Terra Mãe! Cercal do Alentejo

Lundi 14 novembre 2011 1 14 /11 /Nov /2011 10:23

 

Papoilas ao vento suão

 Auteur: Françisco Fadista "olhares.com" 

sou orfã...

je suis orpheline...

 

sou orfã...

não tenho casa nem Pátria

à frente do meu nariz.

não tenho céus azulinhos

nem o canto das cigarras

erguido aos meus ouvidinhos.

 

sonho, sonho e nem respiro

no palco da minha vida...

já nem os lírios sãos dançam

naquela terra doirada,

onde as hastes da esperança

nasciam da madrugada...

 

com verdes campos sentados

salpicados de papoilas

-vermelhas como a paixão-,

dos nossos lábios e beijos.

 

haviam pássaros boiando

por entre nuvens branquinhas;

e os ribeiros correndo

com o coração abrindo.

como uma rosa acordada,

numa harmonia infinda...

 

era a nossa alma regada

com águas cantando alegrias,

em cada recanto uma fada

e um mundo de poesias!

 Rosario Duarte da Costa

Copyright

13/11/2011

Um olhar indiscreto

Par Rosario Duarte da Costa - Publié dans : Terra Mãe! Cercal do Alentejo - Communauté : Caligrafias Poéticas!
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Jeudi 25 août 2011 4 25 /08 /Août /2011 11:00

Por do sol no Cercal do Alentejo

Auteurs: Nuno e Sandra "olhares.com"

Cercal do Alentejo

 

 

bem haja a hora em que me dés-te

a luz do dia e a vida me oferecês-te.

foi num mês pequenino- como eu o era-

preparando o inverno para a primavera.

 

bem haja a terra que me viu nascer

as pedras e a cal amarela do meu viver.

bem hajam as gentes que me viram sorrir,

era Fevereiro e não ainda Abril.

 

bem haja a terra o céu e o mar

com cotovias e melros sempre a cantar.

viéram piriquitos e melros descidos do céu

com os rouxinóis e tordos naquele canto seu.

 

bem hajam as urzes no meio dos montes,

os sobreiros de pé sobre os montados.

bem hajam as mãos calejadas procurando fontes

e os velhinhos nas tardes por ali sentados.

 

bem haja o quintal da avó com o galo a gritar

e o avô zangado de cajado na mão para o enxotar.

bem haja o gato velho e pardo que ali corria

de porta em porta quando eu ainda me perdia.

por entre portas e as muitas traversas

ouvindo o tagarelar das vossas conversas.

e bem hajam as árvores de braços abertos

 

carregadas de figos e de limões espertos!

 

Rosario Duarte da Costa                            

Copyright

10/08/2011

 

Alentejo

Auteur: Bruno Raposo "olhares.com"

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Lundi 18 juillet 2011 1 18 /07 /Juil /2011 09:45

 

Caligrafias Poéticas!

  foto: rdc (13 anos)

 

porque a água é divisível

a todo o homem que passa.

 

os alpes suspendem-se ao céu,

vejo-os aqui da janela.

diz que amanhã haverá chuvadas.

e as nuvens mostam-se espantadas

agarrando-se ao céu cinzento

            encolhido pelo vento,

que nos bate aqui em rajadas.

 

volto atrás.

cheira-me a teias já môfas

ao abrir aquela porta.

parece-me uma aguarela

a minha casa amarela:

o chafariz italiano

incrustado na parede

podia matar a sede.

 

porque a água é divisível

a todo o homem que passa.

no ângulo da minha terra

à esquina da minha rua,

dilatado pelo calor

entre o sol e a lua!

 

vejais o tempo em que fui.

e este outro em que estou...

entre janelas e portas

e o portão de ferro forjado

            agora enferrujado.

e tantas aves despertas

voltigeando em ogivas

no azulinho do céu!

 

vejais o tempo que morre

e este tempo nascido

com rugas na minha vida.

mas foi um tempo florido

onde já nem tenho jazigo.

e, fico aqui adormecida,

o resto desta minha vida.

Rosario Duarte dáa Costa

Copyright

17/07/2011

 

CERCAL----1--.jpg

 

Photo0189-1-Rosario-no--Alentejo-copie-1.jpg

  Viagem de Lisboa ao cercal 1970

 

alentejo_springtime_2-thumb-copie-1.jpg

  Campos do Alentejo

 

Par Rosario Duarte da Costa - Publié dans : Terra Mãe! Cercal do Alentejo - Communauté : Caligrafias Poéticas!
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Jeudi 19 mai 2011 4 19 /05 /Mai /2011 18:24

 

 

 

 

 

circunvago

e o tempo que pássa

dá-lo-ia para alinhavar                                                                

as ilhas futuras

numa constelação

de muita esperança

onde eu residiria

com a bússula no olhar

como uma cenobita de paz

  Rosario Duarta da Costa

 Copyright

16/02/2001

 

 

Par Rosario Duarte da Costa - Publié dans : Terra Mãe! Cercal do Alentejo - Communauté : Expatrie(e)s
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Mardi 19 avril 2011 2 19 /04 /Avr /2011 10:46

Réveil à Vila Nova de Milfontes!

 

Amanhecer em Vila Nova de Milfontes

Auteur:Paulo Nogueira "olhares.com"

 

Conta-me histórias...

Conta-me histórias...

 

como aquelas que guardei

nas minhas memórias...

 

com aquele sol extrêmo

a caír sobre nós

e um ventito ligeiro

-às vezes-,

a bater-me na cara

como uma carícia

ali no quintal do dia.

 

A tua voz

era o sopro

vindo do coração.

Uma onda do mar

estendida na praia

(como uma oração).

 

E o castelo de pé

olhando os barcos ao longe

via o farol guardião

dos navios atravessando

o alto mar.

E a tua voz

era a canção

do meu embalar

 

Conta-me histórias...

Rosario Duarte da Costa

Copyright

14/04/2011

 

Par Rosario Duarte da Costa - Publié dans : Terra Mãe! Cercal do Alentejo - Communauté : Revue poésie et nouvelles
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Mardi 29 mars 2011 2 29 /03 /Mars /2011 10:52

 

http://dotempodaoutrasenhora.blogspot.com

Saquinhos a tiracolo e taleigos!

 

Quando era garota usava daqueles saquinhos pequeninos a tiracolo.

Alguns, era mesmo a mãe que mos fazia. A condizer com o chapéu.

Como aquela casita à qual se tirava o telhado vermelho, com as

paredes carregadas de árvores e flores bordadas, um desenho que a

mãe inventou, como os de Walt Disney hoje!

Hoje, não sei porquê, deu-me vontade de ter um taleigo. Como

aqueles da minha terra, onde as pessoas carregavam coisitas

pequeninas.

E, perguntei-me logo para quê, um taleigo?!

Para ser original. E estar em comunhão com um País e um povo,

quese esqueceu da “essencialidade das coisas e, da vida”.

Por isso quero um taleigo. Embora eu não tenha máquina de costura,

nem paciência para o fazer. Fica-me só na ideia o taleigo, porque

assim evitarei de gastar o dinheiro em sacos de marca, caríssimos,

nesta altura em que tudo nos vai faltar!

Rosario Duarte da Costa

Copyright

26/03/2011

 

COISAS SIMPLES - Gentes e Locais - Olhares.com

www.wist.com

Par Rosario Duarte da Costa - Publié dans : Terra Mãe! Cercal do Alentejo - Communauté : Expatrie(e)s
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Mardi 2 novembre 2010 2 02 /11 /Nov /2010 11:55

 

Auteur: João Rodrigues"olhares.com"

 

 

Auteur: de toutes les autres photos de cette page: Francisco Fadista "olhares.aeiou.pt"

 

A Sª d`Aires no seu altar à "Romana"

Glandes caídas no chão

 

 

sou filha daquela terra

também prima daquela gente

e se alguém me desmente

eu vou-lhes fazer a guerra

e vamos todos p’ra frente

armados e com cautela

em frente amigo em frente!

Rosario Duarte da Costa

Copyright

26/10/2010

 

 

Os cavalos também pastam no montado alentejano

 

Miniatura de antiga máquina debulhadora de cereais

Par Rosario Duarte da Costa - Publié dans : Terra Mãe! Cercal do Alentejo - Communauté : Caligrafias Poéticas!
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Mardi 26 octobre 2010 2 26 /10 /Oct /2010 10:45

Aliado à sede

Auteur des photos sur cette page:José Torres"olhares.com"

 

Oliveira

 

Sonho! Je rêve!

 

Sonho do grito das pedras estalando

No vidro escuros dos meus olhos

E sonho daquelas terras primeiras

Com o canto e o encanto das janeiras

 

Sonho com aqueles fornos já velhos

Cozendo o pão com lenha verdadeira

E sonho com trigais nos largos campos

Onde se via em cada canto uma ceifeira

 

Sonho com paz e com silêncio quando

Os pássaros saíam do céu fluctuando

E sonho com telhas vãs sobre as casas

Ouvindo-os parar num bater de asas

 

Sonho com árvores levantadas

A verem todas as outras dobradas

E sonho com frutos verdadeiros

Os que p’ra mim foram os primeiros

 

E sonhando vou dando comigo

Entre mitos e crenças muito antigas

E sonho que a vida é um castigo

Quando matam as papoilas mais bonitas

 

E o sangue das papoilas é a vida

Que nos consome até chegar ao morte

Vivêmos num beco sem saída

Andando sempre à procura do norte!

Rosario Duarte da Costa

Copyright

26/10/2010

 

Papoilas

Par Rosario Duarte da Costa - Publié dans : Terra Mãe! Cercal do Alentejo - Communauté : Expatrie(e)s
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Vendredi 10 septembre 2010 5 10 /09 /Sep /2010 10:23

e eu aqui sozinha vestida de xadrez

 

Auteur des Photos sur ette page: M. Rosario Antonio "olhares.com"

 

 

les après-midi d’été

(à Miza…)

 

 

Tu te souviens des après-midi chaudes de l'été, avec notre

assouplissement à l’ombre du vieux noyer ?!

Nous regardions le ciel et le soleil passait entre les dentelés

des feuilles,- un passage fin- comme s’il s’agissait d’un tableau

en filigrane !

Il n’y avait pas de passants la rue et, les mouches tournoyaient

autour de nous-comme si nous avions de quoi les nourrir !

Dehors, on entendait le cri des ruisseaux asséchés, la fontaine

à côté de la maison était presque tarie, et les gens remplissaient

leurs ustensiles très lentement.

Et nous étions là, comme si rien ne pouvait perturber nos

lectures enfantines et nos jeux. Avec un grand sourire et les yeux

en diamant, nous regardions le ciel avec nos quatre yeux

d’enfants. Un ciel bleu parsemé d’or…et, nous nous trouvions les

enfants les plus riches du monde.

T’en souviens-tu ?!

Mais nos vies inscrites dans les rides de la terre en seront même pas

inscrites au Musée du Cinéma!

Rosario Duarte da Costa

Copyright

09/09/2010 (over-blog)

 

"gostaria"

 

 

"Museu do Cinema"

Par Rosario Duarte da Costa - Publié dans : Terra Mãe! Cercal do Alentejo - Communauté : Caligrafias Poéticas!
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Lundi 26 avril 2010 1 26 /04 /Avr /2010 10:45

 

 

 

 

Olhares

 

 

 

 

Ao luar

 

Photos sur cette page de Carlos Soares www.olhares.com

 

 

Alternativo

 

 

 

A mes parents!

 

 

Vous deviez être là , et vous n’êtes pas ! J’ai mal au cœur en

chaque 25 Avril puisque vous l’aviez désirée la démocratie

et, vous ne l’aviez jamais vue!

Dîtes-moi alors, pourquoi vous êtes partis si soudain, me laissant

triste assise sur les pavés de ma vie, je ne puis comprendre papa

et maman, que vous soyez allés vers une autre vie !

 

Voilà trente six ans d’une dite démocratie au Portugal mais, la

vraie démocratie reste encore un devenir, elle n’est qu’un rêve la

réalité nous démontrant qu’il nous reste encore beaucoup de

chemin à parcourir…

 

Depuis ces temps là on fête le 25 Avril, avec des œillets selon que

l’on peut ou bien avec des roses peut-être, si l’on ne peut pas. J’ai

des roses rouges à portée de main, elles feront l’affaire croyez-moi

bien, les sentiments profonds se jouent au centre du cœur, comme

mon amour pour vous et je cache ma douleur !

 

Ma fête à moi elle est nulle part, sinon ici au centre de mes mots.

C’est Joseph Joubert qu’à écrit un jour « La musique a sept

lettres et l’écriture vingt six notes ! ».

 

Ainsi, je joue de la mandoline, peut être une sonate sur mon piano,

histoire de vous faire entendre ce qui est occulté au plus profond de

moi car, j’ai besoin de communiquer avec vous, même si vous n’êtes

plus ici!

 

Pour fêter quelque chose je n’ai pas besoin de fête ; pour sentir

quelque chose je n’ai pas besoin de le dire ; pour transmettre quelque

chose je n’ai pas besoin de le crier avec un olé sur toutes les arénes

du monde !

 

Vous le savez. Jamais dans ma jeunesse j’ai couru sur les champs

des foires portugaises sinon en famille ou avec des amis/ies, j’ai

une façon d’être qui ne m’oblige jamais à courir sur les vents du jour,

seulement parce que pour partager avec les autres il me faudra être

en phase avec eux, comme au temps du combat contre le fascisme !

 

Il y a quelques années déjà j’ai participé aux fêtes avec des

associations, parce que mes élèves étaient partie prenante d’elles et,

avec eux je me sentais parcourir un chemin d’avenir. Depuis, j’ai

cessé de trotter, comme le cheval de mon enfance je me suis arrêtée

au milieu de la route !

 

Je pense à vous mes chéris, vous qu’êtes mes parents vous

pourriez-être mes enfants aujourd’hui ; vous me manquez

énormément !

 

J’ai une pensée pour mes grands parents ; et ceux qui sont morts un

jour à cause des guerres coloniales, ces jeunes qui n’ont jamais pu

vivre une vie d’adulte !

Et je n’oublie pas ceux que j’ai rencontrés un jour, comme moi

croyants de liberté et d’espoir qui se sont enfouis derrière les nuages !

Je me souviens du copain Zeca Afonso, lorsqu’il est venu à Lyon

présenter le film « Sol a Sol », et je lui dis : Zeca, le Soleil a

changé d’horizon !

 

Avez-vous pensé à Delacroix qui détestait Ingres ? Il avait écrit 

dans son journal : « le soleil d’Ingres se lève toujours du

même côté » !

Et moi, je ne déteste personne mais, je dis à ceux à qui je ne crois

plus « votre soleil a toujours un air tordu » !

 

LAlentejo ce n’est plus ce qu’il était, les blés ne son pas aussi dorés

qu’avant, et peut-être même qu’un jour il n’y aura plus de blés !

Le pétrole oui ça paie, même si l’on ne le mange pas ; les pauvres

existent toujours, mais ce n’est plus de la faute des grands

propriétaires si, de l’état.

Le travail est rare pour les jeunes et, les vieux sont de plus en plus

abandonnés !

Alors, on revient d’une autre manière au livre « Alentejo é Sangue »

de Antunes Varela et cela, risque de ne pas changer !

voilà papa et maman, des nouvelles brèves de notre triste terre !

A notre rencontre d’un jour.

 

Rosario Duarteda Costa

Copyright

24/04/201

 

 

Unidos na vida e na morte

Par Rosario Duarte da Costa - Publié dans : Terra Mãe! Cercal do Alentejo - Communauté : Caligrafias Poéticas!
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