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Hier soir, j'ai trouvé une ancienne revue dans mes garde
livres, avec un conte de Noël de l'Auteur JCP, que j'ai
reécrit, ne pouvant pas utiliser ordinateur convenable
pour le copier.
J'aime beaucoup l'auteur. Je n'ai pas le temps de le traduire
mais, je suis certaine que ceux qui ne connaissent pas la
langue portugaise et aiment les contes, pourront le
faire.
JOYEUX NOËL à VOUS? LECTEURS ET AMIS!
Numa antiga
revista que possúo, encontrei este conto de Natal
de José Cardoso
Pires, que reescrevi, para o meu Blogue.
Dois Natais num só dia
Quando, há anos, embarquei no aeroporto de Guararapes,
Recife, Brasil, o calendário do “hall” marcava 24 de Dezembro
e
o termómetro subira ao ponto máximo da estação. Um calor
pesado, insónia tropical. Salas quase desertas, cais de
embarque solitários como um apeadeiro minúsculo do interior.
Realmente, quem viaja numa noite de Natal? – perguntava eu,
entre tanta desolação. Só os deserdados, é bem de ver, os sem
família. E, já dentro do DC-7, ao descobrir um sujeito de barba
de rabo, acrescentei cá comigo: “Ou os judeus, por exemplo...”.
O
homem lia o breviário (o Tora, certamente), alheio a tudo,
ao avião quase vazio e às grinaldas (de plástico) que pendiam
do tecto. Lá em baixo, a 5 mil metros, Recife, com os seus
coqueirais da costa e Fernando de Noronha, um fogacho de
luzes boiando no Atlântico, há muito que tinham desaparecido.
De repente, um casal de franceses, no banco ao lado do meu,
agarrou-se à campaínha e só descansou quando o comissário
acudiu. “Du champagne!” gritou o cavalheiro, e a senhora
voltou-se para mim: eram 21 horas a bordo, meia noite em Paris,
onde a família festejava nesse exacto momento o Natal.
Ofereceram-me uma taça. Bebi e voltei-me melancolicamente
para a janela. À frente do avião, a estrela polar dominava a noite.
Durante toda a travessia do oceano esse sinal manter-se-ia diante
de nós como um gioa entre as nuvens. E lembrei-me da infância,
da estrela de cartão sobre o Presépio, dos Reis Magos através de
jornadas desérticas.
Horas depois, uma música suave começava a escorrer dos
altifalantes sobre todos nós, passageiros de uma noite de Natal.
Hospedeiras silenciosas distribuíam garrafas-miniatura e
embalagens especiais com figos, avelãs, e não sei mais o quê.
Ao topo do compartimento foi colocado um Trolley com um
blo de velas (apagadas, porque a bordo uma chama significa cataclismo, excomunhão) e acto contínuo o “ Jingle the Bells,
com o seu repique de sinos made in Hollywood, revolveu a
sonolência em que nos embalávamos. A música baixou, a voz
do comandante surgiu por cima dos nossos lugares:
- Captain N... and his
crew welcomes you on board and
Wish a very happy
Christmas…
O
meu Natal desse ano foi isso: as boas-festas através de um
Microfone, um bolo de velas apagadas, grinaldas artificiais penduradas no tecto e um rabino de chapéu na cabeça a repisar
as leis de Moisés. Ele (lembro-me bem) tinha posto na cadeira o
clássico cartão do Don’t Disturb e era uma ilha em viagem, uma
sinagoga supensa. Don’t Disturb...não me incomodem. Gozem
lá o vosso Natal, parecia dizer esse vulto obcecado, e deixem-me
com o meu calendário da Terra Prometida.
Mas, vendo bem, todos nós éramos igualmente ilhas e cada
qual demandava o Velho Mundo com a estrela polar a
conduzir-nos. E todos, à velocidade de 500 quilómetros por hora,
cobríamos duas mesmas datas sem que nenhuma delas nos
tivésse atingido profundamente...
José Cardoso
Pires
In “Revista Eva
-1963”
Rosario
Duarte da costa
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22/12/2011
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