Image: wikipedia.org
Natal: Histórias para contar!
A vida tem destas coisas que fazem, com que nós mudemos os objectivos iniciais do evento, transformando-o quase, no nosso
próprio festejo!
A festa de Natal sempre foi para mim, a significação de um
encontro com os meus familiares, desde tempos remotos.
Além do aspecto religioso, esta festa revestiu sempre un carácter
particular, de encontro profundo, comunhão e partilha.
Independentemente dos presépios colossais que o meu pai fazia
quando eu era garota, onde ele dispunha as personagens entre
montanhas com estradazitas e rios correndo (graças a uma torneira
ali aberta), recordo-me ainda da distância da travessia que
fazíamos na serra do Cercal, para ir-mos ao encontro do musgo, necessário para transformar as pedras pesadas, em montanhas vertiginosas!
No entanto, no meu tempo não existia Pai Natal. Era o menino
Jesus, que descendo a cheminé, nos trazia as prendas...
Apesar da ausência de neve no Alentejo, Dezembro frio chamava
a lareira e a braseira para nos aquecerem os pés. Os Natais da
minha infância ficaram-me guardados ne memória -como jóias valorosas fechadas no meu cofre!
Mas, tendo os meus pais voado cedo para um lugar qualquer, e residindo eu fora de Portugal, acostumei os meus filhos a ares
já antigos, embora perfumados de tradições recentes (especialmente
às da Provence française), com sabor à língua d’Oc, e a alfazemas
-como na minha terra-.
Acontece que os meus dois filhos (os rapazes) fazem anos em fins
de Novembro. Por tradição caseira, habituei-me a ornamentar a
casa para o Natal na penúltima semana de Novembro.
Contudo, os filhos vão-se e, os hábitos ficam. Os netos recomeçam
a ver o que os pais já viram. Porque, por hábito, guardei sempre relíquias desde o 1° Natal com o primeiro filho, até aos baptizados
dos meus netinhos. E, tudo isso ornamenta a minha árvore de Natal.
No entanto, este ano tinha pensado acabar com o rito. Não podendo
estar em Lyon nessa altura, a minha filha § família ficarão em Paris,
o que me torna triste. Mas, compreendo perfeitamente as causas
justas devidas às funções de ambos, e ainda o facto deste ano eles partilharem o Natal com a família do esposo da minha filha!
O trabalho que tenho cada ano a preparar a ornamentação, começa
a fatigar-me. Subo e desço, com berloques e brilhantes e, já
precisaria de paz. Mas, os meus netitos mais velhos iriam logo dizer
que este ano não seria Natal.
E, como explicar ao Alexandre(meu filho deficiente), que este ano
as luzinhas não brilhariam para ele?!
Então Rosário, continuará a subir e descer até ao fim. O Natal não é
teu, é para todos!
E, pronto, com esta história, dobrei-me ainda mais!
Feliz Natal (em avanço) para todos vós!
Rosario Duarte da Costa
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28/11/2011
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