Mardi 19 juillet 2011
2
19
/07
/Juil
/2011
10:11
Auteur des photos sur cette page: Américo da
Conceição"ohares.com
As arcas da minha
infância!
Quando eu era
criança, a minha avó passava o tempo a
mostrar-me tudo o que ela guardava nas arcas. Isso para mim
era uma
maravilha... Até parecia a arca delirante de um pirata.
Entre
fotografias antigas, colecções de revistas, eu encontrava
sempre coisas
extraordinárias.
Por exemplo,
quando a raínha Dona Isabel foi a Portugal, a
minha avó estava no hospital em Lisboa,
já nem me lembra
porquê.
Como ela não
podia ver a chegada desta, comprou as revistas
da época, levando-as para o Alentejo tendo-as guardado logo
muito
direitinhas, como recordação. E vi, que o Salazar
até
extraíu os
coches do museu, para a fazer desfilar neles
nas
ruas
Lisboetas!
Ainda me
lembro vagamente, que o Salazar tinha oferecido à
raínha uma
garrafa de vinho do Porto com duzentos anos. Já
nem era
vinho, parece. Tornou-se como um licor!
Todos os
anos, a minha avózinha (que não era velha) pois,
teve ainda filhos após o meu
nascimento, preparava roupa
nova para
ela e para o
meu avô, destinada a vesti-los quando
mortos. Era
um pouco
esquisito, pois eu não compreendia nem
a
morte, nem porque é que as pessoas morrendo,
teriam que ír
bem vestidas.
“Olha o coletezinho do avô e, a
gravata”, dizia ela por
exemplo,
deixando-me
logo espantada!
Mas, a arca
de que eu mais gostáva era de castanho e, estava na
cozinha. Era
nela que eram dispostos os pães alentejanos, os brandeirinhos que ela fazia cozer para a sua meninada. E, isso
era
genial.
Assim, passei
a infância comendo romãs, com o abrir e fechar
das arcas da
minha avó. Mas, o que ainda não ousei dizer, é
que a riqueza
vinha sobretudo, de todo o amor que ela me
oferecia. E,
isso é sempre importante para uma
criança!
Rosario Duarte dáa
Costa
Copyright
17/07/2011
Derniers Commentaires