Mardi 24 novembre 2009 2 24 /11 /Nov /2009 10:15

 Boavista ,Cabo Verde

Auteur: Filipe Pombo www.olhares.com





Malgré que Cesária Évora s'exprime essentiellement en portugais, les français l'on adoptée depuis longtemps.
J'aime sa voix, ces "mornes" qui nous attendrissent, nous endorment -comme si nous étions retournés vers l'utérus de notre mère!
Elle a permis de faire connaître le Cap Vert, ses îles magnifiques -que je n'ai
pas visitées personnellement mais que je connais pour avoir lu des auteurs qui en parlent, pour avoir entendu des amis qui lui ont rendu visite. L'année dernière, un de mes cousins -entrepreneur portugais- s'est déplacé au Cap Vert. Alors qu'il était à l'hôtel, il m'a appelé pour me dire toute la beauté de ces iles...en me disant par ailleurs, "pourvu que les chasseurs ne les abîment pas" dans peu de temps!
À tous les amis de Cap Vert!


Rosario Duarte da Costa
Copyright
24/11/2009







Entrevista a Cesária Évora sobre a gravação na Rádio Mindelo nos anos 60
Música
Cesária Évora viaja aos anos 60 em “Rádio Mindelo”
28-12-08

“Rádio Mindelo” é a mais recente compilação de Cesária Évora no mercado. São mornas e coladeiras que Cize gravou em fita magnética na antiga Rádio Barlavento, na ilha de S. Vicente, nos anos sessenta, e que agora é editada em CD. É dessa época inicial da sua carreira que a diva dos pés descalços fala nesta entrevista. “Rádio Mindelo” é um registo precioso, que se encontrava perdido, que fala de um Mindelo ingénuo, alegre, captado pelas “antenas” de trovadores como Ti Goi, Frank Cavaquinho, etc. Um tempo que Cize recorda com muitas saudades. por: Teresa Sofia Fortes


- Pelas mãos de quem se deu a sua entrada na Rádio Barlavento, para gravar nos idos anos 60? Ti Goy?

- Não, foi o Sr. Luís Carlos. Na altura quem me acompanhava nas minhas actuações era o Ti Goy e o Careca. A todos os lugares onde eu ia cantar, nomeadamente o Grémio, eles me acompanhavam. Assim, quando recebi o convite para gravar na Rádio Barlavento, foram eles a acompanhar-me.

- Como reagiu ao convite para essas gravações?

- Estava acostumada a cantar em bares, restaurantes e navios estrangeiros que aportavam ao Porto Grande de São Vicente. Por isso, reagi com normalidade ao convite. Mas é claro que gostei.

- Como foi a experiência de entrar pela primeira vez num estúdio aos 20 e poucos anos, para gravar?

- Estava rodeada de meus amigos e companheiros das lides musicais. Por isso, senti-me à-vontade e gravámos sem problemas.

- Quando ouviu a sua voz na Rádio Barlavento como reagiu?

- Quando escutei a minha voz pela primeira vez achei um pouco estranho. Mas à medida que escutava sentia-me bem, contente por estar a ser ouvida por toda a ilha de S. Vicente. Com o passar do tempo isso tornou-se normal para mim.

- Diz o jornalista Carlos Gonçalves que Cize era a “pérola” de Ti Goy. Como era conviver com o Ti Goy, que é tido como um dos melhores compositores de coladeiras de todos os tempos?

- Eu e o Ti Goy conhecíamo-nos bem. Ele e o Careca acompanhavam-me nas actuações em casas particulares, nos navios, em todo o lado. Éramos amigos e tinha (e ainda tenho) um imenso prazer em cantar as músicas dele. Mas eu também cantava acompanhada por Frank Cavaquim e Luís Rendall, duas outras grandes figuras da nossa música ainda hoje.

- Era a Cize que escolhia as músicas ou Ti Goy?

- Muitas vezes, ele trazia-me músicas; outras vezes, eu sabia de alguma e compartilhava com ele. Escolhia aquelas de que eu gostava, cuja letra me dizia alguma coisa e cuja melodia era do meu agrado. Ensaiávamos, interpretávamos nas actuações públicas e gravávamos na Rádio Barlavento. Era tudo ao vivo, sem grandes meios, bastante diferente do que acontece agora.

- Na época, segundo sei, pagavam-lhe 25 escudos por cada gravação, é verdade?

- Sim, é verdade, pagavam-me 25 escudos por cada música gravada. Cheguei a gravar oito músicas num só dia e recebi 200 escudos! Outras mulheres também gravavam – Arminda Santos, Mité Costa, Titina Rodrigues –, mas não sei se a elas pagaram. Também gravei no Rádio Clube do Mindelo, mas ali nunca me pagaram.

- O que dava para comprar com esse dinheiro?

- Muita coisa. Naquela época a vida era mais barata e com 200 escudos dava para resolver muitos problemas. Mas agora … As coisas mudaram (risos). Completamente!

- No Museu de Arte Tradicional, onde em tempos funcionou o Grémio Recreativo li que naquela agremiação só entravam os sócios, gente conservadora e da elite do Mindelo. Como reagiam quando Cesária Évora cantava as mornas picantes do Ti Goy?

- Era muito interessante. O Lulu Marques convidou-me e à Arlinda Santos e outra cantora cujo nome não me recordo (talvez a Mité Costa) para actuar no Grémio Recreativo quando chegou ao Mindelo a comitiva de uma escola de Coimbra. Naquele dia, o Lulu Marques decidiu comprar-me uns sapatos. Disse-lhe que não queria calçá-los. Mas ele insistiu e aceitei. Fomos à loja do Sr. Neves onde me ofereceu uns sapatinhos pretos. Fui ao Grémio Recreativo com os meus sapatos novos, mas estava pouco à-vontade. Quando chegou a minha vez de cantar, sentia-me pouco à-vontade. Uma senhora, cujo nome não sei, mas creio que era a directora da tal escola de Coimbra, perguntou-me se me estava a sentir bem. Então, confessei-lhe que não queria usar aqueles sapatos. Ela respondeu-me: se quiser cantar descalça esteja à vontade. Tirei os sapatos e cantei. Mostrei ao Lulu que naquele momento quem mandava era eu, pois as pessoas tinham ido lá para me ouvir cantar. E, afinal, nasci descalça.

- Não gosta de usar sapatos?

- Não, mas não é nada disso. Apenas não gosto que me obriguem a fazer coisas de que não quero.

- Naquela época Cesária gravou um disco pela Casa João Mimoso. Como foi?

- O povo gostou, pena que o João Mimoso não me pagou. A OMCV também não me pagou quando gravei o disco «Mar Azul», em 1985. Isso só veio a acontecer mais tarde. Depois, fui com o Bana para Portugal, em 1987, e gravei ali quatro discos.

- Apesar de ter gravado esses discos, Cize, ao contrário de outros artistas, não conseguiu grande projecção. Porquê?

- Ora, naquela época ainda não tinha o “meu” produtor junto de mim, o Djô da Silva, que Deus pôs no meu caminho. Ele levou-me para França e deu um grande impulso à minha carreira que é hoje aquilo que todos vêem.

- Djô da Silva é então muito importante para si?

- Com certeza!

- Carlos Gonçalves diz num artigo sobre si que “o sucesso que Cesária conquistou é uma vingança do destino e uma vitória da música cabo-verdiana”. Concorda?

- Sim. Durante muito tempo trabalhei, porém, não fui reconhecida nem recompensada. Graças ao Djô da Silva, em 1987, fiz a primeira actuação em França, despertei a atenção da comunicação social e aqui estou hoje com o meu «Grammy» e os meus discos de ouro conquistados em vários países.

- O que achou da ideia do Djô da Silva de editar em CDs os êxitos que cantou e gravou na Rádio Barlavento e que estavam esquecidos no arquivo da Rádio de Cabo Verde em S.Vcente?

- Gostei imenso da ideia. O CD é uma recordação dos meus primeiros anos de carreira que vou guardar com muito carinho.

"SemanaOnline"

Enviado por 01-01-2009 @ 17:58:33 GMT por marlimamoreira
 
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Par Rosario Duarte da Costa - Publié dans : Dialogues - Communauté : Caligrafias Poéticas!
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