Partager l'article ! Eram olhos e mãos com alegrias breves!C'était des yeux et des mains dans une bréve joie! (Poème): ...


Auteur des Photos: Francisco Miguel Santos www.olhares.com
Por aí navegas
rodando a chave
na porta do mar
por aí vais
abrindo o caminho
procurando a aventura
entre oueste e o leste
na doce ilusão
de um céu sereno
Há quanto tempo foi?
-Há muito:
Era um lugar
um dia interminável
entre céus e nuvens
entre azenhas
ruínas
e terras ceifadas
p’la mãos calejadas
O outono era brando
como a miga do pão
saída do forno
e as horas corriam
sob o peso do céu
perturbando a palavra
saída da boca
O olho vigia
colado à retina
era plenitude
da rua até à esquina
Já esta tudo escrito
nos cadernos do tempo
desde que a terra gira
no seu movimento
o silêncio no espaço
e o homem despido
guardando a distância
das estradas sem nome
São visões antigas
com verdades e beijos
e algumas maldades
no meio dos solfejos
eram dias selvagens
em madrugadas de sangue
e manhãs submersas
entre duas traversas
Eram olhos e mãos
com alegrias breves
em tardes de rasca
onde o povo vivia
de barriga vazia
Sangrando a memória
como as papoilas
no seio dos trigais
Ali os humanos
esgotando as auroras
entre terra e mar
Agora
por aí eu vou
percorrendo as águas
com vagas escavacadas
para te encontrar
Rosario Duarte da Costa
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