Mercredi 2 mars 2011
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Auteur des photos sur cette page: Catarina Henriques "olhares.com"
O inverno pariu a primavera
O
inverno pariu a primavera
E ela
dói-me cá dentro de mim
Com
tantos nevoeiros -tal a guerra-
Ou
esta revolução do jasmim
É uma
primavera naufragada
Entre
memórias que eu me lembro
Oiço o
grito que me vem de dentro
E aqui
fico só e encobardada
Trago
no meu rosto aquelas marcas
Cicatrizes vindas como as espumas
Nunca
se me arrancaram estas farpas
Que me
deixaram deitada entre as brumas
Plantando árvores flores e sonhos
Naveguei muito nesta terra sem parar
Porém
nunca vi dragões medonhos
Deitando o seu fogo p’ro alto mar
Vi
barcos e marinheiros à proa
E
vagas levantadas a cantar
Como
um fado cantado na Madragoa
E
muitas bocas abertas a sussurrar
Fica o
tempo e o modo do tempo
Sentados nesta vontade de se ser
Na
escultura da vida que contemplo
Desde
a manhã até ao entardecer
E vejo
Camões alevantado
Com os
dedos já gastos de escrever
A ver
se o nosso tempo havia mudado
Nesta
esperança do enlouquecer
E vi
Don Sebastião adormecido
Em
Marrocos há muito esquecido
E vi o
meu País amedrontado
Entre
o seu presente e o passado!
Rosario Duarte da Costa
Copyright
01/03/2011
Cer-
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