Jeudi 17 décembre 2009 4 17 /12 /Déc /2009 11:23


...fim de tarde...
Auteur des photos : José Santarém www.olhares.com
...camponêsa...


... Terra-Pó ...




DIALOGUES ENTRE DEUX RIVES !

DIALOGOS ENTRE DUAS MARGENS !

 




Olha lá !

 

Por aqui vais andando atrás do tempo que foge, olhando

constantemente para o espectro do passado.É?!

Ainda não te apercebes-te que tudo se esvaíu, mesmo as ervas que

haviam crescido à volta do teu jardim e, que se diluíram no jardim

da sua eternidade!

 

Ora bem. Tu ainda aí estás –de pé-, como a jarra que pusés-te em

cima da mesa. Estás!

 

O teu olhar poisa no quadro, onde se agarra um ramo de mimosas.é!

Mas, não fiques sózinha, a solidão -dizia George Sand-, rend stupide!

 

Sabes bem que o mundo círcula. E, tu tens que circular com ele!

Viver não é nenhum crime. Sei. És muito sensível às emoções...

Durante anos, nada mais fizés-te do que vender o teu país aos

estrangeiros: o sol, as praias, o bacalhau, os pastéis de nata...e, o que

mais fizés-te foi o crochet para voltar. Sim, desejarias regressar à terra

que te gerou. Não sei se já viste mas, tu és uma estrangeira para o teu

proprio país! –O quê? Não concordas?

 

Repara: quando vais a Portugal, o que é que te dizem?

Não respondes? – Dizem-te: a senhora é emigrante? Nunca te dirão que

és portuguesa!

 

-         Digo-te: par mim é incrível esse mecanismo. Acolhem-te bem às

vezes, para plantares o dinheiro que ganháste no jardim bancário. Ou para

comprares uma casa ou, um apartamento. E, tu não vês! –Já não és

portuguesa, ainda não és outra coisa ou melhor, não és nada!

 

Não chores...de nada vale a pena essas lágrimas. Levanta-te, pensa e,

não dês tudo o que tens ao país que te abandonou.

 

Olha!

As comodidades da tua pátria estão perdidas. Os sentimentos já não

existem. Tu vais, tu vais e caminhas num tempo já morto. Tu vais e,

caminhas por ruas que já te não conhecem. Tu vais e, não vês que já

não és aquilo que fôste!

 

Sim. Sim, eu sei que uma grande parte da tua vida ficou lá. Mas, essa

parte acompanhar-te-á sempre, seja qual fôr o lugar onde vais...

Ainda há pouco tinhas-me dito muitas coisas. Por exemplo o dia em

que sofrês-te aquele tremor de terra (sexta-feira 28 de Fevereiro de1969)...

Se fôres a Portugal, ele não te espera porque já passou. Aqui, ele está

instalado em ti e, fala-te de tempos a tempos! É a recordação. É!

 

Sim, sim, os amigos serão sempre amigos e, não são eles que te irão

desprezar. Os amigos podem vir ver-te, como tu podes ir visitá-los.

Sabe-lo bem!

 

Mas há qualquer coisa que em ti mudou. Tu também ja não és a mesma.

Mudás-te aqui, noutro país, numa outra sociedade, dentro dos quais vives.

E, isso é importante teres consciência!

Ao mesmo tempo, Portugal mudou e, a sociedade transformou-se durante

a tua ausência. Hoje as empregadas são da europa de Leste, da China,

porque assim a classe média “mata dois coelhos com uma só
cajadada”:
elas ocupam-se da casa e das crianças que poderão assim, gratuítamente, aprender línguas estrangeiras e, mais tarde, terão acesso
mais fácil às
escolas internacionais. O mundo global, exigindo novas ferramentas!

 

Assim, os sentimentos diluíram-se, os valores transformaram-se.Como é

que queres que haja feed-back e feed-beefore?! Para bem comunicar,
seria
necessário um esforço enorme dos dois lados.

 

Não. Não há tempo já, para isso!

Como poderêmos percorrer as estradas poeirentas, que se diluíram nos

novos detergentes?

 

Tens razão. Também me lembro desse encontro. Tinhamos ido ao

Quadrante no dia 2 de Dezembro e, o Ramos Rosa declamou os seus

poemas. Havia pouca gente; o Namora, o Virgilio Ferreira estavam lá e,

eu disse-te “ como é boa a sua poesia”.! -Não apreciávas muito mas,

daquela vez, concordás-te!

Fui cumprimentar os escritores, apresentando-te. Dissés-te-me: afinal
são
simples para gente importante!

Eu ri-me!

 

Olha: Já la vão quarenta anos. Qua ren ta!!

Concordas ?!

Já sei que não. Levantás-te-te e, fôs-te-te embora. Fiquei pensativa.

Mas, de que nos serve empurrar a porta de um País que nos despreza?!

 

Rosario Duarte da Costa

Copyright

16/12/2009

 

 

...mais um dia que acaba...






 ...momentos...

Par Rosario Duarte da Costa - Publié dans : confidences! - Communauté : Revue poésie et nouvelles
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