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Elle frappa à la porte
la porte s’ouvrit et
elle dévisagea l’heure
dans sa pâleur verticale
le chemin se montrait en énigme
et elle monta les escaliers
en paradigme
le regard était là debout et droit
comme celui d’un soldat
qui s’en va
Limoeiro trônait sur la ville
le Tage derrière coulant tranquille
il ne disait rien elle se dévia
vers le mutisme illogique
où l’attendait une chaise
un peu oblique
une lumineuse tristesse l’envahit
mais le Percepteur arriva
avec une voix jeune
à grand débit
alors, un livre à la main
elle se leva
marcha jusqu’au bureau
sale et froid
et,
prenant son courage
autour du cou
lui dît le pourquoi elle vînt
mais aussi ce qu’elle pensait
de Tout !
Copyright
26/09/2009
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.De cara ao vento, esvoaçam em mim ideias e sentimentos...
"Portugal Censurado"
Trinta anos depois do 25 de Abril, jornalistas falam da experiência face ao peso do «lápis azul». A censura acabou em definitivo?
Trinta anos voaram sobre o 25 de Abril de 1974. Para se perceber o significado desta data, há que ouvir as estórias dos que viveram aqueles tempos. A censura mergulhou o país num medievalismo oculto e sombrio, onde não havia espaço para vozes discordantes do regime. Salazar via os jornalistas como uma ameaça à imagem imaculada que ele queria dar do país. Por isso, dizia que a imprensa era o “alimento espiritual do povo e como qualquer alimento tinha de ser vigiado”. Hoje os tempos são outros e nem nos apercebemos do milagre que é a liberdade de expressão e opinião. Todos os dias nascem novas publicações, revistas, “sites”, “weblogs”, etc,etc. Qualquer um parece poder dizer o quer.
Mas que herança ficou dos censores do Estado Novo? A censura morreu com o regime ditatorial? E em que consistia exactamente? Havia alguma possibilidade de luta? Estas são algumas das infinitas questões que se poderia fazer aos jornalistas daquela época. É isso o que acontece neste site: César Príncipe, Rui Osório, Pinto Garcia, Frederico Martins Mendes, Marques Pinto e Teixeira Neves marcam estas páginas com um testemunho cativante. Com eles, deixamo-nos levar numa viagem ao passado. Vemos os censores, os lápis que utilizavam, ouvimos os seus avisos, conhecemos o perigo de querer dizer a verdade, entramos nas redacções e vemos jornalistas unidos pela esperança do fim da repressão. Depois, regressamos ao presente e vemos as suas opiniões sobre a liberdade de imprensa. Alguns até sentem nostalgia dos tempos da censura.
E o que pensam os jornalistas mais novos? Aqueles que não atenderam “in loco” os telefonemas dos “coronéis” , aqueles que entraram na profissão protegidos por uma lei que consagra a liberdade de imprensa? Alfredo Maia, Rui Pereira, Hélder Bastos e Carlos Fino também preenchem estas páginas com as suas estórias do presente no mundo da comunicação social. Nem sempre as coisas são lineares e a liberdade de imprensa nunca é total e absoluta. Depois de ler os depoimentos destes jornalistas, surgem dúvidas quanto à plenitude dessa liberdade consagrada na Constituição. E, numa sociedade onde há lugar para o debate público e crítico, lançam-se nestas páginas algumas premissas para a discussão.
“Hoje o medo é muito maior nas redacções do que era no tempo do Estado Novo quando os jornalistas se uniam para lutar contra o velho censor. Agora o censor não é velho e é muito difícil
enganá-lo! E depois os censores somos todos, todos temos um velho coronel de lápis azul na cabeça...” afirmou com alguma tristeza um dos jornalistas entrevistados. Outro dizia:
“-Antigamente, nós sabíamos quem eram os censores, hoje não se sabe. Há uma teia de fontes e relacionamentos que tornam difícil identificar de onde vem o aviso, o toque no ombro...Por
outro lado, o jornalista conhecendo a conjuntura do meio empresarial em que trabalha tenderá a ter alguns cuidados em relação àquilo que escreve”..”
No entanto, para outros o cenário não é assim negro. Frases como “ –Hoje não há qualquer tipo de censura. Naturalmente que há questões técnicas que nos obrigam a reduzir textos, mas com o sentido da censura, de adulterar uma ideia ou palavra escrita, não, não há censura!” a par com “A capacidade de liberdade não tem limites, o jornalista pode escrever o que quiser se souber utilizar o seu computador. Não estou a ver um jornalista a encobrir o que quer que seja.” são a outra visão do assunto.
Veja aqui a reportagem completa.
Carina Branco
Artigo de 2004
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