Jeudi 24 septembre 2009 4 24 /09 /Sep /2009 10:50





Luiza Neto Jorge



Aujourd’hui, j’inscris sur cette page quelques poèmes de Luiza Neto Jorge,

poétesse portugaise ( 1939-1989), qui mérite d’être soulignée. Tout d’abord

parce que c’est une femme qui écrit, ensuite parce qu’il s’agit de poésie.


De même, parce qu'elle a fait partie de cette race de gens qui, ont dû s'absenter de sa patrie pour y vivre. Elle a donc abandonné le Portugal en
1960 puis, le retour en 1970 (voir plus loin sa Biographie)!
Aussi pour vous montrer les différentes formes poétiques dans la Littérature

Portugaise.
Traductrice de grands auteurs français: Michaud, Arthaud...Vian, Céline,

Enfin, parce que dans son écriture on pourra lire le Monde !

 

Parmi ses œuvres :


Noite Vertebrada           1960                Nuit vertébrée

Terra Imovel                  1964                Terre Immobile

O seu a seu Tempo      1965                Le sien à son Temps

Os Sitios sitiados          1973                Les Lieux Assiégés

 

Nota Béne:

Ces textes qui suivent, extraits de l’Anthologie de la poésie portugaise contemporaine (1935-2000)

Font partie du choix de Monsieur Michel Chandeigne, qui les a traduits lui-même.

Rosario Duarte da Costa

23/09/2009

 

 

 

Dans les villes du sud

 

            Dans les villes du sud

c’est a violence et c’est l’excès

de semence.

Eclatement des fleuves et fuite de l’eau.

Le corps, couvert d’écorce, se craquelle.

 

Des légendes viennent du fond des siècles ensabler

les rives.

Et lorsque à la bouche d’un puits nous allons

éprouver notre écho,

des eaux pures jaillissent,

dans une autre langue.

 

La Langue


         La Langue

qui est liquide

sacré

ne déborde pas

 

un doigt

qui a touché

la parole

ne l’aborde pas

                                                          Luiza Neto Jorge

 

Le Fleuve

          Le fleuve est tari.

Je suis montée légère à la source

mourante.

 

Je serais descendue, c’était

la mer.
            Luiza Neto Jorge


 

 

  LUIZA  NETO  JORGE










http://relampago.pt

Luiza Neto Jorge nasceu em 1939. Estudou em Lisboa e viveu em Paris entre 1962 e 1970. A Noite Vertebrada, o seu primeiro livro, foi dado à estampa em 1960. Luiza Neto Jorge esteve ligada ao chamado grupo da Poesia 61 que procurou, no início da década de sessenta do século XX, contribuir para renovar a linguagem poética, explorando novas potencialidades gramaticais e semânticas no interior do discurso e na sua inscrição na página.

Consciência feminina da escrita e invenção de uma poesia crua em que o corpo da linguagem se confunde com o corpo do sujeito poético são alguns traços a destacar na sua escrita.

Além de poetisa, Luiza Neto Jorge desenvolveu intensa actividade no domínio da tradução e escreveu para teatro e cinema. Faleceu em 1989, tendo deixado sete títulos de poesia publicados, entre os quais figuram:

 

O Seu a Seu Tempo

Os Sítos Sitiados

A Lume

 

(1989) (1973) (1966)

Neto Jorge
Texto de Gastão Cruz

     
             
   
 

 

 

Luiza Neto Jorge nasceu em Lisboa, a 10 de Maio de 1939, sendo os seus pais Ricardo Jorge Rodrigues, advogado, e Adriana Neto. O irmão, Vítor, nasceria seis anos depois.

Após a separação dos pais, fica a viver com o pai, no então chamado Bairro das Colónias, aos Anjos, onde frequenta a escola primária. Há referências a este período no poema autobiográfico “Anos quarenta, os meus”: a proximidade do Castelo de São Jorge (“De eléctrico andava a correr meio mundo/subia a colina ao castelo-fantasma”), os problemas respiratórios (“[...] E sofria de asma//alma e ar reféns dentro do pulmão”), a instrução primária salazarista (“Salazar três vezes, no eco da aula”), os jogos de infância no Jardim dos Anjos (“E o meu coito quando jogava a apanhar/era nesse tronco do jardim dos anjos”), o fim da guerra (“acabou a guerra meu pai grita ‘Viva’”), os passeios até ao Terreiro do Paço (“Deflagram no rio golfinhos brinquedos//Já bate no cais das colunas uma/onda ultramarina onde singra um barco/pra cacilhas [...]”), as idas ao Cinema Lis, na Avenida Almirante Reis (“No cinema lis luz o projector/e o FIM através do tempo retine”).

A seguir ao falecimento do pai, passa a viver com a mãe e o irmão, na Rua da Misericórdia, nº 17 – 4º Esq., que seria a sua residência até ao fim da vida (a Rua do Mundo, que menciona no título de um poema de A Lume, utilizando a designação que a artéria anteriormente tivera, na primeira república, em referência a um jornal com esse nome).
Depois de um período de doença, que levaria a internamento hospitalar, frequenta o Externato Feminino Francês, situado na Rua do Salitre, onde completa os estudos liceais, indo fazer o exame do sétimo ano ao Liceu D. João de Castro; os primeiros anos, fizera-os no Liceu Dona Filipa de Lencastre, no Arco do Cego.

Em Outubro de 1957, ingressa no curso de Filologia Românica da Faculdade de Letras de Lisboa, que seguiria até 1961, quando o interrompe para ir leccionar no Liceu de Faro, no ano lectivo de 1961-1962. Nessa cidade vive com António Barahona, com quem, entretanto, casara, e fortalece laços de amizade e convívio assíduo com António Ramos Rosa, Casimiro de Brito e José Afonso, este último professor na Escola Comercial e Industrial de Faro.

Em 1960 sai na colecção A Palavra, de Faro, o seu primeiro conjunto de poemas, a plaquette A Noite Vertebrada, e, no ano seguinte, participa em Poesia 61, com Quarta Dimensão. Por altura da saída desta publicação, declara ao Diário de Lisboa (25 de Maio de 1961): “A moderna poesia ocidental tem raízes bastante fundas no surrealismo. [...] Parece-me que, entre nós, o surrealismo ainda terá a sua razão de ser – como total destruição de cânones bafientos, como reacção a um ambiente social rígido. Depois será talvez mais fácil, mais possível, a total reconstrução, formas e ideias novas.”

A partir dos finais de 1962, na sequência do seu divórcio de António Barahona, passa a viver quase permanentemente em Paris, onde exerce diversas profissões, entre as quais a de empregada de livraria. Publica, em 1964, 1966 e 1969, respectivamente, os livros Terra Imóvel, O Seu a Seu Tempo e Dezanove Recantos. A propósito deste último livro, fala de “uma revolta das palavras (...) apelando para um novo discurso” (A Capital, 16 de Abril de 1969). Regressa definitivamente de Paris em 1970, passando a dedicar-se com regularidade ao trabalho de tradução, quer para casas editoras, quer para companhias teatrais. Escreve os diálogos de vários filmes portugueses, ou neles colabora. Quer como tradutora, quer como autora de textos para cinema, quer ainda como adaptadora para teatro (O Fatalista de Diderot, espectáculo criado por Osório Mateus, em 1978), granjeia um enorme prestígio, pela reconhecida qualidade excepcional do seu trabalho.

Casa com Manuel João Gomes, de quem terá o seu filho único, Dinis, nascido em 1973.

Em 1973, publica uma recolha de toda a sua poesia, intitulada Os Sítios Sitiados, na qual inclui algumas secções inéditas e o poema, que tivera já uma edição autónoma, ilustrada pelo pintor Jorge Martins, O Ciclópico Acto (1972).

No início da década de 80 é produzido para a RTP (série Artes e Letras) e realizado por João Roque um filme de cerca de quinze minutos, em que Luiza Neto Jorge é entrevistada e lê o poema “Fractura”, escrito em 1980 e dedicado ao pintor José Escada, recentemente falecido.

A partir de 1984, surgem alguns poemas em revistas, nomeadamente na Colóquio/Letras, nºs. 78 (Março de 1984) e 97 (Maio-Junho de 1987), e Pravda nº 6 (1988), onde aparece, pela primeira vez, com incorrecções no 1º verso da 2ª estrofe, o poema “Minibiografia”.
Depois de mais de dez anos sem publicar nenhum livro, edita, em 1984, em circuito privado, um livro artesanal, constituído por manuscritos policopiados e intitulado 11 Poemas, com onze desenhos de Jorge Martins, de que foram tirados 100 exemplares.

A sua doença respiratória crónica agrava-se seriamente, fazendo-a depender do consumo de oxigénio durante um número cada vez maior de horas e obrigando a vários internamentos no Hospital Pulido Valente. Vem a morrer, a 23 de Fevereiro de 1989, no Hospital Curry Cabral, para onde fora transferida.

Em Maio do mesmo ano, é publicado o livro póstumo A Lume, que deixara ordenado, mas iria exigir uma difícil fixação do texto, devido às inúmeras emendas e rasuras existentes no original, trabalho realizado por Manuel João Gomes.

Em 1993 sai, em edição organizada por Fernando Cabral Martins, o volume
Poesia, onde se encontra reunida toda a sua obra poética (Assírio & Alvim).

 




 

FÁBULA

O animal entende-se:

tem cascos põe-os a render

tem pele aquece

fecha-se nos olhos para adormecer

tudo quanto lembra esquece

Dispende-se.

Permanece.



Luiza Neto Jorge
Poesia. 1960-1989
Lisboa, Assírio & Alvim, 1993

Par Rosario Duarte da Costa - Publié dans : Auteurs Lusophones... - Communauté : Caligrafias Poéticas!
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