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L'école en 1920
Oh !
Foi há tanto tempo. Estavas ali na carteira, com o tinteiro pleno de tinta
e, a caneta com o aparo na sua extremidade...
Tu gostávas tanto de molhar o aparo no tinteiro até que a tinta escorrendo
te obrigava a utilizar o mata-borrão e, tu escolhias as côres: azul, rosa,
lilás...
A tinta agarrando-se-te aos teus dedos tu cravávas as tuas impressões
digitais nas folhas brancas e, nos vestidos! Logo vinha-te à ideia de angariar
uma mentirazita para que a mãe não se zangásse contigo: a culpa era da
caneta que não era de boa marca, ou do tinteiro que tinha tinta a mais, ou....
Watterman era a tua marca de tinta preferida!
Mais tarde apareceram as esferográficas “Bic” engraçadas enquanto
novidade mas,
ficás-te sempre com o tinteiro na memória de tal maneira
que, muitas décadas depois guardás-te um tinteiro gigante de cristal em
cima da tua escrevaninha e, um outro pequenino e vazio numa borda da
estante para te acompanhar na vida...
Dissés-te-me:
Há destas coisas quase inexplicáveis que se guardam em nós, para nos
acompanharem a atravessar a história, uma história de vida...
Os meus netinhos não conhecem nem tinteiros nem tinta. Usam
esferográficas e feltros de todos os tamanhos e côres sem perderem tempo
a carregá-los. Nem precisam de mata-borrão, senão para a “caligrafia” se
a experimentam!
O tempo passa. Ele atravessa milhões de objectos que vão perdendo a sua
utilidade. É certamente por isso que tu, eu talvez, vamos guardando essas
testemunhas do nosso tempo.
Rosario Duarte da Costa
11/08/2009
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