Jeudi 4 février 2010 4 04 /02 /Fév /2010 11:19

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Je pense au tableau de Vieira da Silva :« 
la Lutte avec l’Ange » !

 

Nous aussi sommes toujours en lutte avec notre ange !

 

Nous ressemblons alors, à un oiseau en détresse, s’envolant au

hasard vers des nuages orphelins…

 

Il nous serait possible de redessiner la lumière avec de l’encre noire,

et d’écrire nos carnets de route pour nos voyages futurs. Avec la

lumière l’ange serait plus clair et, nous pourrions voir son regard

attendri et la douceur des traits de son visage.


Nous avons besoin d’un coin de sable, d’une ombre ou, une rose
du désert
  avec la lumière entière posée sur nos corps et dans nos
âmes !

Rosario Duarte da Costa

Copyright

3/02/2010

 


Penso no quadro de Vieira da Silva : “A luta com o Anjo”!

 

Nos assemelhamo-nos então a um pássaro em perigo, avançando

ao acaso para as nuvens orfãs...

 

Ser-nos-ía possível redesenhar a luz com a tinta preta, e escrever os

cadernos para as nossas futuras viagens. Com a luz o anjo teria mais

clareza e, nós poderíamos ver o seu olhar enternecedor e a doçura

das linhas da sua cara.

 

Precisamos, dum canto de areia, duma sombra ou uma rosa do deserto

com a luz inteira posta sobre os nossos corpos e nas nossas almas!

Rosario Duarte da Costa

Copyright

3/02/2010

 
http://www.fasvs.pt


O logotipo da Fundação Arpad Szenes Vieira da Silva

Arquivo de Exposições Temporárias

Vieira da Silva nas colecções internacionais

Vieira da Silva

A exposição intitulada Vieira da Silva nas colecções internacionais ou Em busca do essencial celebra o décimo aniversário da abertura ao público do Museu da Fundação Arpad Szenes - Vieira da Silva, e pretende homenagear tanto a personalidade como a obra da excepcional artista que foi Vieira da Silva (1908-1992).
Esta exposição, sob o Alto Patrocínio do Presidente da República Portuguesa, é organizada pela Fundação Arpad Szenes – Vieira da Silva em estreita colaboração com a Galerie Jeanne-Bucher, de Paris, representante da artista desde 1933. Durante cerca de 3 meses, a colecção permanente do Museu será substituída por um conjunto de obras primas de Vieira da Silva. Em exposição estarão 80 obras – 56 pinturas e 24 obras sobre papel – que se destacam pelo grande formato e pela raridade com que foram apresentadas em Portugal. Esta exposição, para além de oferecer uma leitura antológica do percurso de Vieira da Silva (1934-1992), permite também o desvendar da essência da sua pesquisa plástica e revela o carácter internacional da sua obra, distribuída por todo o mundo em colecções públicas e particulares de relevo.

Entre as grandes instituições que cederam obras destacam-se: nos Estados Unidos, as prestigiosas colecções do Guggenheim e da antiga Willard Gallery de Nova Iorque, do San Francisco Museum of Modern Art, da Phillips Collection de Washington, do Walker Art Center de Minneapolis; em França, para além da colecção da Galerie Jeanne-Bucher de Paris, estão igualmente representados o Musée National d’Art Moderne-Centre de Création Industrielle e o Musée d’Art Moderne de la Ville de Paris, o Musée d’Unterlinden de Colmar, entre outros; no Reino Unido, a Tate Gallery de Londres; na Alemanha, a Kunstammlung de Dusseldorf e o Museum Folkwang Essen; na Suiça, a colecção da Fundação Emanuel Hoffmann em depósito no Kunstmuseum de Basileia, a Galerie Alice Pauli de Lausanne; na Finlândia, o Museum of Contemporary Art de Helsinquia; no Brasil o Acervo Artístico Cultural dos Palácios do Governo do Estado de São Paulo; em Portugal, para além da Fundação Arpad Szenes-Vieira da Silva, contam-se obras da Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, do Metropolitano de Lisboa, dos Bancos MillenniumBcp e Totta. Vários foram também os coleccionadores particulares, nacionais e internacionais, que cederam obras provenientes de cidades como Nova Iorque, Paris, Londres, Lausana, Lisboa ou Porto.
Para além da proveniência, que só por si traduz o interesse de que Vieira da Silva beneficia no contexto artístico internacional, as obras apresentadas permitirão apreender o desenvolvimento progressivo de um percurso artístico com lógica própria - a busca do essencial –, num desfile de pinturas incontornáveis e de obras sobre papel que completam habilmente a pesquisa pictórica.

Desde 1934, o Atelier, Lisbonne revela a primeira afirmação de uma perspectiva fugidia na obra de Vieira da Silva. A este universo fechado, e simultaneamente em osmose com o mundo exterior, responde La chambre à carreaux (1935), onde se misturam sentimento de liberdade, dinamismo e tonalidade rítmica, numa explosão de vitalidade. Esta descoberta da expressão e da espacialidade da cor evoca a memória das estreitas ruelas de Lisboa com as suas perspectivas labirínticas e “azulejos que renascem depois na [...] pintura: diferentes, múltiplos, irisados, hesitantes, a passo de dança, eclipsando-se e rodopiando [...] Por fim esta técnica dá uma vibração que [...] permite encontrar o ritmo de um quadro”, afirma a pintora mais tarde. Le jeu de cartes e La Scala (1937) são, por sua vez, interrogação do destino, reflexão sobre a existência e “visão múltipla e una”, definição precisa que René Char mais tarde daria do olhar de Vieira da Silva.

Les drapeaux rouges de 1939, La Forêt des erreurs (1941), Le Désastre (1942) e La partie d’échecs (1943), expressam o mal estar que Vieira da Silva sente em relação ao ambiente de crise da II Guerra Mundial. Em 1940 emigra de Portugal para o Brasil com o marido, o pintor Arpad Szenes com quem casou em 1930, e aí permanecerão até 1947, longe dos regimes políticos totalitários.

De regresso a Paris, depois da Guerra, seguem-se anos de intensa produção artística que darão origem a várias obras primas: Enigme (1947), com os seus corredores contíguos, Joueurs de cartes (1947-48), onde uma multitude de cartas de jogar é aspirada para o centro da mesa, como se a artista as quisesse rebater, convocando reflexão e acaso; Le souterrain (1948), anuncia a série de quadros brancos, milagre de equilíbrio entre um côncavo dédalo geométrico e a claridade poétida que daí emana; La Gare St-Lazare (1949), deve a sua consistência a uma notável mestria na representação do vazio e das tonalidades que o compõem, sendo a sua ossatura sugerida por pinceladas delicadas que lhe conferem uma respiração surpreendente; Echec et Mat (1949-50), onde o tabuleiro mantém o centro da tela numa estabilidade ordenada e controlada; L’entrée du château ou Hommage à Kafka (1950), com os seus mil brancos e cinzentos e traços que parecem orquestrar uma saída, longínqua e incerta; La ville nocturne ou Lumières de la ville (1950), numa visão premonitória de Nova Iorque; Le promeneur invisible (1949-51) onde, como o título sugere, o espectador se torna actor e é convidado a passear numa variedade de espaços, avançando e recuando, num percurso onde o antes, o durante e o depois se confundem voluntariamente. Vieira está perfeitamente consciente da sua pesquisa: “Olho a rua, as pessoas andam a pé e sobre diferentes aparelhos, a velocidades diferentes, sonho com os fios invisiveis que os puxam. Não têm o direito de parar. Já não os vejo, tento ver o mecanismo que os move. Parece-me que talvez seja o que eu tento pintar.” Composition blanche (1953) e Composition (1955), duas obras cujo perfeito domínio do branco revela um momento fulcral na pesquisa pictórica de Vieira, ao nível das energias e das tensões vitais. Estes brancos incorpóreos, estas procuras de absoluto serão recorrentes ao longo do percurso da artista e visíveis em obras como Stèle (1964) - infelizmente retida em Paris no Centre Georges Pompidou -, L’équité (1966), Chemins de la paix (1985), Dialogue (1984-85) e Courants d’éternité (1990). Os anos 50 são os anos de consagração da artista, com uma série de exposições importantes, aquisições e encomendas de altas instâncias públicas e privadas em França e no estrangeiro e atribuição de prémios e condecorações em França e nos Estado Unidos, o que a coloca definitivamente ao nível dos grandes artistas do seu tempo. Em Portugal, só em 1970 é realizada a sua primeira grande exposição e só depois de 1974 é agraciada com as mais altas condecorações portuguesas.

Durante os anos 60-70, Vieira da Silva produz obras essenciais como Bibliothèque (1966), La Bibliothèque en feu (1970-74) e La Bibliothèque de Malraux (1974). O tema das bibliotecas é recorrente, alas labirínticas ou quadrículas regulares lembram os corredores infinitos das grandes bibliotecas e são outras tantas metáforas para os arcanos do pensamento; Conséquences contradictoires e La Basilique (1964-67) e, mais tarde, Mémoire (1966-67), maravilhosos percursos na consciência da artista; Instrument de musique (1971) cujas variações de luz contribuem para a arquitectura da obra, Les trois fenêtres (1972-73) ou três propostas relativas ao espaço da pintura.

O final dos anos 70 e os anos 80 são marcados por uma investigação de quintessência; perseguindo a sua recusa de certezas: “Precisamos de acreditar na certeza. Mas habituei-me a acreditar que não há nada estável, que tudo muda continuamente. (...) Não se sabe, nunca se sabe. (...) É a incerteza que é a minha certeza. O mundo muda. Os olhos mudam. (...) Tudo é tão subtil! Por vezes, pelo caminho da arte sinto iluminações súbitas mas fugazes e sinto então, passageiramente uma confiança total, fora do domínio da razão. (...) Na minha pintura, vê-se essa incerteza, esse labirinto terrível. É o meu céu, esse labirinto, mas talvez que no meio desse labirinto encontraremos uma certeza pequenina. (...) Creio que o que se pinta não se vê. É aí, no nosso corpo todo que isso se passa, e na nossa mão evidentemente.” Durante estes anos, o diálogo com a vida, a incerteza como via de conhecimento, incitam-na a projectar nas suas telas filtros que lhe permitiam passar por estados de consciência pertencentes ao “outro” lado do espelho. A doença de Arpad Szenes, a preparação para uma solidão forçada e a consequente perda do marido em 1985, reflectem-se em obras cuja subtileza não pode senão evocar um sentimento geral de elevação que perdurará até à sua morte em 1992. Assim, as obras do último período L’Empire céleste (1977), La Patience (1981-84), Les Chemins de la paix (1985), L’issue lumineuse (1983-86), Soleils (1986), Dialogue (1984-88), Ariane (1988) e Courants d’éternité (1990), sem esquecer as quatro têmperas intituladas La Lutte avec l’ange I,II,III e IV, revelam-se em toda a sua mestria, acordo interior, aceitação e libertação, em resposta – pela sua comunhão com uma verticalidade meditativa – às obras precedentes e construídas, que souberam explorar zonas internas da consciência no seu aspecto labiríntico, e cujo longo caminho em direcção à luz se fez através de “uma libertação de energia” ou de um “espaço transformado em energia. Mas Vieira da Silva não nos tinha já falado de algo irreductivel a que chamou energia e que talvez não morra nunca? “Sinto-me muito separada do meu corpo, e isto não é novo, sempre me senti separada dele. (...) O meu cérebro vai apodrecer como tudo o resto. Mas há algo talvez, que os cientistas ainda não descobriram, que não apodrecerá e que nome dar a essa coisa? Uma energia? Creio que a consciência do individuo acaba com a morte (...), mas estou convencida que trazemos em nós uma energia comparável às ondas de um aparelho de rádio: se nos deitarem fora depois da morte, como um rádio usado, as ondas, essas, continuam a irradiar.”

Esta homenagem a Vieira da Silva não poderia estar completa sem a organização de uma série de acontecimentos:
- um catálogo da exposição trilingue (português, francês e inglês) com todas as obras reproduzidas a cores, com três textos críticos sobre a obra de Vieira da Silva da autoria de Eliza Rathbone, Conservadora da Phillips Collection de Washington; Jean-Louis Prat, Director da Fondation Maeght em Vence; António Tabucchi, escritor.
- um ciclo de conferências que terá lugar no auditório da Fundação Arpad Szenes-Vieira da Silva.
- um concerto de homenagem a Vieira da Silva, com compositores e peças preferidos da artista: as 6 danças populares romenas de Bartok, Kreuzspiel de Stockhausen e as 7 últimas palavras de Cristo de Haydn, interpretadas pela Orquestra Metropolitana de Lisboa sob a Direcção de Emmanuel Jaeger, no Palácio da Ajuda, sexta-feira 5 de Novembro às 21h30.
- um documentário sobre Vieira da Silva especialmente concebido para a exposição, realizado por Alexandre Reina e que será projectado no auditório da Fundação e na RTP 2.
- um percurso de eventos oficiais e culturais será organizado em Lisboa, durante o período de inauguração da exposição, acolhendo numerosos coleccionadores internacionais (particulares e instituições) que estarão presentes para esta homenagem a Vieira da Silva.

 

Par Rosario Duarte da Costa - Publié dans : conversas amigas! - Communauté : Les chroniques de la meute
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