Auteurs Lusophones...

Mercredi 31 août 2011 3 31 /08 /Août /2011 10:11

Ce Poème extrait du "Citador", n'a d'autre objectif que celui de

rendre Hommage à un Pays- Le Mozambique-, à travers un homme écrivain et poète, qui est Mia Couto.

J'ai une pensée pour ce peuple qui (comme celui de l'Angola, de

Guinée Bissau, de Timor...), ont été victimes de la dictature

portugaise.

 

J'ai une pensée pour ce peuple, avec lequel mon mari a vécu un

morceau de temps d'une guerre qu'il n'a pas choisi et, dont les

blessures furent gravées à jamais, dans notre histoire.

 

J'ai une pensée pour Ruy Burity da Silva que je n'ai pas revu

depuis notre jeunesse mais, qui m'a initié à la connaissance de

la (les) culture(s) Mozambicaine.

 

Et j'ai aussi une pensée pour Mia Couto (que je ne connais pas personnellement mais qui, est un des auteurs d'aujourd'hui qui

permettent l'évolution de la Langue Portugaise.

 

Sachez que Mia Couto est un des candidats au Prix Camões. Je

le soutiens sans faille.

 

Je me suis permise de traduire deus poèmes de l'auteur. N'ayant

pas eu la possibilité de le joindre, je me suis lancée sans sa

permission, tout simplesment dans l'objectif de le faire comprendre

auprès de mes lecteurs et amis. Ceci, pour expliquer à Mia Couto

ainsi qu'à ses éditeurs, que je n'utilise jamais leurs oeuvres à des

fins personnelles.

J'espère que vous l'aimerez autant que moi. Bonne lectures!

Rosario Duarte da Costa

Copyright

  30/08/2011

 

 

Nocturnamente

 

nocturnamente te construo
para que sejas palavra do meu corpo

Peito que em mim respira
olhar em que me despojo
na rouquidão da tua carne
me inicio
me anuncio
e me denuncio

Sabes agora para o que venho
e por isso me desconheces

Auteur: Mia Couto

Candidat au Prix Camões)

 

TRADUCTION!

 

Nocturnement

 

nocturnement je te construis

pour que tu sois mot dans mon corps

 

Poitrine qui respire en moi

regard duquel je me déshabille

dans l’enrouement de ta chair

je m’initie

je m’annonce

et me dénonce

 

Tu sais maintenant vers quoi je viens

et pour cela tu me méconnais

Auteur : Mia Couto

Traduction : Rosario Duarte da Costa

Copyright

30/08/2011

 

youtube

  1. Conferências do Estoril 2011 - Mia Couto - YouTube

    www.youtube.com/watch?v=jACccaTogxE8 mn - 10 août 2011 - Ajouté par GeracaoCCascais
    Intervenção de Mia Couto. ... License: Standard YouTube License. 0 likes, 0 dislikes. Show more Show more. Show less Show less. Link to ...
     
  2. Os sete sapatos sujos, Mia Couto. - YouTube

    www.youtube.com/watch?v=kLX_uqa0wJM9 mn - 27 juin 2011 - Ajouté par jinhosdecristine
    Os sete sapatos sujos, Mia Couto. ... Standard YouTube License ... Poema da Despedida (Mia Couto)by blackflower73167 views ...
     
  3. "O homem da rua", de Mia Couto - YouTube

    www.youtube.com/watch?v=emFe1c1PvQk7 mn - 26 janv. 2010 - Ajouté par ClubeVirtualLeitura
    "O homem da rua", de Mia Couto ... Standard YouTube License ... Os sete sapatos sujos, Mia Couto.by jinhosdecristine99 views ...
     
Par Rosario Duarte da Costa - Publié dans : Auteurs Lusophones... - Communauté : Caligrafias Poéticas!
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Mardi 23 août 2011 2 23 /08 /Août /2011 09:41

Image: wikipedia

 

Ville de Porto!

Auteurs Portugais: Richard Zimler

 

L’Auteur Portugais Richard Zimler, sera à Paris le 15 Septembre

à 19 heures. Vous pourrez le rencontrer à la librairie Village Voice

à Saint Germain.

Il vous présentera ses oeuvres mais, il vous parlera aussi de son

Ecriture. Si vous aimez la Langue et la Culture Portugaises,

n’hésitez pas à y participer.

 

O romancista português Richard Zimler, estará na Livraria

Village Voice em Saint Germain- Paris, no dia 15 de Setembro

pelas 19 horas.

Ele apresentar-vos-á as suas obras e, abordará a sua escrita.

Caso possam, não percam esta oportunidade.

Rosario Duarte da Costa                           

Copyright

22/08/2011

 

Richard Zimler sur FAcebook! 

 
Richard Zimler Obrigado ao site Caligrafias Iberes pelas informações sobre a sessão que farei em Paris no dia 15 de Setembro, 19h00. Fico particularmente grato pela classificação de "Auteur Portugais". Embora tenha cidadania portuguesa desde 2002, o Ministerio da Cultura português trata-me como um homem invisível. http://www.caligrafias-iberes. com/article-auteurs-portugais- richard-zimler-a-paris-en-sept embre-82226157.html
www.caligrafias-iberes.com
Image: wikipedia Ville de Porto! Auteurs Portugais: Richard Zimler L’Auteur…

 

www.wikipedia.org 

Richard Zimler (Roslyn Heights, Nova Iorque, 1956) é um jornalista, escritor e professor norte-americano naturalizado português.

É formado em Religião Comparativa pela Universidade de Duke (1977) e mestre em Jornalismo pela Universidade de Stanford (1982). Depois de se formar, trabalhou durante oito anos como jornalista na zona administrativa da Baía de São Francisco. Radicou-se em Portugal em 1990, residindo desde então na cidade do Porto. É atualmente professor catedrático na Universidade do Porto, lecionando disciplinas na área do Jornalismo. Obteve a nacionalidade portuguesa em 2002.

Richard Zimler tem publicado vários romances, alguns dos quais se tornaram bestsellers em diversos países, e já ganhou prémios como o National Endowment of the Arts Fellowship in Fiction, em 1994, e o Herodotus Award para o melhor romance histórico, em 1998.

A título da obra Goa ou o Guardião da Aurora (Le Gardien de L'Aube), foi-lhe atribuído o prémio literário Alberto Benveniste 2009, destinado a romances em língua francesa que se enquadrem no programa do Centro Alberto Benveniste (Estudos Judeo-Sefarditas). Zimler recebeu o galardão no dia 26 de janeiro de 2009, na Sorbonne.

O seu primeiro livro para crianças, lançado em 2009, tem por título Dança Quando Chegares ao Fim: bons conselhos de amigos animais.

Em 2009, Zimler escreveu o guião para O Espelho Lento, uma curta-metragem baseada num dos seus contos. O filme foi rodado em julho de 2009 pela realizadora luso-sueca Solveig Nordlund. Tem como atores principais Gracinda Nave, Marta Peneda e o próprio Zimler. Em maio de 2010, Espelho Lento venceu o prémio de melhor drama no sexto festival de curtas-metragens Downtown, de Nova Iorque.

Em janeiro de 2010, o seu romance Os Anagramas de Varsóvia foi nomeado «Livro do Ano 2009» pela revista portuguesa Ler e um dos 20 melhores livros da década 2000-2009 pelo jornal diário Público.

Índice

[esconder]

[editar] Obra[1]

  • O Último Cabalista de Lisboa (Lisboa: Quetzal Editores, 1996, tradução: José Lima; São Paulo: Companhia das Letras, 1997; adaptação para o português do Brasil: Rosa Freire d'Aguiar) — romance histórico cuja ação decorre em 1506 entre os judeus forçados; as principais personagens pertencem a uma família de cristãos-novos residente em Alfama, cujo patriarca, Abraão Zarco, é iluminador e membro da célebre escola cabalística de Lisboa.
  • Trevas da Luz
  • Meia-Noite ou o Princípio do Mundo
  • Goa ou o Guardião da Aurora
  • À Procura do Sana
  • A Sétima Porta
  • Confundir a Cidade com o Mar
  • Dança Quando Chegares ao Fim
  • Os Anagramas de Varsóvia
  • Ilha Teresa

[editar] Vida privada

Assumidamente homossexual, mantém uma relação amorosa com o físico português Alexandre Quintanilha desde 1978. Richard e Alexandre, residentes no Porto desde 1990[2], casaram-se oficialmente em 2010[3], após a aprovação da lei que permite o casamento entre pessoas do mesmo sexo em Portugal, tendo sido um dos primeiros casais formados por figuras públicas a beneficiar da nova lei do casamento civil[4].

 

Referências

 
Il y a 21 heures · · ·

 

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Vendredi 22 juillet 2011 5 22 /07 /Juil /2011 12:19

Image: Instituto Camões

 

Luísa Neto Jorge-(1938- 1989)

 

En 2009, je vous avais déjà parlé de cette poétesse portugaise

appelée Luísa Neto Jorge.

Créatrice du Théatre des Lettres qu’elle a abandonné en 1962

pour raisons de vouloir vivre dans la capitale Française où, elle

resta jusqu’à 1970, elle a fait partie du Mouvement Poesia 61 au

sein duquel elle a publié A quarta Dimensão, c’est-à-dire:

La quatrième Dimension.

Mais, ce fut en 1960, avec A noite vertebrada «La nuit vertébrée»,

qu’elle s’est fait connaître.

Luísa Neto Jorge fut traductrice de Céline (avec lequel elle a reçu

lePrix du « Pen Club » avec l’œuvre Mort à crédit, de Goethe,

Sade, Genet, Verlaine, Yourcenar, Elouard, Quéneau, Aragon,

Nerval, mais aussi Lorca, Ionesco, Vian, Panizza, Valentin…

Par ailleurs, l’auteure a fait des adaptations vers le Théâtre, a

collaboré avec des cinéastes, mais aussi écrit des dialogues.

Cependant, elle a peu publié les dix ou quinze ans avant sa

mort, sachant qu’elle est partie à l’âge de cinquante ans !

 

Bibliographie :

 A Noite Vertebrada, Faro, 1960

Quarta Dimensão, Faro, 1961

Terra Imóvel, Lisboa, 1964

O Seu a Seu Tempo, Lisboa, 1966

Dezanove Recantos, Lisboa, 1969

Ciclópico Acto, Lisboa, 1972

 Os Sítios Sitiados, 1973

 

Aquilo que às vezes parece

um sinal no rosto

é a casa do mundo

é um armário poderoso

com tecidos sanguíneos guardados

e a sua tribo de portas sensíveis.

 

Cheira a teias eróticas. Arca delirante

arca sobre o cheiro a mar de amar.

 

Mar fresco. Muros romanos. Toda a música.

O corredor lembra uma corda suspensa entre

os Pirinéus, as janelas entre faces gregas.

Janelas que cheiram ao ar de fora

à núpcia do ar com a casa ardente.

 

Luzindo cheguei à porta.

Interrompo os objetos de família, atiro-lhes

a porta.

Acendo os interruptores, acendo a interrupção,

as novas paisagens têm cabeça, a luz

é uma pintura clara, mais claramente lembro:

uma porta, um armário, aquela casa.

 

Um espelho verde de face oval

é que parece uma lata de conservas dilatada

com um tubarão a revirar-se no estômago

no fígado, nos rins, nos tecidos sangúíneos.

 

É a casa do mundo:

desaparece em seguida.

A Lume, Lisboa, 1989

Poesia, Lisboa, 1993

Poemas de Luísa Neto Jorge (antologia), Lisboa, 1997

 

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Jeudi 21 juillet 2011 4 21 /07 /Juil /2011 09:55

 

Image et poèmes extraits de Sarau Literario do Rio

 

Saudades

 

É verdade. Vou relativamente pouco a Portugal. Por razões

tanto profissionais como pessoais. Não tenho explicações a

dar mas, logo de manhã –sento-me à mesa a beber o café e,

leio os jornais! Felizmente que a internet chegou, que as

relações se fazem, que a informação voa e, o carteiro hoje

até quase não tem cartas a distribuír!

No entanto, a particularidade portuguesa faz com que

estejamos sempre com saudades de qualquer coisa, quando

estamos fora do País. Como por exemplo de um pastelzito

de Belém ou, dum folhado de abóbora gila!

Porém, os meus filhos lá vão por vezes descobrir Portugal e,

eu penso sempre que me trarão qualquer guloseima das que

eu gosto.

Mas, não!

No entanto, quando lá vão, trazem-me sempre uma prendazita

de grande valor. A minha filha lá vai à procura de autores dos

quais gosto, especialmente no domínio poético. Há dois ou

três anos, ofereceu-me a “Nova Antologia Poética” de

Vinícius de Moraes. E, fiquei cheia de satisfação, como uma

criançinha recebendo uma prenda fantástica!

 

Pensei: afinal não esquecem os meus gostos.

E o livro na sua capa preta com uma fotografia literária à

esquerda -que é o lado do coração- deu-me fôlego!

Perguntei-lhe: Mas, tu conheces bem Vinicius?

Respondeu-me logo: não. Mas sei que o lês bastante!

Isto é uma alegria. Uma Festa!

E, quando me sento a lê-lo, dá-me logo vontade de o

traduzir. Mas, não posso sem autorização. Embora por

vezes, eu traduza um poema dos autores que evoco no meu blogue, com  o objectivo de sensibilisar os meus leitores francophonos ou hispânicos, à cultura lusófona!

Rosario Duarte dáa Costa

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19/07/2011

 

 

 

 

Soneto de Fidelidade

 

De tudo, ao meu amor serei atento

Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto

Que mesmo em face do meu encanto

Dele se encante mais meu pensamento.

 

Quero vivê-lo em cada vão momento

E em seu louvor hei de espalhar meu canto

E rir meu riso e derramar meu pranto

Ao seu pesar ou seu contentamento.

 

E assim, quando mais tarde me procure

Quem sabe a morte, angústia de quem vive

Quem sabe a solidão, fim de quem ama

 

Eu possa me dizer do amor (que tive):

Que não seja imortal, posto que é chama

Mas que seja infinito enquanto dure.

 

Soneto de Separação

 

De repente, do riso fez-se o pranto

Silencioso e branco como a bruma

E das bocas unidas fez-se a espuma

E das mãos espalmadas fez-se o espanto.

 

De repente da calma fez-se o vento

Que dos olhos desfez a última chama

E da paixão fez-se o pressentimento

E do momento imóvel fez-se o drama.

 

De repente, não mais que de repente

Fez-se de triste o que se fez amante

E de sozinho o que se fez contente.

 

Fez-se do amigo próximo o distante

Fez-se da vida uma aventura errante

De repente, não mais que de repente.

Minha mãe, minha mãe, eu tenho medo
Tenho medo da vida, minha mãe.
Canta a doce cantiga que cantavas
Quando eu corria doido ao teu regaço
Com medo dos fantasmas do telhado.
Nina o meu sono cheio de inquietude
Batendo de levinho no meu braço
Que estou com muito medo, minha mãe.
Repousa a luz amiga dos teus olhos
Nos meus olhos sem luz e sem repouso
Dize à dor que me espera eternamente
Para ir embora.  Expulsa a angústia imensa
Do meu ser qunão quer e que não pode
Dá-me um beijo na fonte dolorida
Que ela arde de febre, minha mãe.

Aninha-me em teu colo como outrora
Dize-me bem baixo assim: — Filho, não temas
Dorme em sossego, que tua mãe não dorme.
Dorme. Os que de há muito te esperavam
Cansados já se foram para longe.
Perto de ti está tua mãezinha
Teu irmão. que o estudo adormeceu
Tuas irmãs pisando de levinho
Para não despertar o sono teu.
Dorme, meu filho, dorme no meu peito
Sonha a felicidade. Velo eu

Minha mãe, minha mãe, eu tenho medo
Me apavora a renúncia. Dize que eu fique
Afugenta este espaço que me prende
Afugenta o infinito que me chama
Que eu estou com muito medo, minha mãe.
  

 

 

Minha mãe

 

 

Vidéos correspondant à vinicius de moraes - Signaler des vidéos

Tom Jobim+Vinicius de Moraes+Toquinho+Miúcha‏ - YouTube - youtube.com
4 mn - 7 juil. 2006 - Importé par EdgarRodrigues
Song 1: Samba pra Vinícius - This song is a congratulation to ...
Toquinho e Vinicius - Tarde Em Itapoan - youtube.com
3 mn - 12 mai 2007 - Importé par xtianux
Uma boa cancão de Vinicius & Toquinho Tarde em Itapoã ...
Vinícius de Moraes - A Felicidade - dailymotion.com
5 mn - Em Buenos Aires Con Maria Creuza y Toqui (2004)
Regarder sur : YouTube - Metacafe
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Jeudi 7 juillet 2011 4 07 /07 /Juil /2011 11:06

 

 

image:google.fr

 

 

Par Rosario Duarte da Costa - Publié dans : Auteurs Lusophones... - Communauté : Caligrafias Poéticas!
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Mercredi 6 juillet 2011 3 06 /07 /Juil /2011 15:19

 

 

 

  Image:google.fr

 

 

ECRIVAINS PORTUGAIS

 

L’article qui suit est vieux de 11 ans. Depuis cette date, beaucoup

d’autres poètes et romanciers portugais et lusophones, sont

apparus, avec des œuvres de grande qualité. Mon objectif aujourd’hui ce n’est pas de parler d’eux. C’est de vous apporter

un petit aperçu des auteurs portugais ayant pénétré la France. Ils

se sont fait connaître comme dit l’article qui suit, par la volonté

des gens à percer la langue de Camões et, à la faire connaître

auprès des lecteurs français.

La Revue «Latitudes » avait publié un article  à ce sujet en Janvier

2011. Donc, j’ai souhaité le mettre à votre disposition.

Pour ma part, dès que j’aurais le Temps, j’écrirai un article

concernant le monde de l’écriture en Langue Portugaise (plus particulièrement sur le Portugal) car, vous pourrez comprendre,

que je n’ai pas les moyens en temps suffisant, pour accomplir une

recherche approfondie, préparer un travail sérieux et cohérent,  

sur les auteurs de tous les Pays de langue portugaise.

Rosario Duarte da Costa

Copyright

28/06/20110

 

37 n° 7 - dec. 99/janv. 2000 LATITUDES

 

Nous présentons ici aux lecteurs une liste à peu près

complète des écrivains portugais contemporains (prosateurs

et poètes) traduits en langue française et dont les oeuvres sont

disponibles. Nous en avons éloigné les essayistes et les auteurs

d’études. Nous prétendons uniquement fournir aux lecteurs

un aperçu de la littérature portugaise contemporaine de fiction.

Ainsi nous avons mis de côté les auteurs classiques comme

Camões, Gil Vicente, Camilo Castelo Branco ou Eça de Queiroz,

ces derniers étant toutefois assez traduits en français actuellement.

Et pour éviter une dispersion supplémentaire, nous n’avons pas

pris en compte les autres littératures lusophones, mentionnées

ailleurs.

Nous pouvons observer que le boom de l’intérêt pour les écrivains

portugais est très récent, datant du milieu des années 1980.

Aujourd’hui plus de cinquante écrivains contemporains portugais

sont publiés en France ; une bonne trentaine de prosateurs et plus

d’une vingtaine de poètes. La plupart des oeuvres de certains

prosateurs comme Fernando Pessoa, José Saramago (prix Nobel 98),

Lobo Antunes, Miguel Torga, Lídia Jorge, José Cardoso Pires,

Agustina Bessa-Luís, Maria Judite de Carvalho, Sophia Andresen

sont éditées en France, ce qui montre qu’un public a été conquis.

Les poètes sont généralement édités par des maisons d’édition de

moindre dimension, étant suivis par un public plus choisi, excepté

Fernando Pessoa qui jouit d’un grand prestige. Il faut souligner

l’effort éditorial de L’Escampette de Bordeaux qui en peu de

temps a fait connaître au moins douze poètes portugais. Le processus

de la traduction poétique est plus complexe, mais, pour autant que

nous le sachions, il a bénéficié d’une attention tout particulière de

la part de professionnels qui animent les travaux de l’Abbaye de

Royaumont. Parmi les maisons d’édition les plus engagées dans la

publication des prosateurs se trouve La Différence, qui publie au

moins 13 auteurs, dont un certain nombre de poètes, et qui est

dirigée par Joaquim Vital. Ensuite se place un géant de l’édition

française, Gallimard, qui publie des auteurs portugais de manière

mesurée, avec huit écrivains dans son catalogue et une quantité

moyenne de titres pour chacun. Les éditions Métaillé, avec six

auteurs contemporains publiés, démontrent un réel intérêt pour

les écrivains lusophones, car les brésiliens sont aussi très bien

représentés dans cette maison. Il va s’en dire que les institutions

publiques portugaises ainsi que la Fondation C. Gulbenkian ont

joué un indispensable rôle de soutien à l’édition et à l’encadrement

d’activités complémentaires de façon à permettre le contact des

écrivains avec le public.

Un lectorat plus important a été conquis grâce au développement

qu’ont connu les études de langue et civilisation portugaises dans

les écoles et les universités françaises.

Le nombre très important de Portugais en France a donné origine

à des descendents, et croisant leurs intérêts avec ceux des Français

et des autres citoyens résidant dans l’Hexagone a développé l’aire

de la culture lusophone. Nous considérons comme totalement

dépassée la conception élitiste qui créait une division entre les

Portugais de France et l’action culturelle et littéraire.

Au contraire, tout mène à croire que les luso descendants

constitueront bientôt le public le plus motivé par cette réalité.

Si la fondation de l’Instituto Camões représente dans l’état actuel

une petite réponse aux besoins culturels de cette population

d’origine portugaise, en revanche, il effectue déjà une action

indispensable par rapport à ces activités littéraires.

Nous espérons que ces références sommaires pourront servir

aux lecteurs. Nous citons ici le rôle considérable joué par les

traducteurs que nous n’avons pas mentionné dans notre liste par

choix de simplicité.

Pour la réalisation de ce recueil de données, qui doit probablement

contenir des fautes et des oublis (toutes nos excuses!), nous avons

utilisé les catalogues de la Librairie Portugaise de Paris.

 

 

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Mercredi 6 juillet 2011 3 06 /07 /Juil /2011 11:00

Brisa ao entardecer...

A nuvem ...



Dedico este Poema de Jorge de Sena, a todos aqueles que poderão compreender o que eu digo!

 

 

“Velhos e novos, moribundos mortos

se arrastam todos para o nada nulo.

Uns cantam, outros choram, mas tão tortos

Que a mesquinhez tresanda ao mais singelo pulo.

 

Chicote? Bomba? Creolina? A liberdade?

É tarde, estão contentes de tristeza,

Sentados em seu mijo, alimentados

Dos ossos e do sangue de quem não se vende.

 

(Na tarde que anoitece o entardecer nos prende.)”

( Jorge de Sena1973)

Rosario Duarte da Costa

Copyright

05/07/2011



600

 

e tudo o vento levou ...

 

Auteure: anabatista"olhares.com"
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Lundi 4 juillet 2011 1 04 /07 /Juil /2011 10:09

Gaivotas da manhã

Auteur des Photos sur cette page: Fernando Viegas"olhares.com"

Nascer do dia

 

Jorge.

fôs-te-te...

deixando-nos abandonados às partes desiguais

no jogo da vida!

partis-te,

ficando aqui os teus rastros no cais da minha memória.

e ficas aqui, ocupando todo o meu lado

solitário da vida.

és como a onda do mar

que vai e vem

no balancé do mar.

e, eu quedo-me aqui

entre dentes e língua

com um barco sem leme

                a remar...

                           a remar!

 Rosario Duarte da Costa

Copyright

04/07/2011

 

Alcatruzes

 

 

                                                    Beijo

Um beijo em lábios é que se demora
e tremem no abrir-se a dentes línguas
tão penetrantes quanto línguas podem.
Mais beijo é mais. É boca aberta hiante
para de encher-se ao que se mova nela.
É dentes se apertando delicados.
É língua que na boca se agitando
irá de um corpo inteiro descobrir o gosto
e sobretudo o que se oculta em sombras
e nos recantos em cabelos vive.
É beijo tudo o que de lábios seja
quanto de lábios se deseja.

Jorge de Sena

 

                                                 Luz apagada

 

3 arcos

 

     Traces de nos mémoires !

( Le Blog www.caligrafias-iberes.over-blog com, fait partie de ceux

qui appuyent l’affaire de : Carlos Fragateiro, Margarida Santos et,

José Manuel Castanheira) !

 

J’ai décidé par solidarité avec Carlos Fragateiro ex Directeur du Théâtre

National Dona Maria II à Lisbonne, ainsi que l’auteure de la pièce

«La fille Rebelle » Margarida Santos et, le scénographe José Manuel

Castanheira, accusés par les neveux de l’ancien Directeur de la PIDE

(Police Politique de Salazar), nommé « Silva Pais »,  qui est décédé en 1981

à l’âge de 76 ans avant d’être jugé  pour les crimes qu’il aurait commis

ou fait commettre, tel l’assassinat du Général Humberto Delgado,

de joindre ceci, à la fin de chacun de mes articles jusqu’à la fin du procès.

Pour que justice se fasse dans les Tribunaux Portugais, en faveur de

L’Histoire, du respect du peuple soumis durant quarante ans au fascisme

et, en nom de la Liberté d’expression et de la vérité !

Au Portugal, du fait des bouleversements politiques, de la situation du pays

dépendant du FMI, mais aussi d’un je m’enfoutisme général, les portugais

ne se sont pas beaucoup bougé.  Ce soir, à travers la SIC,

le fils du grand écrivain Aquilino Ribeiro, s’est montré solidaire

au nom de la liberté pour la création artistique !

Par ailleurs, la fille du Général Humberto Delgado vient de manifester

le 9/06/11, sa solidarité avec Carlos Fragateiro et ses compagnons !

Rosario Duarte da Costa

Copyright

04/07/2011

  



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Dimanche 3 juillet 2011 7 03 /07 /Juil /2011 11:11

Image extraite de Tsunamibooks

 

“Não basta abrir a janela

Para ver os campos e o rio.

Não é bastante não ser cego

Para ver as árvores e as flores.

É preciso também não ter filosofia nenhuma.

Com filosofia não há  árvores: há ideias apenas.

Há só cada um de nós, como uma cave.

Há só uma janela fechada, e todo o mundo lá fora

É um  sonho do que se poderia ver se a janela se abrisse,

Que nunca é o que se vê quando se abre a janela.”

(Fernando Pessoa-in Obras Completas)

 Ao abrir a janela...

Auteur: Paulo Azevedo "olhares.com"

 

TRADUCTION

 

Il ne suffit pas d’ouvrir fa fenêtre

Pour regarder les champs et le fleuve.

Ce n’est pas assez ne pas être aveugle

Pour regarder les arbres et les fleurs.

Il est aussi nécessaire de ne pas avoir de philosophie.

Avec philosophie il n’y a pas d’arbres : il y a seulement des idées.

Il y a seulement en chacun de nous, comme une cave.

Il y a seulement une fenêtre fermée, et tout le monde dehors

C’est un rêve de ce que l’on pourrait voir si on ouvrait la fenêtre,

Qui jamais est ce que l’on voit quand on ouvre la fenêtre.

 ( Fernando Pessoa-in Obras Completas)

Traduit par Rosario duarte da Costa

02/07/2011

 

Fim de vida

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Dimanche 19 juin 2011 7 19 /06 /Juin /2011 10:15
 

  Os outros são o além, das fronteiras pessoais de cada um.

Les autres sont  le au-delà, des frontières personnelles de chacun!

( um ano depois da morte de Saramago)

 

Chegou o ano do falecimento da morte de Saramago.

La mort de l’écrivain un an après:

Décédé le 18 Juin 2010 à 11 heures trente, sur île élue Lanzarote,

ses cendres seront déposées aujourd’hui autour d’un olivier venu

de sa petite ville d’origine «Azinhaga », juste devant la « Casa dos bicos », c’est à dire «maison des pointes », où se trouve sa

Fondation à venir, au Jardim das Cebolas, ce qui signifie Jardin

des Oignons à Lisboa.

 

Saramago, que l’on aime ou, qu’on le déteste, n’est pas moins

celui qui a honoré la littérature et la culture portugaise et

lusophone. Celui qui a toujours osé dire les choses par leur nom.

 

"Depuis ton départ José, le monde a changé. Tu n’es pas là.

Mais, peut-être as-tu gardé un œil sur la terre. Ne ricane pas.

Je savais, que tu les avais vu venir" !

 

E, o mundo mudou, sem esquecer as mutações portuguesas.

Tudo para pior... Se Saramago o visse, já teria levantado a voz

e, escrito mais uns cadernos!

Mas, toda a gente fica de boca aberta e, não diz nada! Ou, se

alguns o dizem, pouca gente os apoia!

Acabaram-se os anos da solidariedade. Tornou-se hábito

ser-se individual. Tornou-se hábito para alguns, juntarem-se

aos outros só quando há conveniências próprias. Os outros,

são o além das fronteiras pessoais de cada um. Agora, cada

um se bate por si mesmo!

Rosario Duarte da Costa

Copyright

18/06/2011

 

www.correiodamanha.pt

 

Maravilhas Fatais

Um Nobel dos “e ses?”

Já que a realidade não proporcionou o encontro, avança a ficção:

Louis B. Mayer recebe José Saramago em Hollywood. Não importa que

o líder da MGM tenha morrido quando o Nobel era apenas um escritor adiado. Aqui estão ambos no

auge.

Mayer desconfia do homem que tem à frente. Parece-lhe arrogante e

ainda por cima é comunista. Ainda assim, pergunta-lhe de que trata

o livro que traz consigo.

Saramago diz-lhe apenas isto: a Península Ibérica separa-se da Europa

após um terramoto e fica à deriva no Atlântico. Mayer decide que é

filmável caso se aplique à Califórnia. E entusiasma-se com um segundo livro, sobre

uma epidemia global de cegueira, e outro ainda em que mais ninguém morre.

Por esta altura já o magnata de Hollywood pensaria oferecer um

contrato vitalício a Saramago, o Nobel que muitas vezes arrancava

os livros com um simples "e se?".

Por vezes a complexidade pode ser muito simples.

   

Saramago, um ano após a sua morte - SAPO Vídeos

1 min - Il y a 1 jour
Um ano depois da morte de José Saramago, ficam os livros e as homenagens, mas também música e. Um ano depois da morte de ...
videos.sapo.pt/jPhzV6K7PfLYomqhHZWU  
 

Junho, um ano depois

 

fjs

© João Francisco Vilhena

Programa

18 de Junho, 11 Horas, Campo das Cebolas

A 18 de Junho, um ano depois da sua morte, as cinzas de José Saramago serão depositadas diante da Casa dos Bicos,
frente ao rio Tejo, em Lisboa.

O Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, a Junta de Freguesia de Azinhaga e a Fundação José Saramago convidam V. Exa. para um acto que não será de despedida porque há pessoas a quem não se pode dizer adeus.

No acto intervirão o professor e cantor lírico Jorge Vaz de Carvalho, que lerá Palavras para uma Cidade, de José Saramago, e a escritora Lídia Jorge. Actuará a Orquestra de Percussão Tocá Rufar.

O Presidente da Câmara Municipal de Lisboa António Costa encerrará a cerimónia.

fjs

 

 

 

Saramago regressa a Lisboa
(El País)

*

Outras iniciativas no mês de Junho

14 de Junho, 21 Horas, Casa de America, Madrid

Vozes de Mulher na Obra de Saramago

O espectáculo conta com a participação de:
Pilar Bardem
Aitana Sánchez-Gijon
María Pagés
Pastora Vega
e Pilar del Río.

A direcção de cena está a cargo de Gema Aparicio

fjs

A 17 de Junho pelas 20 Horas, o canal público de televisão mexicano Canal 22
exibirá o espectáculo Vozes de Mulher na Obra de Saramago,
realizado a 31 de Março, no Palácio de Bellas Artes, México, DF

*

17 de Junho, 12 Horas, Câmara Municipal de Lisboa
Salão Nobre dos Paços do Concelho

Conferência de imprensa e apresentação dos livros Palavras Para José Saramago (Ed. Caminho), O Silêncio da Água, de José Saramago (Ed. Caminho) e A Última Entrevista de José Saramago, de José Rodrigues dos Santos (Gradiva) 

“Este não é um ano sem Saramago.
É um ano sem José”
(Público)

 

*

18 de Junho, das 11 às 14 Horas
A Casa José Saramago, Lanzarote

Jornada de leitura continuada de
A Viagem do Elefante

13 Horas
Actuação dos alunos da Escola de Música de Tías

 

*

18 de Junho, 21.30 Horas

Exibição do filme José e Pilar na SIC
Apresentação do DVD e exibição do filme José e Pilar na Cinemateca Portuguesa, com a presença do realizador Miguel Gonçalves Mendes e de Pilar del Río

*

19 de junho, 18.30 Horas,
Grande Auditório do Centro Cultural de Belém

A Ministra da Cultura e a Fundação José Saramago convidam V. Exa. para o espectáculo As Sete Últimas Palavras de Cristo na Cruz, com música de Joseph Haydn e textos de José Saramago.

Concepção de cena: Teresa Villaverde
Interpretação: Orquestra Sinfónica Portuguesa

Entrada livre mediante levantamento de bilhetes nos seguintes locais:
- Centro Cultural de Belém, diariamente, das 11 às 20 Horas;
- Cinema São Jorge, de Segunda a Sábado, das 13 às 19 Horas, até ao dia 18 de Junho.

fjs

*

fjs

*

Um ano sem Saramago
Texto de Pilar del Río

ZÉ SARAMAGO NO ERA UN NIÑO VAGO
JUGABA SOLO NO CON LOS DEMÁS
Y CON EL TIEMPO SE VOLVIÓ UN GRAN MAGO
QUE HACE QUE PENSEMOS MÁS

Estas palavras, cantadas no México por Sofía Álvarez, grande actriz e contista, diante de cerca de duas mil crianças, foi o momento mágico do ano. Perguntava Sofía como era Saramago e as crianças respondiam que era «um mago que nos pôs a pensar». Os miúdos, que haviam visto a curta metragem A Maior Flor do Mundo e lido O Conto da Ilha Desconhecida, estavam no grande auditório, convidados pela Feira do Livro de Guadalajara, que também realizou sessões especiais sobre o escritor português e apresentou um livro onde homens e mulheres das letras elegeram o seu Saramago preferido e explicaram as razões da sua opção. «Porque soa bendito, como o mar», disse Ángeles Mastretta, que partilhava páginas com escritores dos dois lados do oceano. Era Novembro, era México, era a Feira que Saramago tanto visitou a que o recordava com esmero. Como já tinham feito outros países.

O primeiro ano sem Saramago começou às 11.30 do dia 18 de Junho de 2010, quando os médicos Gracia Lanzas e Domingo Guzmán se olharam e ela, após um leve assentimento do companheiro, pronunciou as palavras que ninguém na casa queria ouvir: «Hora da morte, 11 e 30». Aí começou a vida sem Saramago, embora Saramago continuasse a ser o centro de todos os passos, de todas as palavras e de todos os abraços, o centro do mundo para aqueles que já nada podiam fazer, nem acrescentar uma palavra, nem mostrar o sorriso que ficou adiado, nem sentir o apertar de mãos, gesto impossível, Saramago havia morrido e essa palavra – morte – é definitiva.

Nesse dia, a essa hora, começou também uma viagem diferente para os que haviam convivido com Saramago mas, apesar do terrível peso da realidade, que esmaga e de que maneira, os que rodeavam Saramago levantaram a cabeça, deixaram que as lágrimas corressem por dentro e fizeram o que estava combinado: viver também pelo ausente, tê-lo sempre no coração, no sangue, nos livros, nas conversas e nos brindes. Não morrerá de todo quem está tão presente na memória, disseram-se mutuamente e começaram a contar o tempo.

Um ano já sem Saramago. Como é possível, perguntar-se-ão alguns, se continua a publicar livros, se está nas conversas dos analistas políticos, se os jovens saem à rua com as suas frases escritas em cartazes ou em t-shirts, se há concertos de rock onde o aplaudem ou se organizam outros de música erudita em seu nome? Que estranha ausência é essa? Mas é estranha apenas para quem não compreendera o espírito transgressor de José Saramago, homem tímido e retraído que, no entanto, era audaz nas suas abordagens vitais, literárias e intelectuais, destemido até, que nunca baixou a cabeça, que sempre seguiu o seu caminho sem se preocupar com costumes ou modas, sem medir as consequências dos seus actos desde que estes não afectassem terceiros porque o respeito pelo outro, tratando-se de Saramago, era um dado adquirido. Sim, era um transgressor de todas as normas e convenções, por isso também o seu funeral seria diferente, porque diferente foi a sua vida.

O avião que transladaria o corpo de José Saramago chegou a Lanzarote perto da meia-noite do dia 18 para sair no dia seguinte de manhã, já com a sua carga singular, o caixão e os amigos mais próximos do escritor. Para se despedirem dele, a Fundação César Manrique convidou os ilhéus a que deixassem as suas casas e o trabalho, descessem à rua e lessem em voz alta fragmentos dos livros que Saramago escreveu em Lanzarote, de modo a que a última saída da ilha fosse acompanhada pelo eco da sua voz. Depois, quando o avião aterrou em Lisboa, outra surpresa aconteceu: pessoas erguendo livros, levantando-os do chão como Saramago havia levantado a vida de tantas pessoas humildes nas suas diversas ficções e, sobretudo, na sua escolha dilecta. Após a cerimónia na Câmara Municipal, o cortejo partiu para o cemitério. Ali foi o adeus definitivo, um grupo de pessoas dentro da sala do crematório celebrou o facto de ter partilhado a intimidade de um homem grande, enquanto lá fora havia um mar de livros e de cravos vermelhos, dois símbolos que engrandecem quem homenageia e quem é homenageado.

Horas mais tarde, no avião que levava a Madrid um grupo de amigos que viajaram até Lisboa para se despedirem de Saramago, tomou-se uma decisão que foi cumprida sem falhas: seguir o ritual estabelecido em O Ano da Morte de Ricardo Reis. Se a morte, segundo Saramago nesse livro, não é definitiva até que decorram nove meses, que são os que se levam para nascer, todos os dias 18, até Março, haveria que realizar encontros de celebração em lugares vários para ler Saramago e brindar pelo homem que deu personalidade à sua época. Em Granada cantaram-se poemas, ouviu-se no meio da neve o som de instrumentos renascentistas enquanto uma voz lia o discurso do Prémio Nobel: «O homem mais sábio que conheci não sabia ler nem escrever», e por uns instantes neto e avô assomaram por entre as oliveiras. Em Madrid apresentou-se o livro Saramago nas Suas Palavras, de Fernando Gómez Aguilera, e, para fazer suas estas palavras, personalidades do mundo da cultura, da universidade, da justiça, escritores e jornalistas acudiram ao encontro. O juiz Garzón, a actriz Aitana Sánchez Gijón, o compositor Emilio Aragón, o ex-presidente do Parlamento Europeu Enrique Barón, a pintora Sofía Gandarias e Pilar Manjón, porta-voz das vítimas do atentado terrorista de 11 de Março em Madrid, sublinharam com as suas vozes o que ao longo do tempo Saramago vinha dizendo. Seguiu-se Barcelona, com Paco Ibañez cantando. E em Lisboa, a cada dia 18, pela tarde, junto à Casa dos Bicos, leu-se e agradeceu-se a fortuna de ser compatriota de Saramago. Na Feira do Livro de Frankfurt e em Turim tiveram também lugar sessões celebrando a sua memória. A Feira de Sevilha foi dedicada integralmente ao autor de A Viagem do Elefante, livro escolhido para assinalar o quinquagésimo aniversário da Fundação Santillana, numa edição especial ilustrada por Manuel Estrada, e apresentada em Madrid com todas as honras.

E no Brasil: «Quantas vezes pode um homem enterrar o pai?», perguntou-se o editor brasileiro, e não pôde continuar nem responder a si mesmo porque as lágrimas lhe roubaram a voz e apenas os aplausos das pessoas encheram o tempo. Até que começou o espectáculo «Vozes de Mulher na Obra de Saramago», mulheres conversando para suster o mundo na sua órbita, um homem dizendo que assume essas vozes, Chico Buarque de seu nome, e esse mesmo espectáculo foi representado no Teatro das Belas Artes da Cidade do México, e será oferecido a 18 de Junho por uma cadeia de televisão nacional, precisamente quando em Portugal estiver a ser exibido José e Pilar, o filme que conta os últimos anos de Saramago, a sua relação com o mundo, as ideias que o preocupavam, o trabalho como motor diário, e sempre pensar, pensar, pensar... O filme mostra o que apenas os muito íntimos sabiam do autor de Memorial do Convento, do Evangelho segundo Jesus Cristo e de Caim. E dos dois livros de textos do blog, a sua bússola pessoal: «O blog vai iluminando o caminho do autor», dizia Saramago.

Neste primeiro ano sem Saramago continuaram a publicar-se os seus livros de acordo com o calendário estabelecido quando era vivo e falava com a sua agente e com os editores mais próximos. Anuncia-se para o Outono a publicação do seu segundo livro de juventude, Clarabóia, esse que dormiu o sono dos justos quase quarenta anos sem que Saramago recebesse resposta alguma e que, quando o jovem que o escreveu era já um homem maduro e havia publicado grandes livros, a editora quis dá-lo à estampa. Saramago disse que enquanto vivesse não seria publicado embora tivesse consciência de que o livro veria a luz do dia, porque é um presente que os leitores merecem. Aparecerão também em breve as páginas que tinha escritas de um romance complexo, tão difícil como necessário: Alabardas, Alabardas, Espingardas, Espingardas, um verso de Gil Vicente, uma outra forma que Saramago encontrou de ser a ponte entre os clássicos e os leitores contemporâneos, assim o seu Camões em Que Farei com Este Livro?, ou nas contínuas referências ao Padre António Vieira, a Pessoa, Almeida Garrett ou Eça, o inventor do romance moderno. Ou Raúl Brandão, Almada Negreiros, ou os seus contemporâneos, Jorge de Sena, Rodrigues Miguéis entre outros, autores de que a Fundação deve cuidar porque também nasceu para isto.

O ano sem Saramago foi especial para a Fundação que leva o seu nome. Ainda que não tenha nascido para contemplar o seu fundador, como ele mesmo deixou escrito na sua declaração de princípios, não pôde senão dedicar o seu tempo a agradecer manifestações de pesar, responder às mais diversas solicitações, partilhar demonstrações de afecto, manter a sua agenda apesar do desconcerto da morte. Por estes dias de Junho será anunciado o vencedor do Prémio de Fotografia «Retratar um Livro», fórmula simples de recuperar livros para a leitura, aplicando-lhes técnicas vanguardistas. Nome de Guerra, de Almada Negreiros, foi o livro proposto para a primeira edição do prémio. Seguir-se-á A Escola do Paraíso, de Rodrigues Miguéis, livro que nas palavras de Saramago deveria estudar-se nas escolas em vez do seu Memorial, porque os alunos conhecer-se-ão melhor ao saber de onde vêm, de que mundo, de que arte.

A Fundação compilou textos escritos por todo o mundo por altura de 18 de Junho passado, que serão editados pela Caminho com o título Palavras para José Saramago. A leitura desses textos dá uma imagem do que foi para a cultura, e não só, a morte de Saramago. Aí se verá o respeito – à excepção do órgão oficial do Vaticano – com que meios de comunicação de diferentes tendências acolheram a notícia porque, de acordo ou não com os seus princípios políticos, sabiam que havia morrido um homem honesto, «A voz dos sem voz», titulou um jornal basco. O livro, que sairá no dia 18, é também uma forma de agradecer: devolver os textos que nasceram para jornais e revistas em forma de livro é dar-lhes uma nova vida e é dizer aos seus autores que foram lidos, entendidos e acolhidos no coração.

Ao longo deste ano multiplicaram-se os actos de homenagem, as leituras, os concertos. O programa encerrará no Grande Auditório do CCB no dia 19 pela tarde, quando, por iniciativa da ministra da Cultura, se interpretará As Sete Últimas Palavras de Cristo na Cruz, de Haydn, com sete textos de José Saramago, escritos a convite de Jordi Savall e com concepção de cena de Teresa Villaverde, em estreia absoluta em Portugal. E na noite do dia 18, a SIC exibirá o filme José e Pilar que, à mesma hora, estará a ser projectado na Cinemateca Portuguesa, com a presença do realizador. E antes, ai!, as cinzas de José Saramago serão depositadas diante do rio, junto à Casa dos Bicos, frente ao lugar que iria ser o seu escritório e que não chegou a ver terminado. Outros o verão por ele, esse é o compromisso. Haverá uma oliveira de Azinhaga, a terra natal de Saramago, uma pedra em que se lerá o epitáfio que Saramago escreveu para Baltasar no Memorial do Convento: «Mas não subiu para as estrelas se à terra pertencia» e um banco, para que as pessoas possam sentar-se, ver passar os barcos que Saramago não verá, sentir a sua presença, ler umas páginas, talvez um poema, e saber que nem tudo está perdido.

Neste ano duro e agitado, de crise económica e de manifestações de jovens em Portugal e em Espanha, em que cidadãos de países do Norte de África se sublevaram contra sátrapas ou contra a economia de mercado que provoca o pânico nas pessoas e nas famílias, sentiu-se de forma especial a ausência de Saramago. Compensada, em parte, por leituras dos seus textos, os do Blog, os de Saramago nas Suas Palavras, os de Ensaio sobre a Lucidez, sobretudo. «Que diria Saramago sobre isto?», foi uma pergunta constante, embora ninguém possa interpretar Saramago, dizer se estaria eufórico, se sentiria medo ou se a esperança andaria no seu coração. Não o sabemos, não poderemos sabê-lo nunca. A única coisa que permanece clara são os seus escritos, também a sua biblioteca e a sua casa em Lanzarote, abertas a visita pública todas as manhãs, porque esse legado é demasiado grande para que não seja partilhado.

E assim, lendo os seus livros e recordando vivências decorreu um ano de ausências íntimas e de presença pública. Aproxima-se o aniversário do português que veio ao mundo para pôr nele um pouco de harmonia. E conseguiu. Por isso nestes dias o recordamos com a força de um amor primeiro.

Texto publicado no suplemento Atual do jornal Expresso de 04 de Junho de 2011

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ramago (1 ano depois da morte) »
Par Rosario Duarte da Costa - Publié dans : Auteurs Lusophones... - Communauté : Caligrafias Poéticas!
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