Auteurs Lusophones...

Jeudi 16 juin 2011 4 16 /06 /Juin /2011 09:56

 

  Gonçalo M. Tavares!

 

Dans sa poche il y a plusieurs facettes :

poéte, romancier, essayiste,  dramaturge.

 

Il a publié son premier livre en 2001, alors qu’il avait 31

ans à peine !

Juste âgé de quarante et un ans, l’auteur lusophone- né à

Luanda alors capitale de l’Angola, dans les années 70, est

professeur à l’Université de Lisboa. IL a écrit plusieurs

œuvres :

- Jérusalem en 2008 (existe en traduction française)

- Apprendre à prier à l’heure de la technique (2010)

                                      ( Prix José Saramago)/ Prix Lire.

 

J’ai lu un article de cet auteur portugais dans la revue:

le magasine Littéraire.

C’est bien car, c’est rare que les revues littéraires françaises

s’intéressent à de jeunes auteurs étrangers sauf, quand ils

obtenu un Prix Littéraire national ou, international.

 

Ce fut le cas de G.M.T., dont le travail l’a couronné du Prix

José Saramago. En France, il a obtenu le Prix du meilleur

roman étranger !

il avait aussi reçu le Prix Branquinho da Fonseca par le

biais de la Fondation Calouste Gulbenkian, avec le livre

- Monsieur Valery/ Senhor Valery

Par ailleurs, il a reçu le Prix Camilo Castelo Branco, avec

des contes et, aussi le Prix de la révélation de la poésie!

- Tétralogie 

Son œuvre a ouvert le chemin à des nouvelles pièces  de

théâtre, et encore, contribué à la création d’objets autres.
Pour ne pas oublier et bien comprendre !

Rosario Duarte da Costa

Copyright

16/06/2011

 

 

Gonçalo M. Tavares

Por Maria João Cantinho

 

Gonçalo M. TavaresGonçalo M. Tavares nasceu em 1970. Foi bolseiro do Ministério da Cultura – IPLB com uma bolsa de Criação Literária para o ano 2000, na área da poesia. Em Dezembro de 2001 publicou a sua primeira obra : Livro da dança, na Assírio e Alvim. Recebeu o Prémio Branquinho da Fonseca da Fundação Calouste Gulbenkian e do Jornal Expresso com a obra O Senhor Valéry (editorial Caminho, 2002) e o Prémio Revelação de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores, com Investigações. Novalis (Difel). Publicou, ainda O Homem ou é tonto ou é mulher e A Colher de Samuel Beckett e outros textos. Em 2003 surge O Senhor Henri e Um Homem: Klaus Klump, sob a chancela da editora Caminho.
Em Um Homem: Klaus Klump, o primeiro de uma série de “livros pretos”, o autor narra, de uma forma expurgada e quase abstracta, a situação de uma série de personagens num contexto germânico de guerra. Trata-se de uma obra violenta, onde os vários acontecimentos se vão entretecendo com máximas e aforismos, culminando uma reflexão desencantada sobre os princípios e leis da natureza humana e animal.
Traduzido e incluído em várias antologias estrangeiras de poesia, Gonçalo M. Tavares tem vindo a revelar-se como um dos talentos mais fecundos e sólidos, na actual literatura portuguesa.

Nota: Em colaboração com a revista OS MEUS LIVROS, Lisboa, Portugal. Leia, também, a recensão de " Um homem: Kaus Klump" na secção de LIVROS


Maria João Cantinho– Este é o primeiro de uma série de “livros pretos”. Porquê? Será uma nova fase da sua obra?

Gonçalo M.Tavares - Os livros pretos designam o início de uma espécie de seriedade desencantada que aparece já no livro “Um homem: Klaus Klump”. Como alguns dos livros anteriores passavam por um certo pendor lúdico pareceu-me relevante assinalar – também na cor – esta diferença. Julgo que entre as várias funções de um escritor estão o encantar e o desencantar. O encantar tem a ver com a construção de determinados mundos fechados, distantes da realidade, que façam com que o leitor se sinta num outro estado, sem ser incomodado, tendo a possibilidade de, no limite, ser feliz. Isto parece-me bom. Mas há o outro lado. O desencantar é uma das outras funções do escritor, e associo essa função a este romance. Desencantar significa, seguindo a própria origem da palavra, interromper a canção, deixar de cantar a canção que vinha de trás; desencantar é impor uma outra música ou impor mesmo o silêncio, que é um elemento brutal. Se instalarmos durante trinta segundos o silêncio na televisão, por exemplo, veremos o poder que tem o facto de nada acontecer durante um determinado tempo, no sítio, como a televisão, que foi feito para dar a ilusão de que os acontecimentos são intermináveis. Uma outra música ou o silêncio obrigam a uma espécie de atenção do olhar sobre o que existe e é desagradável. Estes livros pretos são o início de uma linha mais séria, não irónica, que tenta interferir, não apenas na linguagem ou na literatura, mas se possível na vida das pessoas.
Mas não é uma ruptura com o meu percurso. Cada pessoa é muitas coisas. Todas as pessoas são uma associação interminável de jogo e seriedade, humor e irritação, emoção amorosa e instinto de luta. Eu sou isto e aquilo e aquilo e ainda aquilo. É natural portanto que o que eu escrevo seja isto e aquilo e aquilo e ainda muitas outras coisas.

M.J.C. – Este livro apresenta uma visão pessimista e niilista da vida humana. Não concorda?
G. M. T. - A vida humana é extraordinariamente feliz e infeliz. Os homens são extraordinariamente bons e maus. Não sou pessimista: não vejo o Homem como uma bola orgânica má, apenas. Mas julgo que é um optimismo pouco lúcido, e até perigoso, considerar que os humanos são uma espécie de bonzinhos intermináveis. Foi o facto de os homens não estarem atentos à maldade dos outros e de si próprios que fez com que ocorressem uma série de tragédias no século em que a cultura atingiu o seu auge. Um carrasco pode citar Heraclito ou Shakespeare enquanto tortura, e isto, para quem gosta de literatura e de ideias é absolutamente terrível. Mas o que me parece importante é que a literatura, a poesia e as artes nunca esqueçam a maldade potencial de todos os homens. A função de desencantar, em que o romance “Um homem: Klaus Klump” se insere, é uma espécie de agulha que incomoda constantemente, uma espécie de chamada de atenção, como quem diz: “Não te esqueças da tua maldade, ela anda por aí, algures, não te esqueças dela, localiza-a bem para a controlares, para evitares que ela venha à superfície.” Temos de estar atentos: à maldade dos outros e também à nossa. E isto não é ser niilista nem é transformar-se num pessimista entediado com tudo, é apenas ligar a lucidez como se liga o botão da electricidade. O nosso olhar tem de estar atento, apenas isso.

M.J.C.– Há um olhar ético, um compromisso ético com o mundo? Acha que isso é importante, na literatura?
G.M.T. – Claro que sim. A vida e a literatura. Temos de estar atentos ao mundo. Mas o mundo começa em nós e vai por aí fora até perder de vista. Há crápulas individuais que são muito bonzinhos para o mundo longínquo, o que não me parece lá muito equilibrado. Como é evidente há mil e uma formas de fazer livros e não é necessário estarmos sempre a apontar a tragédia humana e a maldade no mundo. Este livro “Um homem: Klaus Klump” passa por essa atenção, mas há outros livros que não. Acho que os escritores têm a obrigação ética de estar atentos (todas as pessoas, aliás) mas também têm direito ao jogo, ao divertimento, e ao trabalho sobre a linguagem. Se estivermos sempre a olhar para a luz ficamos ceguinhos, e se estivermos sempre a olhar para o escuro, perdemo-nos. Há que alternar a inclinação do olhar, olhar sempre com a mesma intensidade para o mesmo objecto além de ser entediante, faz mal as pupilas, parece-me. O Fernando Pessoa, aliás, queixava-se de dores na cabeça e no universo, e tais dores parecem-me um excelente programa literário. Alternar o combate às dores de cabeça particulares com o combate às dores de cabeça do universo, parece-me um excelente projecto de vida. Em síntese: amar e protestar.

M.J.C. – Ao ler o seu romance sente-se como se a morte estivesse sempre à espreita e fosse uma imagem pairante e alegórica que se constitui como o núcleo do livro - sobretudo na figura do cavalo morto que se mantém na rua e se vai decompondo, ao longo do romance. Concorda?
G.M.T. – A morte continua a ser inacreditável. É uma espécie de milagre mau, milagre invertido ou milagre do avesso, que infelizmente insiste em repetir-se geração após geração. Mas é sempre uma surpresa, apesar deste elemento estatístico que nos dá a ilusão de normalidade; porém morrer não é normal, não pode ser! Quando aceitarmos que a morte pertence ao quotidiano é porque já deixámos cair do bolso da alma qualquer coisa de fundamental; uma espécie de indignação existencial, talvez. A morte vem aí, mas eu protesto, todos protestamos. Não nos indignamos por ter nascido, mas indignamo-nos por morrer. De facto, não é digno, não é honrado, dar e tirar. Sentimo-nos dentro de uma fraude. Como que enganados no negócio de existir.
Quanto à decomposição da carne dos animais julgo que ela deveria ser mais visível e explícita no meio das cidades. Em frente a grandes edifícios, de vez em quando, o Ministério da Lucidez, se tal existisse, deveria colocar um animal em decomposição e não permitir que ninguém o retirasse dali durante um tempo. Era uma espécie de sinal preto, como o que existe nos maços de cigarro: atenção, atenção, não te esqueças!
No romance “Um homem: Klaus Klump” o cavalo termina mais manso que as moscas, e isto não é uma ficção: são coisas que acontecem muito no mundo.

M.J.C. – Aimagem que, de resto, se apresenta explicitamente no livro, é a da permanente dança da vida com a morte, a eterna dialéctica, portanto…
G.M.T. – É isso. Gosto muito, aliás, de uma pequena história Zen: perguntam ao mestre Zen aquela pergunta velha: o que é a vida? E o mestre Zen responde: já acabaste de comer o arroz? Então agora lava a malga. Parece-me que é isto. Só há duas coisas a fazer no mundo: comer o arroz e depois lavar a malga. Podemos adiar a segunda parte, mas há sempre uma altura em que somos chamados ao Instituto de Lavagem (riso). É engraçado pensar que dançar não é estar parado, mas também não é mudar de sítio, é uma terceira hipótese que é uma mistura da utilidade do movimento e da inutilidade da imobilidade. É interessante que fale em dança da vida com a morte: é um par antigo, sem dúvida, um velhíssimo par de noivos. Morte e vida não estão parados, frente a frente, nem estão a andar cada um no seu caminho, de modo independente, estão, isso mesmo: a dançar. Cada vivo dança com a sua noiva respectiva, com a sua morte individual. Não a vemos e podemos até fingir que ela não existe, mas é o nosso par. É com ela – com a morte com o nosso nome - que ficaremos no fim. Há então quem acredite que depois de mortos a dança continua, agora do outro lado, e a nossa noiva aí seria a vida, uma outra vida. Mas sobre isto, claro, sabemos pouco. Nem sequer conhecemos a música, quanto mais. Aliás, nem sequer conhecemos o músico. Quem está a tocar?

M.J.C. – Apesar da morte e do apodrecimento do cavalo, da exposição constante desse animal mutilado, há a possibilidade, ainda, de olhar “as cores impressionantes” do poente, por detrás do seu cadáver. Como se a morte fosse assimilada pela vida e pela sua beleza. Dissolvida no triunfo da vida, não acha?
G.M.T. – Parece-me que uma característica deste livro é a velocidade: e a velocidade assimila tudo, a velocidade é como se fosse um grande estômago, a grande velocidade tudo se mistura e ao mesmo tempo nada parece acontecer. E no meio da velocidade dos humanos, parece-me que a natureza é a preguiça por excelência. Está lá. Fechamos os olhos, continua lá, abrimos os olhos, e lá está ela. Sempre no mesmo sítio, com o mesmo tipo de comportamentos. Digamos que não progride. Em relação à Natureza o fim da História parece que chegou há muito, e as ameaças de alguns cientistas de que o sol vai desaparecer daqui a biliões de anos ainda não assustam ninguém. Antes disso ainda há muitos fins de semana prolongados (risos). E a natureza mantém a mesma estupidez ou a mesma inteligência de sempre, e não é má nem boa. Não podemos, por exemplo, acusar o pôr do sol de nada. Não faz sentido dizer: quando estamos tristes a natureza deveria evitar ser bela! Ela continua. Neste livro há uma personagem que ameaça disparar contra a natureza, e outra que diz que provavelmente o tiro não acertará. Talvez esta segunda personagem tenha razão.

M.J.C. – A loucura é um tema recorrente neste livro, num cenário de barbárie que é o da guerra: “Klaus tinha os lábios pretos, como se falasse outra língua. Tinha perdido a pátria e com ela cada palavra antiga tinha-se tornado escandalosa. São palavras pretas. Queimavam os lábios.” Parece-lhe que esta loucura (e a mudez que a ela se associa) corresponde à incapacidade de manter a lucidez face ao horror da guerra, a uma incapacidade de comunicar que, muitas vezes, se traduz no absurdo e na brutalidade dos gestos?
G.M.T. – Não sei responder a essa pergunta. Não sei se se consegue manter a lucidez dentro de momentos limite. Acho é que a lucidez se treina, e que a lucidez pode ser quase vista como uma técnica, que se aprende, desenvolve. Não é como uma aparição ou um milagre. Uma pessoa não fica lúcida porque lhe cai um pó de lucidez na cabeça. E o que me parece é que só podemos treinar e desenvolver a lucidez em tempos tranquilos, afastados portanto da guerra ou das grandes tragédias. Porque nestas situações limite temos de agir com urgência. Agir. Todos nós temos então de agradecer não sermos obrigados a agir constantemente em situações limite. E uma forma de agradecer é aproveitarmos bem esse tempo. Treinar a musculação da lucidez é uma boa hipótese para aproveitar o tempo, parece-me.

M.J.C. – O tom expurgado e quase notarial em que o livro é escrito apresenta-nos um quadro de personagens que, na maioria dos casos, aparecem “despidos de humanidade”, mesmo no caso das personagens femininas, à excepção de Johana. Parece-lhe ser a humanidade um luxo reservado às sociedades que vivem em paz?
G.M.T. - Não, mas a expressão “despidos de humanidade” é interessante. Olhando um pouco para ela vemos que pressupõe que a humanidade é como uma camisola de lã: pode ser despida. Isto é: que a humanidade não pertence ao essencial do homem. É separável; a humanidade é uma invenção da linguagem do homem e não uma invenção dos actos do homem. Isso para já parece-me muito evidente. Os dias dos animais estão cheios de actos humanos. E os dias dos homens estão cheios de actos animalescos. Os animais são muito “humanos”. Vi há uns tempos um vídeo do artista João Onofre que me impressionou: onde um abutre passeava pelo atelier dele. O abutre pode ter uma série de comportamentos humanos. Até desconfiamos, ao ver esse vídeo, de que esse animal repelente por vezes tem interesses estéticos, parece ter até vontade de consultar álbuns de arte (risos). Portanto não sei se há assim de imediato uma grande separação entre os vários reinos da natureza. A ideia de que o Homem é mais moral do que um animal, uma planta ou uma pedra parece-me precipitada. E além do mais vinda dos próprios homens torna-se suspeita. É parte interessada. Em suma: o Homem pode pôr, perfeitamente, a alma e o chapéu no bengaleiro. E assim entrar numa sala mais livre, e aqui mais livre pode significar: mais disponível para a bondade ou então: mais disponível para a maldade.

folie 

 

 

 

 

Par Rosario Duarte da Costa - Publié dans : Auteurs Lusophones... - Communauté : Caligrafias Poéticas!
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Mardi 14 juin 2011 2 14 /06 /Juin /2011 10:19

 

Fernando Pessoa

in: www.babelio.com: Publiée le 2011-02-28 16:42:43 par Orphea

 

Fernando Pessoa

in: www.babelio.com

 

Regards de Fernando Pessoa!

 

 

En ce jour d’anniversaire du grand poète et penseur

Fernando Pessoa, je ne pouvais laisser un vide sur mes pages.

Tout d’abord, pour lui souhaiter :

« Bon Anniversaire Fernando »!

Puis, pour vous dire combien de vérités il a sorties de sa plume,

dans sa petite chambre de Lisboa et, qu’il nous a fallu

longtemps pour les découvrir.

N’oublions pas qu’il est né en 1888, il y a 123 ans !

Ce petit bonhomme fragile, habillé d’un imperméable oscillant

dans les rues de la capitale portugaise, entre sa maison et sa

place de simple employé d’une entreprise d’import-export,

qui au même temps ne cessait d’écrire sous les bruitages de ses

voisins. Pessoa et son Ophélia Queiroz- aussi employée  dans

la même entreprise que lui, celle qu’il a tant aimée, d’un amour presque platonique…

N’oublions pas non plus ses hétéronymes, comme Ricardo Reis

dont le texte est inséré à la suite, ainsi que les autres.

Et dire, qu’un des hommes qui a le plus travaillé pour nous

faire parvenir son œuvre, n’est autre que Antonio Tabuchi, cet

italien épris d’amour par la langue et la culture portugaises.

Alors, chaque jour qui naît c’est un nouvel épisode sur

Fernando Pessoa car, tout son œuvre n’est pas tout à fait dévoilée

au public !

Alors, ce petit mot pour lui dire :

Merci Fernando, nous t’aimons !

Traduit par: Rosario Duarte da Costa

Copyright

13/06/2011

 

 O governo do mundo começa em nós mesmos. Não são os

sinceros que governam o mundo, mas também não são os

insinceros. São os que fabricam em si uma sinceridade real

por meios artifíciais e automáticos; essa sinceridade constitue

a sua força, e é ela que irradia para a sinceridade menos falsa

dos outros. Saber iludir-se bem é a primeira qualidade do

estadista. Só aos poetas e aos filósofos compete a visão

prática do mundo, que só a esses é dado ter ilusões. Ver claro

é não agir.

Fernando Pessoa

In: Livro do desassossego de Bernardo Soares

pagina 202 [467]

 

Traduction

 

Le gouvernement du monde commence en nous mêmes. Ce ne

sont pas les sincères qui gouvernent le monde, mais ne sont

pas les insincères non plus. Ce sont ceux qui fabriquent en soi

une sincérité réelle par des moyens artificiels et automatiques ;

cette sincérité constitue leur force, et c’est elle qu’irradie vers la

sincérité moins fausse d’autrui. Bien savoir s’illusionner c’est

la première qualité de étatiste. La vision pratique du monde

compète seulement aux poètes et aux philosophes, car à eux

seulement est permis d’avoir des illusions. Voir clair c’est ne

pas agir.

Traduit par: Rosario Duarte da Costa

Copyright

13/06/2011

 

Mail reçu d'in ami:

 

Estive a reler a ediçâo espanhola (de 2008) da guia de Lisboa
escrita por Fernando Pessoa em inglês no ano 1925, e que só
foi publicada em 1992...  (entre os meus "materiais" sobre
Lisboa tenho também "Lisboa, llibre de bord", uma ediçâo em
catalâo, do ano 2000, da guia da cidade escrita no ano 1997
pelo escritor Cardoso Pires...).= FG.
  
 

 

 

Par Rosario Duarte da Costa - Publié dans : Auteurs Lusophones... - Communauté : Les Grands Poètes
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Lundi 13 juin 2011 1 13 /06 /Juin /2011 10:40

 

Image:www.babelio.com

 

Paulo Coelho

 

Paulo Coelho, comme j’ai déjà eu la possibilité d’exprimer ici,

est un auteur de langue portugaise (du Brésil), il entre donc,

dans le cadre de ce que l’on appelle la lusophonie.

Ce grand admirateur de Camus, a parmi ses lecteurs une

population jeune et mûre. Ce qu’il a de plus que les autres ?

C’est peut-être une certaine vision dont le monde a besoin.

C’est cet air un peu enfantin, quand il nous raconte des petites

histoires qui font un tout et, qui nous laissent émerveillés ou,

pensifs.

C’est un être communicatifqu’il a su s’exporter et faire arriver

ses livres entre vos mains. Ce qui manque à beaucoup d’auteurs portugais !

Depuis L’alchimiste et Sur le bord de la rivière Pietra, il a

sorti plusieurs ouvrages :

- Je me suis assise et j’ai pleuré

- Le Zahir

- Veronika décide de mourir

- Comme un fleuve qui coule

- La sorcière de Portobello

- Le pèlerin de Compostele

- Le démon de Mademoiselle Prym

- Onze minutes

- La solitude du vainqueur

- La cinquième montagne

- Maktub…

Et, à chaque fois, il y a des lecteurs français prêts à le lire !

Moi-même, je n’ai pas résisté à la sensation, de le promener

à mes côtés!.

Alors, en lisant les auteurs lusophones, vous êtes dans le

champ de la lusophonie. Restez à l’écoute de leur cœur et,

vous comprendrez mieux le monde !

Rosario Duarte da Costa

Copyright

12/06/2011

 

 

Paulo Coelho

Publiée le 2010-09-09 21:41:57 par Orphea

 

 

 

Traces de nos mémoires !

 

J’ai décidé par solidarité avec Carlos Fragateiro ex Directeur du Théâtre

National Dona Maria II à Lisbonne, ainsi que l’auteure de la pièce

«La fille Rebelle » Margarida Santos et, le scénographe José Manuel

Castanheira, accusés par les neveux de l’ancien Directeur de la PIDE

(Police Politique de Salazar), nommé « Silva Pais »,  qui est décédé en 1981

à l’âge de 76 ans avant d’être jugé  pour les crimes qu’il aurait commis

ou fait commettre, tel l’assassinat du Général Humberto Delgado,

de joindre ceci, à la fin de chacun de mes articles jusqu’à la fin du procès.

Pour que justice se fasse dans les Tribunaux Portugais, en faveur de

L’Histoire, du respect du peuple soumis durant quarante ans au fascisme

et, en nom de la Liberté d’expression et de la vérité !

Au Portugal, du fait des bouleversements politiques, de la situation du pays

dépendant du FMI, mails aussi d’un je m’enfoutisme général, les portugais

ne se sont pas beaucoup bougé.  Ce soir, à travers la SIC,

le fils du grand écrivain Aquilino Ribeiro, s’est montré solidaire

au nom de la liberté pour la création artistique !

Par ailleurs, la fille du Général Humberto Delgado vient de manifester

le 9/06/11, sa solidarité avec Carlos Fragateiro et ses compagnons !

Rosario Duarte da Costa

Copyright

13/06/2011

 

 

Par Rosario Duarte da Costa - Publié dans : Auteurs Lusophones... - Communauté : Les chroniques de la meute
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Mardi 7 juin 2011 2 07 /06 /Juin /2011 12:37
 

Et, pour achever les articles lourds d'aujourd'hui, je viens de

citer un jeune Auteur portugais que j'aime beaucoup, dont j'ai

déjà parlé un jour, ici sur ce blog. C'est:

 

José Luís Peixoto

 

J’aime beaucoup cette phrase de José Luís Peixoto, lorqu’il a

déclaré lors d’une entrevue à la Vanguardia espagnole en 2008:

 

 “Vivo como se fôsse morrer  amanhã!”

 

“Je vis comme si je devrais mourir demain! »

 

Cet homme devenu écrivain, est –comme je vous l’ai déjà dit,

issu du nord l’Alentejo (zone au sud de Lisboa), avec ses champs

étendus à perte de vue, la population à faible densité, et ses

parents à faibles ressources.

Mais, son intelligence et sa volonté, son amour pour les mots et

les histoires, l’ont porté loin dans l’ écriture littéraire portugaise.

Je pense que sa mère tout particulièrement a joué un grand rôle

dans sa vie. Il en parle souvent. Comme quand il dit :

 

« ma mère disait : il y a trois types d’aristocratie :

celle du lignage, l’autre de l’argent et celle de la connaissance ! »

 

Et, il en parle. De sa famille; de son enfance. De sa région;

des gens qu’il a rencontrés.

Mais aussi dee ses rêves et, de l’âme portugaise.

 

A mon âge, moi aussi j’ai un rêve. Celui de le rencontrer !

Rosario Duarte da Costa

Copyright

07/06/2011

in: Ambassade de Portugal au Brésil

José Luís Peixoto na Feira do Livro de Brasília

 

 
Article copié sur le Blog de José Luís Peixoto
Domingo, 12 de Setembro de 2010
L’écriture contre les désastres du monde

Le Monde Diplomatique, Juin 2006

 Par Marina da Silva.

 

 

José Luís Peixoto est né en 1974, avec la « révolution des œillets », à Portalegre, dans le sud

du Portugal. Encore méconnu en France – mais même José Saramago a dû attendre

l’âge de 76 ans pour jouir de la reconnaissance du prix Nobel et sortir de l’indifférence

et de l’ignorance qui pèsent sur la culture portugaise –, Peixoto est une étoile montante

en son pays. Son premier roman, Sans un Regard, paru en 2000, lui assure une renommée

immédiate, couronnée en 2001 par le prix José-Saramago de la meilleure œuvre de fiction

en portugais d’un écrivain de moins de 35 ans, puis le Pen Club et le grand prix de

l’association portugaise des auteurs pour le roman et la nouvelle. Un recueil de

poèmes, A Criança em Ruínas (« L’enfant dans les ruines »), lui valut également d’être

distingué, juste avant cetteMaison dans les ténèbres, parue en 2002 et publiée cette année

en français.

 

C’est donc avec un vrai étonnement que l’on rentre dans le monde de cet écrivain à la plume

 bohème et curieuse, aussi libre que rigoureuse. L’écriture semble ne receler aucun

secret pour lui. Il en aime toutes lesformes, toutes les inventions et expérimentations.

 

Que nous raconte ce roman, dont la quatrième de couverture annonce« un monde lugubre,

mécanique et brutal » ? Un écrivain, le narrateur, vit reclus dans une maison « plongée un mois

par an dans l’obscurité la plus totale », avec sa mère, silencieuse, immergée dans une

immense douleur dont on ne connaîtra pas la cause, avec une jeune esclave dévouée, et...

une foule de chats. En outre, le narrateur semble flirter avec la folie, vivant avec la femme

qu’il aime « à ceci près que cette femme n’existe pas ». Elle est « l’héroïne du roman qu’il est

en train d’écrire tout en luttant contre l’obscurité qui, chaque jour, gagne du terrain sur cette 

maison hors du temps... ».


Cousu de fil blanc ? Pas du tout. Cousu de fils de couleur, de teintes de gouache, de matières

à sculpter, entremêlant l’ombre et la lumière, la violence, surtout lorsqu’elle est indicible

et qu’il faut aller l’exhumer de son oubli et de sa dissimulation. Se confrontant avec la

fièvre de l’écriture, ses aspérités, qu’il va chercher jusqu’à la racine. Interrogeant

l’amour, son incarnation et sa désincarnation, le basculement entre son absence et sa

présence. Questionnant le monde et sa cruauté, l’écriture et ses frontières, là où création

et réalité s’estompent.

 

Une maison dans des ténèbres annonciatrices de désastres, mais où, contre la

barbarie et l’agonie du monde, l’écrivain demeure dans une posture éthique de

résistance et dans l’éblouissement de l’écriture.


 

O português José Luís Peixoto, um dos quatro escritores estrangeiros que participam na 27ª Feira do Livro de Brasília, autografa esta noite, no Café Com Letras, da capital federal, os seus dois trabalhos publicados no Brasil: "Nenhum olhar" e "Cemitério de Pianos".

Em declarações à imprensa, José Luís Peixoto declarou que é importante que os autores actuem na divulgação das suas obras e considerou como proveitosa a sua participação na Feira do Livro de Brasília, um dos maiores eventos literários da região Centro-Oeste do Brasil, que prossegue até o próximo dia 7.

Vencedor do prémio literário José Saramago em 2001 com o romance "Nenhum olhar", o escritor, de 33 anos, está sendo apresentado ao público de Brasília como um dos mais talentosos nomes da nova geração da literatura portuguesa.

No próximo sábado, José Luís Peixoto vai apresentar o seu último romance - "Cemitério de Pianos" - em São Paulo, numa noite de autógrafos na Casa do Saber.

 

Par Rosario Duarte da Costa - Publié dans : Auteurs Lusophones... - Communauté : Caligrafias Poéticas!
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Lundi 6 juin 2011 1 06 /06 /Juin /2011 12:08

 

 

 

 

O eterno poeta da minha juventude. Esse mesmo, do qual não cesso

de falar, no meu blogue, por respeito pelo homem, pelo amor da

sua escrita (prosa ou poesia), e, das ideias que ele veículou.

Vem-me à ideia “Sinais de Fogo”, os homens no seu cansaço, os

sinais saídos de alguns instantes de vida, o embrasamento das

coisas, a agitação da vida, enlaçes da história na movimentação

das realidades.

Encontros e desencontros, enlaces e desenlaces, hierarquias

societais, e os aspectos morais ou amorais, tudo o que entremela,

aquece, adormece ou acorda para um “réveil” da consciênçia

política!

Rosario Duarte da Costa

Copyright

05/06/2011

 

 

Grandes Livros - Episódio 11: "Sinais de Fogo ...
10 min - 26 juin 2009
Importé par rickduarte22

youtube.com
 
 
Grandes Livros - Episódio 11: "Sinais de Fogo ...
10 min - 26 juin 2009
Importé par rickduarte22

youtube.com

 

Institututo Camões.pt


 
por Jorge Fazenda Lourenço
  Jorge de Sena - San Diego, 1972
   
 
Jorge de Sena - San Diego, 1972
   

Jorge de Sena nasceu em Lisboa, a 2 de Novembro de 1919, e faleceu em Santa Barbara, na Califórnia, a 4 de Junho de 1978. É hoje considerado um dos grandes poetas de língua portuguesa e uma das figuras centrais da cultura do nosso século XX.

A sua infância de filho único é marcada pelas expectativas que o pai, comandante da marinha mercante, alimenta para ele como futuro oficial da Armada, em confronto com a educação musical que a mãe procura proporcionar-lhe. Em Setembro de 1937 ingressa na Escola Naval como primeiro cadete do “Curso do Condestável”, mas vicissitudes diversas da viagem de instrução no navio-escola Sagres ditam a sua exclusão da Marinha em Março de 1938. Parte importante destas vicissitudes tem que ver com o endurecimento das normas que regem a instrução dos cadetes, em consonância com a fascização do Estado Novo por ocasião da Guerra Civil de Espanha. A passagem pela Armada no preciso momento da luta pela liberdade em Espanha constitui uma experiência traumática da sua adolescência que será matéria de diversos poemas e ficções, como “A Grã-Canária” e, no caso da Guerra Civil, Sinais de fogo. Jorge de Sena, que começara a escrever em 1936, estreando-se em 1942 com Perseguição, acaba por se licenciar em Engenharia Civil (1944) pela Universidade do Porto, trabalhando na Junta Autónoma de Estradas de 1948 a 1959, ano em que se exila no Brasil, receando as perseguições políticas resultantes de uma falhada tentativa de golpe de estado, a 11 de Março desse ano, em que está envolvido. A mudança para o Brasil permite-lhe uma reconversão profissional que vai ao encontro da sua vocação, dedicando-se ao ensino da literatura, acabando por se doutorar em Letras na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Araraquara (São Paulo), em 1964, obtendo também o diploma de Livre-Docência, para o que teve que naturalizar-se brasileiro (1963).

Os anos de Brasil (1959-65), os primeiros vividos, como adulto, em liberdade, são talvez o seu período mais criativo: completa a sequência de poemas sobre obras de arte visual, Metamorfoses (uma das obras que mais influência teve na poesia portuguesa), escreve os experimentais Quatro sonetos a Afrodite Anadiómena, as metamorfoses de Arte de música e a novela O físico prodigioso, inicia o romance Sinais de fogo, investiga e publica sobre Luís de Camões e o Maneirismo, trabalha na edição do Livro do Desassossego, de Fernando Pessoa, retoma a escrita para o teatro, etc. A alteração da situação democrática no Brasil, com o golpe militar de 1964, faz temer um regresso ao passado, quer em termos políticos quer em termos de dificuldades económicas, mas em 1965 surge a oportunidade de se mudar para os Estados Unidos, com Mécia de Sena e os seus agora nove filhos. Em Outubro desse ano passa a integrar o corpo docente da University of Wisconsin, Madison, onde é nomeado professor catedrático efectivo (1967), transitando, em 1970, para a University of California, Santa Barbara (UCSB). Durante a sua permanência na UCSB, até ao final da vida, ocupa os cargos de director do Departamento de Espanhol e Português e do Programa (interdepartamental) de Literatura Comparada. Foi ainda membro da Hispanic Society of America, da Modern Languages Association of America e da Renaissance Society of America.

A obra de Jorge de Sena, vasta e multifacetada, compreende mais de vinte colectâneas de poesia, uma tragédia em verso, uma dezena de peças em um acto, mais de trinta contos, uma novela e um romance, e cerca de quarenta volumes dedicados à crítica e ao ensaio (com destaque para os estudos sobre Camões e Pessoa, poetas com os quais a sua poesia estabelece um importante diálogo), à história e à teoria literária e cultural (os seus trabalhos sobre o Maneirismo foram pioneiros, tal como a sua história da literatura inglesa, e a sua visão comparatista e interdisciplinar das literaturas e das culturas foi extremamente fecunda), ao teatro, ao cinema e às artes plásticas, de Portugal, do Brasil, da Espanha, da Itália, da França, da Alemanha, da Inglaterra ou dos Estados Unidos, sem esquecer as traduções de poesia (duas antologias gerais, da Antiguidade Clássica aos Modernismos do século XX, num total de 225 poetas e 985 poemas, e antologias de Kavafis e Emily Dickinson, dois poetas que deu a conhecer em Portugal), as traduções de ficção (Faulkner, Hemingway, Graham Greene, entre 18 autores), de teatro (com destaque para Eugene O’Neill) e ensaio (Chestov).

A criação poética de Jorge de Sena foi desde cedo acompanhada por uma intensa actividade intelectual e cultural, como conferencista, como crítico de teatro e de literatura, em diversos jornais e revistas, como comentador de cinema, nas “Terças-feiras Clássicas” do Jardim Universitário de Belas-Artes, no cinema Tivoli, como director de publicações, com destaque para os Cadernos de Poesia, como coordenador editorial, na revista Mundo Literário, como consultor literário, na Edição “Livros do Brasil” Lisboa ou na Editora Agir (Rio de Janeiro), tendo sido ainda co-fundador de um grupo de teatro, “Os Companheiros do Páteo das Comédias”, em 1948, e colaborador, nesse mesmo ano, de António Pedro, no programa de teatro radiofónico Romance Policial (Rádio Clube Português, Lisboa), adaptando contos de Chesterton, Hammett, Maupassant, Poe e outros.

A intervenção do intelectual nos domínios da cultura ganha novos horizontes com a actividade de docente e investigador universitário no Brasil, onde reforça também a sua acção cívica como opositor ao Estado Novo. É co-fundador da Unidade Democrática Portuguesa, de cuja direcção se demite em 1961, e integra o conselho de redacção do jornal Portugal Democrático, até 1962, participando ainda em actividades do Centro Republicano Português, de São Paulo. Uma vez nos Estados Unidos, a actividade cultural de Jorge de Sena fica restringida aos círculos académicos e da emigração (no período californiano, desempenha um importante papel no esclarecimento das comunidades portuguesas sobre o 25 de Abril de 1974), apenas compensada por uma enorme e rica correspondência com outros escritores e intelectuais portugueses e brasileiros, e pelas suas viagens de trabalho à Europa e, em 1972, a Moçambique e Angola, falando de Camões, no IV Centenário de Os Lusíadas.

É com toda esta vasta experiência, longamente marcada pelo exílio, que Jorge de Sena vai construindo a sua obra. Daí que ele sempre tenha entendido a sua poesia (o seu teatro, a sua ficção) como uma forma de dar testemunho de si mesmo e das suas circunstâncias, sem com isso menosprezar, antes pelo contrário, o trabalho de organização estética das emoções e dos sentimentos, ancorados na observação, na meditação e na rememoração de uma experiência de mundo concreta, no plano individual e colectivo. E dessa experiência fazem parte as visões de mundo que as obras de arte (literária, visual, musical) vão cristalizando, codificando, no decurso da história humana, entendida esta como uma peregrinação secular. O que, por sua vez, faz dessas obras de arte (dessas metamorfoses) objecto de uma experiência poeticamente meditada. Assim, a poesia (a obra) de Jorge de Sena, em que a ética e a estética se confundem, e em que o lirismo se mescla com um forte pendor especulativo e narrativo, deve ser lida, nas suas palavras, como uma “meditação sobre o destino humano e sobre o próprio facto de criar linguagem”.

Como possível e breve introdução a Jorge de Sena, excluindo de antemão a crítica, a história e o ensaio, bem como poemas e contos individuais, proponho aqui sete títulos, exiguamente comentados: As evidências (1955), Metamorfoses (1963), Peregrinatio ad loca infecta (1969), O Indesejado (António, rei) (1951), Os Grão-Capitães (1976), O físico prodigioso (1977) e Sinais de fogo (1979).

As evidências, um “poema em vinte e um sonetos” escrito entre Fevereiro e Abril de 1954, é a sua primeira grande sequência, forma que favorece uma espécie de pressão associativa, permitindo a configuração de um enredo de temas e motivos, aqui de natureza ético-política e teológico-divina, que, sob um fundo de erotismo, cria a ilusão narrativa de um “novo génesis”, de um presente caótico que precede um novo advento dos deuses, deuses esses que restabeleceriam o reino da humana divindade. Tema este que está na base de obras como Metamorfoses, O físico prodigioso ou a sequência Sobre esta praia… Oito meditações à beira do Pacífico (1977), que é, de algum modo, a verificação da impossibilidade desse advento.

Metamorfoses, seguidas de Quatro sonetos a Afrodite Anadiómena (o título completo da colectânea), é também uma sequência de poemas, no caso motivada pela meditação sucessiva de objectos de arte visual (pintura, escultura, arquitectura), cuja ordenação, no volume, segue um critério cronológico dos referentes, assim se encenando um percurso épico da humanidade, mediado pela arte, pautado pela reflexão sobre a condição humana, a recusa da morte pela criação estética e a possibilidade de recuperação, em termos simbólicos, daquele “tudo / o que de deuses palpita e ressuscita em nós”, do poema “Artemidoro”.

O físico prodigioso – primeiro incluído em Novas andanças do demónio (1966) – é a possibilidade alegórica dessa humana divindade. A divisão simbólica em doze capítulos (seis de ascensão e seis de queda), a ficção medieval, a ambiguidade do nome (médico, corpo), o jogo de identidades entre as personagens (cavaleiro, diabo, Senhora, donzelas, frades), as alusões a mitos clássicos (Adónis, Bacantes) e ritos tradicionais, as referências cristológicas e pagãs, os códigos do amor cortês e do amor místico, tudo se congrega numa sagração do amor e da liberdade, da vida para além da morte, da redenção da condição humana nas metamorfoses de um corpo glorioso.

Peregrinatio ad loca infecta é considerado pelo poeta como um “esparso diário” dos seus exílios americanos, mas abrange também o lugar de exílio que lhe foi a pátria portuguesa. A obra está dividida em quatro blocos espacio-temporais que correspondem às quatro estações da sua peregrinação existencial: Portugal (1950-59), Brasil (1959-65), Estados Unidos da América (1965-69) e Notas de um Regresso à Europa (1968-69). Esta espiral dos tempos e espaços da biografia dá uma visão do modo como o eu biográfico possui uma historicidade que se constrói como errância e destino, como peregrinação pelos lugares inacabados ou imperfeitos do mundo que lhe foi dado viver.

A tragédia em verso O Indesejado é, a esta distância, uma premonição dessa errância e desse destino de mundo, da perspectiva de um reexame da identidade nacional, em ruptura declarada com o mito do sebastianismo, a que se sobrepõe a situação existencial de um exilado no interior do seu próprio país, quer no plano político da História (António, prior do Crato), quer no plano das condições políticas do momento de escrita da peça (1944-45). O poeta fala a propósito de “tragédias sobrepostas”, a menor das quais não terá sido aquele momento traumático da sua passagem pela marinha de guerra.

Este episódio biográfico, transposto parcialmente para o conto “A Grã-Canária”, de Os Grão-Capitães, recorda este entrelaçar entre a existência do poeta e a história pátria. Estes “contos cruéis”, diz Jorge de Sena, “devem ser lidos como crónica amarga e violenta dessa era de decomposição do mundo ocidental e desse tempo de uma tirania que castrava Portugal”. Nesta “sequência de contos”, é uma vez mais a matéria biográfica que serve de enquadramento ao testemunho duma época. A obra estrutura-se segundo uma cronologia das acções narrativas, de 1928 a 1958, localizadas no espaço, independentemente da ordem por que foram escritos (a exemplo de Metamorfoses e Arte de música), com excepção para o conto citado.

Nesta mesma linha de “co-responsabilidade do tempo e nossa” se situa o romance Sinais de fogo, parte de um ciclo romanesco que pretendia “cobrir, através das experiências de um narrador, a vida portuguesa desde 1936 a 1959”. Nesta narrativa, centrada no Verão de 1936, a eclosão da Guerra Civil de Espanha é o acontecimento que, como observou Mécia de Sena, catalisa “o despertar do protagonista para a realidade política e social, para o amor e até para o acto da criação poética”. Este romance de formação (ou Bildungsroman), seja qual for a relação entre o Jorge protagonista e o Jorge autor, é a obra-prima de um poeta que nos dá a ver o tempo e o modo de fazer-se um poeta.

 

Par Rosario Duarte da Costa - Publié dans : Auteurs Lusophones... - Communauté : Caligrafias Poéticas!
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Mercredi 1 juin 2011 3 01 /06 /Juin /2011 10:05
Jorge de Sena

Jorge Cândido de Sena (né à Lisbonne le 2 novembre 1919 - mort à Santa Barbara, Californie, le 4 juin 1978) est un écrivain portugais.

Image: www.wikipedia.org

 

Ah! l'éternel poète dont je ne cesse de vous en parler. Sena,

celui qui est mon passé  ici présent. Celui que j'ai eu l'honneur

de rencontrer un jour sous la lumière de Lisboa. L'homme aux

quatre vérités. L'homme qui est devenu expatrié pour ne pas

rester coinçé dans la "marmelade" de Salazar. L'homme qui

repose désormais au Portugal, mais dont les mots sont de l'Art!

 

Génesis (Jorge de Sena)

De mim não falo mais :não quero nada.
De Deus não falo:não tem outro abrigo.
Não falarei também do mundo antigo,
pois nasce e morre em cada madrugada.

Nem de existir,que é a vida atraiçoada,
para sentir o tempo andar comigo;
nem de viver,que é liberdade errada,
e foge todo o Amor quando o persigo.

Por mais justiça ...-Ai quantos que eram novos
em vâo a esperaram porque nunca a viram!
E a eternidade...Ó transfusâo dos povos!

Não há verdade:O mundo não a esconde.
Tudo se vê: só se não sabe aonde.
Mortais ou imortais,todos mentiram
.

Jorge de Sena

 

Traduction

 

De moi je ne parle plus: je ne veux rien

Je ne parle pas de Dieu: il n’a pas d’autre abri.

Je ne parlerais non plus du monde ancien,

puisqu’il naît et meurt à chaque aube.

 

Ni d’exister, qu’est trahie la vie,

pour sentir le temps marcher avec moi ;

ni de vivre, qu’est la liberté erronée,

et fuit tout l’Amour quand je le poursuis.

 

Pour plus de justice…Ai ! combien qui étaient jeunes

ont attendu en vain ce qu’ils n’ont jamais vu !

Et l’éternité…Oh ! transfusion des peuples !

 

La vérité n’existe pas : Le monde ne la cache pas.

Tout est à voir : seulement on ne sait pas où.

Mortels ou immortels, ils ont tous menti !

 

Traduit par : Rosario Duarte da Costa

Copyright

31/05/2011

 

Par Rosario Duarte da Costa - Publié dans : Auteurs Lusophones... - Communauté : Caligrafias Poéticas!
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Mardi 31 mai 2011 2 31 /05 /Mai /2011 10:27

   "Lusiadas"

 

  www.google.com

 

 

João Ameal 1902/1982

Panorama de la Littérature portugais (Je l’ai acheté pour quatre sous!)

 

Ce n’est pas que j’ai un grand amour, pour l’auteur !                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                     C’est simplement qu’un jour, en me promenant sur les quais

de Seine pour voir les bouquinistes, je me suis trouvée née à

nez avec un livre intitulé «Littérature Portugaise, », daté

de 1949, dont l’auteur fut João Ameal, avec préface de Robert

Kemp, qui fut édité aux Editions du Sagittaire, dans la série

des Panoramas des Littératures Contemporaines.                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                           

Je l’ai acheté pour quatre sous.

À l’intérieur il y avait un tampon de la «Maison du Portugal »

à Paris.

Dans son introduction l’auteur fait un plaidoyer pour que les

lecteurs étrangers s’intéressent à la littérature portugaise, par

le biais des noms des auteurs et de ses oeuvres.

Rosario Duarte da Costa

Copyright

27/05/2001

 

 

Par Rosario Duarte da Costa - Publié dans : Auteurs Lusophones... - Communauté : Expatrie(e)s
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Mardi 31 mai 2011 2 31 /05 /Mai /2011 09:38

 

Le Poète portugais, Amadeu Baptista est né à Porto (nord du Portugal),

le 6 Mai 1953.

Il a plusieurs cordes à son arc, parmi elles celle de poète et traducteur.

Il fait partie de l’Association Portugaise des écrivains, et a reçu divers Prix Littéraires.

Par ailleurs collaborateur de diverses revues et journaux, tant au Portugal que par le monde, et a aussi fondé et participé à la direction

de « Babel », ainsi que de la revue Orfeu 4.

Ses œuvres sont traduites en diverses langues !

 

Poemas de Amadeu Baptista

PORTALEGRE, CASA DE JOSÉ RÉGIO

 

 

 dou três passos em direcção

à casa e fico muito perto da sagacidade.

nada do que vejo é verdadeiro.

estas escadas não existem, esta sombra,

a mulher no quadro surpreendentemente

azul, o friso com ramagens e pássaros,

a destruição do silêncio, a névoa.

tudo em volta é, apenas, mediação,

um artifício para a ilusão e o conflito,

a porta entreaberta para lado nenhum

e nenhum sítio, a morte que se aproxima,

com a penumbra branca a desenhar os lábios,

a pálpebra, a palidez. o gesto desenvolve-se, separa. aqui, ali, este homem

é uma representação, um ciclo sob o vento,

a alma arde-lhe nas têmporas, com insistência

    arde,

no rumo da razão de empédocles em que se diz

“das coisas mortais não há criação”.

mas há aves no corpo, este corpo

translúcido que sobre a cómoda entretece

um modo reflexivo e imanente, correndo

para sempre com um breve fumo fulvo

ao longe, a arrastar o abismo para a planície imensa, a arder, a arder pelo oposto

    e a envolvência,

na crua simetria da escada, a memória

onde a mudança se abre ao inaudito,

a deus, ao demónio, à casa breve e anómala.

tudo foi inevitável aqui, a mão

prendeu o fio narrativo, o verso e o reverso

do destino, o homem no caminho

entre a sala e o quarto, a ver o incêndio

    ampliar-se,

a ver a rua retroceder, com um sentido

.de brilho e possessão que não é deste mundo.

esta colcha brevíssima, o anjo sobre o leito,

a jarra nacarada sobre o contador castanho,

o veio na madeira, a pequena luz sob o tapete,

a varanda e o diminuto alpendre, a parede

de água em que desliza um possessivo veludo,

o cristo no desvão, com a cabeça

pendente sobre o peito, dão ao olhar a pura brevidade, a pura rendição, enquanto ninguém dorme. maravilhoso e fugaz é o lugar

    da sabedoria,

o homem cresce na escuridão, cresce

como uma constelação, um fio de vinagre

na boca, um certo amor perdido, enquanto

a palavra descreve, dispara um perímetro  

    longínquo

e eu cresço e diminuo, aqui, à porta desta casa,

a pedir um ponto de ruptura em tudo isto,

uma curva na estrada que volte ao corredor onde se inscreve a mancha de humidade

que explica tudo e nada é, ou foi, e pode já

    ser tudo.

mais um passo e poderei gritar, mais um passo

e poderei dizer que vim aqui por nada,

estava a esteva no exterior e entrei

para transfigurar o real, este dia de chuva

no espírito, a serrania em volta, a experiência

insaciável do auspício, a casa, a noite,

    a casa, sempre,

onde cada derrocada faz prevalecer

o contágio das vozes, a curvatura do arcos,

o telhado, a janela, os múltiplos estuários

em que os clarões se alicerçam, e os poemas,

certas construções a caminho das nuvens.

no livro vi a primeira dúvida, a rasura

crescente, em outra casa. aqui, a sós,

induzo-me a idêntica explicação, a tosse

na garganta, o doloroso carrego, o dedo

de um pronunciamento a alongar-se

sobre as espáduas, a replicar

à saudade uma luz obscura, com negros

contrastantes, como num sonho mau,

tenso, tenaz. anoitece em mim

como pode ter anoitecido na alma

deste homem, talvez o mar tenha este efeito demolidor, o mar ou a sua ausência.

percorro a casa e pronuncio silêncios estreitos, sempre encontro o coração noutro lugar,

    em chamas,

o coração que não vai por aí, o chão

de sulcos e rastros, onde o pó intratável

não retrocede nos séculos, há-de conter

esta aparição repentina, este rumor

de estações insuspeitas, queda a queda, grumo

    a grumo,

numa cidade tão improvável como um poeta,

sendo nós quem somos, filhos de retratos

insuspeitos em que nem a claridade toca,

nem a claridade consegue dessangrar.

aqui viveu o homem

que todas as ressonâncias confirmam

como um ser desolado, floresce no inverno

este constrangimento, dou um passo, outro,

sigo este percurso de volumetrias áridas

e rápidas ascensões e prometo-me não voltar,

prometo-me ficar nesta casa para sempre,

até que alguém chegue e me desperte. assim,

a têmpera e a sanguínea retomarão o nome

desta ausência, este homem flui

sobre o passado, volta comigo à pedra, à praia,

embora nestes sinais desconhecidos seja rasa

a euforia, a disforia,

cada um dos capítulos desta nave. por isso,

não me creias. já nada há para crer,

tudo é um vazio sem retorno

desde que te deixei ou este homem abandonou

a minha infância, sempre o li com a certeza

de um mistério anterior a nós, o mistério

que, muito provavelmente, nos fez reconhecer

a amplitude da dor, a vida passada

que vivemos sem que sequer o suspeitássemos,

a ave, a ave de sempre,

no meu e no teu sortilégio desabrido.

 

 TRADUCTION

 

je fais trois pas en direction

à la maison et je reste très près de la sagacité

de tout ce que je vois rien n’est réel

ces escaliers n’existent pas, cette ombre,

la femme dans le un tableau étonnamment

bleu, la frise avec des rameaux et des oiseaux,

la destruction du silence, le brouillard.

tout autour est, seulement, médiation,

un artifice pour l’illusion et le conflit,

la porte entrouverte pour aucun lieu

et aucun lieu, la mort qui s’approche,

avec la pénombre, la pâleur. le geste se développe, se sépare ici, là, cet homme

est une représentation , un cycle sous le vent,

l’âme lui brûle dans la région temporale, avec insistance

elle brûle,

dans la route de la raison d’empédocle* dans lesquelles on dit

« dans les choses mortelles il n’y a pas de création »

mais il y a des oiseaux dans le corps, ce corps

translucide qui sur la commode se lie

en mode réflexif et immanent, courant

pour toujours avec une brève fumée fauve

au loin, à traîner l’abyme vers la plaine immense, à brûler, à brûler par l’opposé

et l’enveloppement,

dans la symétrie crue de l’escalier, la mémoire

où le changement s’ouvre à l’inouï,

à dieu, au démon , à la maison brève et anormale

tout fut inévitable ici, la main

a pris le fil narratif, le vers et le revers

du destin, l’homme dans le chemin

entre le salon et la chambre, à regarder l’incendie

à s’amplier

à voir la rue rétrocéder, avec le sens

de brillance et de possession qui n’est pas de ce monde

cette couverture courte, l’ange sur son lit,

le pot à fleurs nacré sur le compteur marron

et est venu dans le bois, la petite lumière sur le tapis,

le balcon e le petit  porche, le mur

d’eau sur lequel glisse un velours possessif,

le christ dans le recoin, avec la tête

pendante sur la poitrine, offrent un regard de brièveté pure, et pure rendit ion, tandis que personne

ne dort merveilleux et fugace c’est le lieu

du savoir,

l’homme grandit dans l’obscurité, grandit

comme une constellation, un fil de vinaigre

dans la bouche, un certain amour perdu, tandis

que le mot décrit, décharge un périmètre

 distant

et je grandis et diminue, ici, à la porte de cette maison,

à demander un point de rupture  en tout cela,

une courbe dans la route qu’elle revienne au couloir où s’inscrit la tâche de l’humidité

ce qui explique que tout et rien est, ou fut, et peut déjà

être tout.

 

un pas de plus et je pourrais crier, un pas de plus

et je pourrais dire que je suis venu pour rien,

il y avait la manche de la charrue, à l’extérieur et je suis entré

pour transfigurer le réel, ce jour de pluie

à l’esprit, la chaîne des montagnes autour, l’expérience

insatiable de l’auspice, la maison, la nuit,

la maison, toujours,

où chaque éboulement fait prévaloir

la contagion des voix, la courbure des arcs,

le toit, la fenêtre, les estuaires multiples

où s’accrochent des éclats, et les poèmes,

certaines constructions à chemin vers les nuages.

dans le livre j’ai vu le premier doute, la rature

croissante, dans une autre maison ici, seul,

m’induisant une explication identique, le toux

dans la gorge, le douloureux chargement, le doigt

d’un prononce ment  qui s’allonge

sur les épaules, à répliquer

à la « saudade » une lumière obscure, avec des noirs

contrastants, comme un mauvais rêve,

tendu, tenace. la nuit tombe en moi

comme elle aurait pu tomber dans l’âme

de cet homme, peut-être que la mer ait cet effet démolisseur, la mer ou son absence.

je parcours la maison à prononcer des silences étroits, je trouve toujours le cœur en un autre lieu,

en flammes,

le cœur qui ne s’en va pas par ici, le sol

en sillons et râteaux, où la poussière intraitable

ne retourne pas aux siècles, elle devra raconter

cette apparition inopinée  , cette rumeur

des saisons in suspectées, chute à chute, grumeau

à grumeau,

dans cette ville si improbable comme un poète,

que nous soyons qui nous sommes, des fils de portraits

in suspectés dans lesquels ni la clarté les touche,

ni la clarté pourra saigner

ici a vécu l’homme

que toutes les résonances confirment

comme un être désolé, fleuri en hiver

cette contrainte, je fais un pas, un autre,

je poursuis ce parcours de volumétries arides

avec des ascensions rapides et je promets de ne pas revenir,

je me le promets de rester dans cette maison pour toujours,

jusqu’à ce que quelqu’un vienne et me réveille ainsi,

la trempe et la sanguine reprendront le nom

de cette absence, cet homme coule

comme le passé, il retourne avec moi à la pierre, à la plage,

malgré qu’en ces signes inconnus soit rase

l’euphorie, la dysphorie,

chacun des chapitres de cette nef, et pour cela,

ne me crois pas, il n’y a plus rien à croire,

tout est un vide sans retour

depuis que je t’ai quitté ou que cet homme a abandonné

mon enfance, je l’ai toujours lu avec la certitude

d’un mystère intérieur à nous, le mystère

que, très probablement, nous a fait reconnaître

l’amplitude de la douleur, la vie passée

que nous vivons sans que nous au moins les suspicions.

le salut, le salut de toujours,

dans le mien et dans ton sortilège abandonné.

 

* Empédocle,: est un philosophe du siècle de Périclès !

* saudade, mot intraduisible. Unique dans la langue portugaise !

Rosario Duarte da Costa

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30/05/2011

 Poemas de Amadeu Baptista

 

PORTALEGRE, CASA DE JOSÉ RÉGIO

 

 

 

 

 

 

 

Par Rosario Duarte da Costa - Publié dans : Auteurs Lusophones... - Communauté : Caligrafias Poéticas!
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Mercredi 25 mai 2011 3 25 /05 /Mai /2011 11:23
D’après un portrait de François Gérard.

image: wikipedia.org

 

 

 

Isto dizendo, manda os diligentes

Ministros amostrar as armaduras ;

 

Vêm arneses e peitos reluzentes,

Malhas finas e lâminas seguras,

Escudos de pinturas diferentes,

Pelouros, espingardas de aço puras,

Arcos e sagitíferas aljavas,

Partazanas agudas, chuças bravas.

Camões in : Os Lusíadas- canto Primeiro

 

Por que levasse avante seu desejo,

Ao forte filho manda o lasso velho

Que às terras se passasse de Alentejo

Com gente e co’o belígero aparelho.

Sancho, de esforço e de ânimo sobejo,

Avante passa, e faz correr vermelho

O rio de Sevilha vai regando,

Co’o sangue mauro, bárbaro e nefando.

Camões in : Os Lusíadas- canto Terceiro

 

Rosario Duarte da Costa

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24/05/2011

 

Par Rosario Duarte da Costa - Publié dans : Auteurs Lusophones... - Communauté : Expatrie(e)s
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Mercredi 25 mai 2011 3 25 /05 /Mai /2011 10:57

Eça de Queirós c. 1882.jpg

image:wikipedia.org

 

Eça de Queiroz

 

Mon "ami" Eça de Queiroz, de qui j'ai déjà pu vous en parler

sur mon blog, fut un personnage extraordinnaire et, un être

ouvert à la communication avec le monde.

Il a exerçé des fonctions diplomatiques à Paris, ville qu'il a

choyé et a reçu une grande influence de la culture française,

en particulier de Zola auteur de "J'accuse", et de Flaubert!

 

C'est un des auteurs qui me suit toujours, par la clarté de sa

pensée, et sa vision du monde.

 

 

- O senhor vive em Lisboa?

   Infelizment não.  Contou com sinceridade o que o trouxera

à Capital: a publicação de um livro de versos, a representação

de um drama, o desejo de um meio inteligente, literário e o

horror à província...

- E que tal se pensa na província? Boas ideias democráticas?

Artur riu. Qual! Estava-se tão atrasado como no tempo dos frades.

Uma coleção de pequenos burgueses, imbecis, rotineiros, caquéticos;

meia dúzia de ricaços que seduzem as raparigas e fazem eleições...

Citou exemplos de Oliveira de Azeméis, não duvidando, para lisonjear

o republicano e ter graça, fazer a caricatura da estupidez do Carneiro,

dos vícios do Rabecaz, da devoção das tias...E o pobre povo...

Eça de Queiroz

In: A Capital

Rosario Duarte da Costa

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24/05/2011

 

 

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