Mercredi 12 août 2009 3 12 /08 /Août /2009 14:48



Nous avons tué le temps!
Mais, des grands secrets transitent dans nos mémoires...
Coimbra-la célèbre ville Universitaire portugaise Fête Zeca Afonso.
Parce que je l'ai connu, reçu ici à Lyon et comme lui j'avais embrassé beaucoup d'espoir,
Parce que la mémoire des temps de guerre et de tristesse ne devra pas être
oubliée...
Parce que les jeunes pourront avoir accès à nos mémoires,
Voici la page publiée par la Revue Ciência Hoje relative à cet évènement.
Rosario Duarte da Costa
11/08/2009


Parque Zeca Afonso 02
Parque Zeca Afonso Photo de Luis www.olhares.com

Parque Zeca Afonso 3

«Grândola Vila Morena», a senha do Movimento das Forças Armadas para a Revolução do 25 de Abril (1974), a mudança que José Afonso tanto desejava, inspirou-se numa breve passagem do cantor por aquela localidade alentejana, onde tinha actuado em 1964. Em 1983, com 54 anos e um longo percurso na música de intervenção e de inspiração tradicional e popular, José Afonso é reintegrado no ensino oficial e destacado para Azeitão, em Setúbal. Um ano antes tinha-lhe sido diagnosticada esclerose lateral amiotrófica, que lhe foi fatal em 1987. Morreu a 23 de Fevereiro, em Setúbal.

O cantor José Afonso deixou em Coimbra um profundo rasto de afectos, sobretudo na Alta, onde o respeito com que os moradores recordam o antigo vizinho se aproxima por vezes da veneração. Junto à casa do Beco da Carqueja, outrora habitada pelo músico, turistas de todo o mundo param alguns minutos para fazer fotos do edifício e saber quem foi o homem que ali tem o rosto estampado num painel de azulejos.

 

 

Em Setúbal, era o professor que não usava fato e gravata e que granjeou a simpatia de muitos alunos, antes de ser expulso do antigo Liceu, em 1968. Na cidade de Aveiro ainda vivem familiares mais ou menos afastados do cantor e amigos que, nos tempos que por lá passou, foram quase sua família. José Afonso viveu quase uma década numa aldeia do concelho de Santiago do Cacém, um refúgio de fim-de-semana pouco conhecido da vida do cantor.

Na aldeia de S. Francisco da Serra ainda é recordado e ela marcou um disco seu (pelo menos em fotografias) e há poucos anos a freguesia fez-lhe uma homenagem e inaugurou uma placa com o seu nome. A Agência Lusa foi ao local e refere que hoje são muitos ainda que se lembram das noites de cantoria, "até às duas ou três da manhã", com "o Fanhais e o Fausto".

 


Comentários

Lenira, em 2009-08-10 às 01:58, disse:
presa mais uma vez em 74, pela ditadura brasileira, chorei de alegria quando soube do abril dos cravos vermelhos em Portugal. Depois, ao sair da prisão e ouvir pela primeira vez Grandola, a emoção foi muito grande e, dai em diante passou, para mim, a fazer parte das músicas que compõe a grande sinfonia libertária do século XX.


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http://aeiou.visao.pt

História de uma entrevista a Zeca Afonso

Ouça aqui a voz de José Afonso, gravada durante uma entrevista que concedeu, em 1970, aos jornalistas Cáceres Monteiro e Daniel Ricardo. E leia a história da vida do cantor e a sua discografia

Daniel Ricardo
8:29 Quinta-feira, 30 de Jul de 2009
 
História de uma entrevista a Zeca Afonso
DR

GALERIA MULTIMÉDIA:


"Sou um homem comum e não quero que me transformem numa vedeta - disse-nos José Afonso em certo passo de uma entrevista, a primeira que concedia, após um longo silêncio. A simplicidade e, simultaneamente, uma clara visão do mundo em que se movimenta, definem o cantor e ressaltam das suas palavras carregadas de significado, por vezes também repassadas de ironia, mas sempre directas. Procuramos transmiti-las tal como nos foram confiadas."

Assim era apresentada, na 1.ª página do suplemento de espectáculos Cena 7, do vespertino A Capital, em 26 de Dezembro de 1970, uma entrevista a José Afonso feita por três jovens jornalistas, em início de carreira, Cáceres Monteiro, que viria a ser director da VISÃO, desde a fundação até falecer, em 2006, Daniel Ricardo, também fundador da revista e seu actual editor executivo e o repórter fotográfico Fernando Ricardo.

Mas as palavras do cantor, nascido há exactamente 80 anos, em 2 de Agosto de 1929, em Aveiro, não puderam ser transmitidas tal como ele as confiara aos entrevistadores. Retalhada pela censura, até as ligações entre os discursos indirecto e directo sofreram tratos de polé, de que resultaram algumas contradições, designadamente nas referências do cantor à influência que o convívio com operários teve na sua obra. "Os leitores hão-de pensar que não sabemos escrever", lamentou-se, na altura, Cáceres Monteiro, com uma mal disfarçada angústia. Pior do que isso fora, no entanto, a quantidade de frases e respostas inteiras cortadas pelo implacável lápis azul dos censores. Nada, todavia, a que os jornalistas não estivessem já habituados...

Ainda assim, a conversa com José Afonso, que decorreu em Setúbal, em cujo liceu dava  aulas, ocupou sete páginas do Cena 7. Primeiro, numa esplanada batida por um vento frio, depois, durante um passeio pela cidade, o cantor, que acabara de gravar, em Londres, o LP Trás Outro Amigo Também, falou de si próprio, da sua música, do negócio das cantigas, de outros cantores portugueses e estrangeiros. E de política - em dado momento, revelou, a custo, porque naquele  tempo tal revelação era perigosa, ter votado no CDE, em 1969. Contou, também, das fugas que se viu tantas vezes obrigado a fazer, levando atrás de si Rui Pato, o músico que mais vezes o acompanhou à guitarra, quando a PIDE invadia as associações de estudantes onde ambos actuavam. Mas, sobre esses temas, a Censura não deixou sair nem uma palavra.

A entrevista foi registada em três cassetes áudio, e em cima dela se gravaram, depois, outros trabalhos. Sobrou, no entanto, um extracto, recentemente descoberto por Daniel Ricardo e que pode ser escutado aqui, na visao.pt, onde publicamos, igualmente, a versão integral da entrevista, bem como uma cronologia e a discografia de José Afonso, elaboradas por aquele jornalista.

 
Palavras-chave
   Zeca Afonso   80 anos   entrevista   Cena 7   Cáceres Monteiro   Daniel Ricardo
 
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Par Rosario Duarte da Costa - Publié dans : Poésie - Communauté : Les chroniques de la meute
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