Partager l'article ! Porque há sempre suores espigando, que se ganhe ou se perca! Poème!: Há muito tempo ...
Há muito tempo já!
Foi há mais de meio século.
Ela tinha uns nove anos, ía à escola e gostava de ir. Porque ali
ela aprendia a ler, escrever, contar, desenhar e ainda, aquelas coisitas
pequenas que dão sempre muito gosto à vida!
Além disso, tinha companheiras e amigas com quem brincava e falava
naquelas conversas que se identificam às das crianças de hoje.
Ela era de todas as festas, de todas as danças, preferindo entre tudo
a declamação de poemas no palco da infância!
Um dia a professora propôs a todas as crianças um desenho que era
para apresentar a um concurso nacional que era dirigido por Lisboa.
Imediatamente ela iniciou um desenho a lápis que não era mais do
que a sua escola. Depois, passou-o a tinta da china e, o desenho lá
partiu- como todos os outros-, com esperança de serem premiados.
Assim se passavam os dias e semanas, entre afazeres e bricadeiras,
entre ilusões e realidades...
As férias estavam próximas. A angústia da separação crescia enquanto
o sol gigantesco abraçava a criançada!
A professora aparecendo mandou sentar as crianças e disse: silêncio!
Os olhares cruzaram-se espantados e, só uma ou duas mosquitas
zumbiam no ar da sala de aula. A professora de pé chamou-a e, ela
dirigiu-se ao quadro. Não,- disse a professora-, vem aqui ao meu lado!
Encarnada como uma rosa vermelha ela sentia medo sem saber de quê,
batia-lhe o coração cada vez mais depressa-como um comboio muito
rápido- a respiração sufocava!
Ora bem minhas meninas disse a professora, aqui esta a vossa colega
e amiga que é o Primeiro prémio do concurso de desenho.
Após alguns ah!, ou hum, todas as garotas começaram rir e a saltar
correndo mesmo para a abraçar.
Ela ficou contente e perplexa, sabendo que o desenho não era a sua
força maior mas também sabia do esforço que tinha feito para o
desenhar.
No fim, ela abraçou todo o grupo e, logo que pôde fugiu-como um
foguete mandado ao ar para contar aos pais o que lhe aconteceu!
Bem, bem diz o pai, é preciso continuar e, na próxima vez terás que
fazer ainda melhor!
Muito contente a mãe consolou-a, como sempre! Porque há sempre
suores espigando, que se ganhe ou se perca!
Rosario Duarte da Costa
14/07/2009
Copyright
Auteur:José Luis Mendes www.olhares.com
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