrouver au fond de soi, une certaine « Aléthéia », et une mise en phase avec soi. Car, il y a en nous le

mensonge qui s’entremêle toujours à la vérité.

Rosario Duarte da Costa

Copiright

30/03/2011

 

 

 

Guerra e Paz

 

 

 

 

 

 

 

Par Rosario Duarte da Costa - Publié dans : Lisboa - Communauté : Caligrafias Poéticas!
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Jeudi 24 mars 2011 4 24 /03 /Mars /2011 09:24

 

 

O bom pastor

Auteur: Pedro Corage"olhares.com"

 

Estou-te a ver!

 

Abril/Avril

 

O coração parou.

Porque os deuses morreram

e os homens não fizéram

o trabalho que deviam.

O coração parou

ao ver espectros penúrias

e inquiétantes misérias

às portas das nossas terras.

Só fica o deserto mesquinho

com os areais de linho

num abandono imbecil.

E, então tudo se morre

nas horas para onde se escorre

acolher o mês de Abril!

Rosario Duarte da Costa

Copyright

22/03/2011

 

A caminho da luz

 

 

Filhos do vento

 

Par Rosario Duarte da Costa - Publié dans : Lisboa - Communauté : Caligrafias Poéticas!
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Mercredi 23 mars 2011 3 23 /03 /Mars /2011 10:11

sombras do tempo

Auteur de ces 2 Photos: zÉDalOBa"olhares.com"

 

the inner opponent

 

 

 

Noite. Em Lyon. Ou em Lisboa,

onde as embuscadas são maiores

do que em Lugdunum.

As luzes trementes olham

todos os contornos da noite,

com o Tejo escorrendo as mágoas

para o mar de Palha em fraguas.

Visões. Visões de Palácios antigos

e de passantes sem abrigos

escondidos nas vielas já velhas.

Silêncio. Um rumor chegando

de dentro. Um rumor ligeiro

como um vento esbatendo as sombras

nas portas e portais,

por onde entram e saiem os mortais.

Noite inquéta, agitada, desperta,

e as presenças marcham com o coração alerta

olhando os postigos e janelas

onde as flores se expõem belas.

Sôfregos, gritos, bocejos,

bocas abertas aos beijos que se déram

e se perderam nas áleas da noite

angustiante e afoite!

Noite...

Onde se procura a claridade

para as ilusões de um povo inteiro.

Rosario Duarte da Costa

Copyright

21/03/2011

 

 

Docas de Lisboa

Auteur: Bruno Costa "olhares.com

 

 

Par Rosario Duarte da Costa - Publié dans : Lisboa - Communauté : Caligrafias Poéticas!
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Mardi 15 mars 2011 2 15 /03 /Mars /2011 09:28

Madragoa

Auteur: Pedro "olhares.com"

 

Lisboa

 

 

madrugadas madragoa

são estrelas de Lisboa

um mistério que atravessa

toda a gente que se apressa

entre ruas e ruelas

às vezes por entre favelas

madragoa canta o Fado

as madrugadas o enfado

das noites longas cansadas

por ali alcatifadas

Rosario Duarte da Costa

Copyright

14/03/2011

 

 

.

 

 

-

Par Rosario Duarte da Costa - Publié dans : Lisboa - Communauté : Caligrafias Poéticas!
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Jeudi 25 novembre 2010 4 25 /11 /Nov /2010 09:27

Caminhando no Nevoeiro

 

Auteur des photos sur cette pageBerenice Kauffmann Abud " olhares.com"

 

O Pescador

 

Velejando ao Entardecer

 

À caminho da luz...

 

Voilà un Photographe qui sort des cadres habituels de la Photo.  Il sort des clichés...

 Je lui rends hommage et, merci d'accepter que je publie son oeuvre!

 

 

Meu País! Mon Pays!

 

Dizia o Fialho de Almeida

“meu país das uvas”

escreveu Sebastião da Gama

“meu país do sol”

e digo-lhes eu:

meu país

carregado de sol e de uvas

caminha por aí cansado doente

e vem

-como um pássaro distante-

(quase sem respiração)

trazendo até mim o seu ar delirante

 

logo de manhã

aproxima-se a madrugada crescente

de lábios gretados

insistindo para que se cantem

antigos fados

 

insatisfeito o sol desce as escadas

batendo a mão contra o peito

e vem chorando as suas mágoas

diante do mar insatisfeito

 

e à noite

o peso da solidão mata o olhar

e ficam sonhos nele a caminhar

 

meu País pernoitando em ti

oiço o teu silêncio

no barulho do mar

e os passos dos grevistas

que me chegam aqui a tilintar

 

Portugal fechado

na terra no céu e no mar

meu país enterrado nas areias

ali à beira mar

Rosario Duarte da Costa

Copyright

24/11/2010

 

Caminhando no Abstrato

 

Ondulações

Par Rosario Duarte da Costa - Publié dans : Lisboa - Communauté : Caligrafias Poéticas!
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Mercredi 3 novembre 2010 3 03 /11 /Nov /2010 10:34

Esta Lisboa...

 

Auteur es photos sur cette page: Sérgio Rodrigo "olhares.com"

 

A Lisboa esquecida...

 

 

Voando...

 

OLISSIPO!

 

Il était une fois une ville d’eaux

avec le Tage coulant sous des mouettes chanteuses

et Don José debout sur la Place du Commerce

où les gents fourmillaient en quête d’avenir

tandis que le tram marchait pour son seul plaisir

 

la ville était là déjà depuis bien longtemps

bien assise sur le fleuve à tort ou à raison

remémorant tous les rois partis autrefois

sur leurs chars anciens fuyant les républicains

et il ne lui restait que la mémoire assise sur ses mains

 

et il était une fois rien qu’une seule fois

où le petit roi est mort à ses côtés sur l’asphalte plein

de petits gens disséminés sur les pavés gris et blancs

des petits gens au grand cœur si triste et gris

en quête de quelques biens pour nourrir leurs enfants

 

en haut de la colline le Château miroitant Lisboa

de Saint George à Alcântara et jusqu’à Madragoa

serrait les dents contre le cours de l’histoire

même si parfois on jouait de la fanfare

et se posait crispé sur le sol venu des temps

 

il était une fois puis d’autres fois ont suivi

pour parcourir les veines de la vieille ville blanche

où tout le monde passe mais personne ne se retranche

pour aller plus loin trouver toute la grâce

de Lisbonne antique et des carrefours d’aujourd’hui

où chacun est toujours bien accueilli

 

il était une fois

et sont venues d’autres fois

allumer les réverbères

des nuits étoilées

et le Tage regardait

la  foule qui passait

un verre de Porto à la main

avec un Tchin-tchin pour demain

Rosario Duarte da Costa

Copyright

02/11/2010

 

 

 

 

 

Momento mágico...

Par Rosario Duarte da Costa - Publié dans : Lisboa - Communauté : Caligrafias Poéticas!
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