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Auteur des photos : José Santarém www.olhares.com


DIALOGUES ENTRE DEUX RIVES !
DIALOGOS ENTRE DUAS MARGENS !
Olha lá !
Por aqui vais andando atrás do tempo que foge, olhando
constantemente para o espectro do passado.É?!
Ainda não te apercebes-te que tudo se esvaíu, mesmo as ervas que
haviam crescido à volta do teu jardim e, que se diluíram no jardim
da sua eternidade!
cima da mesa. Estás!
O teu olhar poisa no quadro, onde se agarra um ramo de mimosas.é!
Mas, não fiques sózinha, a solidão -dizia George Sand-, rend stupide!
Sabes bem que o mundo círcula. E, tu tens que circular com ele!
Viver não é nenhum crime. Sei. És muito sensível às emoções...
Durante anos, nada mais fizés-te do que vender o teu país aos
estrangeiros: o sol, as praias, o bacalhau, os pastéis de nata...e, o que
mais fizés-te foi o crochet para voltar. Sim, desejarias regressar à terra
que te gerou. Não sei se já viste mas, tu és uma estrangeira para o teu
proprio país! –O quê? Não concordas?
Repara: quando vais a Portugal, o que é que te dizem?
Não respondes? – Dizem-te: a senhora é emigrante? Nunca te dirão que
és portuguesa!
- Digo-te: par mim é incrível esse mecanismo. Acolhem-te bem às
vezes, para plantares o dinheiro que ganháste no jardim bancário. Ou para
comprares uma casa ou, um apartamento. E, tu não vês! –Já não és
portuguesa, ainda não és outra coisa ou melhor, não és nada!
Não chores...de nada vale a pena essas lágrimas. Levanta-te, pensa e,
não dês tudo o que tens ao país que te abandonou.
Olha!
As comodidades da tua pátria estão perdidas. Os sentimentos já não
existem. Tu vais, tu vais e caminhas num tempo já morto. Tu vais e,
caminhas por ruas que já te não conhecem. Tu vais e, não vês que já
não és aquilo que fôste!
Sim. Sim, eu sei que uma grande parte da tua vida ficou lá. Mas, essa
parte acompanhar-te-á sempre, seja qual fôr o lugar onde vais...
Ainda há pouco tinhas-me dito muitas coisas. Por exemplo o dia em
que sofrês-te aquele tremor de terra (sexta-feira 28 de Fevereiro de1969)...
Se fôres a Portugal, ele não te espera porque já passou. Aqui, ele está
instalado em ti e, fala-te de tempos a tempos! É a recordação. É!
Sim, sim, os amigos serão sempre amigos e, não são eles que te irão
desprezar. Os amigos podem vir ver-te, como tu podes ir visitá-los.
Sabe-lo bem!
Mas há qualquer coisa que em ti mudou. Tu também ja não és a mesma.
Mudás-te aqui, noutro país, numa outra sociedade, dentro dos quais vives.
E, isso é importante teres consciência!
Ao mesmo tempo, Portugal mudou e, a sociedade transformou-se durante
a tua ausência. Hoje as empregadas são da europa de Leste, da China,
porque assim a classe média “mata dois coelhos com uma só
cajadada”: elas ocupam-se da casa e das
crianças que poderão assim, gratuítamente, aprender línguas estrangeiras e,
mais tarde, terão acesso
mais fácil às escolas internacionais. O mundo
global, exigindo novas ferramentas!
Assim, os sentimentos diluíram-se, os valores transformaram-se.Como é
que queres que haja feed-back e feed-beefore?! Para bem comunicar,
seria necessário um esforço enorme dos
dois lados.
Não. Não há tempo já, para isso!
Como poderêmos percorrer as estradas poeirentas, que se diluíram nos
novos detergentes?
Tens razão. Também me lembro desse encontro. Tinhamos ido ao
Quadrante no dia 2 de Dezembro e, o Ramos Rosa declamou os seus
poemas. Havia pouca gente; o Namora, o Virgilio Ferreira estavam lá e,
eu disse-te “ como é boa a sua poesia”.! -Não apreciávas muito mas,
daquela vez, concordás-te!
Fui cumprimentar os escritores,
apresentando-te. Dissés-te-me: afinal
são simples para gente
importante!
Eu ri-me!
Olha: Já la vão quarenta anos. Qua ren ta!!
Concordas ?!
Já sei que não. Levantás-te-te e, fôs-te-te embora. Fiquei pensativa.
Mas, de que nos serve empurrar a porta de um País que nos despreza?!
Rosario Duarte da Costa
Copyright
16/12/2009
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