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10 août 2011 - Ajouté par GeracaoCCascais Intervenção de Mia Couto. ...
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27 juin 2011 - Ajouté par jinhosdecristine Os sete sapatos sujos, Mia Couto.
... Standard YouTube License ... Poema da Despedida (Mia Couto)by blackflower73167 views
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26 janv. 2010 - Ajouté par ClubeVirtualLeitura "O homem da rua", de Mia Couto... Standard YouTube License ... Os sete sapatos sujos, Mia Couto.by jinhosdecristine99 views
...
Richard Zimler tem publicado vários romances, alguns dos quais se tornaram bestsellers em diversos países, e já ganhou prémios como o
National Endowment of the Arts Fellowship in Fiction, em 1994, e o Herodotus
Award para o melhor romance histórico, em 1998.
A título da obra Goa ou o Guardião da Aurora (Le Gardien de L'Aube), foi-lhe atribuído o prémio literário Alberto Benveniste 2009,
destinado a romances em língua francesa que se enquadrem no programa do Centro Alberto Benveniste (Estudos Judeo-Sefarditas). Zimler recebeu o galardão no dia 26 de janeiro de 2009, na Sorbonne.
O seu primeiro livro para crianças, lançado em 2009, tem por título Dança Quando Chegares ao Fim: bons conselhos de amigos animais.
Em 2009, Zimler escreveu o guião para O Espelho Lento, uma curta-metragem baseada num dos seus contos. O filme foi rodado em julho de 2009
pela realizadora luso-sueca Solveig Nordlund. Tem como atores principais
Gracinda Nave, Marta Peneda e o próprio Zimler. Em maio de 2010, Espelho Lento venceu o prémio de melhor drama no
sexto festival de curtas-metragens Downtown, de Nova Iorque.
Em janeiro de 2010, o seu romance Os Anagramas de Varsóvia foi nomeado «Livro do Ano 2009» pela revista portuguesa Ler e um dos 20
melhores livros da década 2000-2009 pelo jornal diário Público.
O Último Cabalista de Lisboa (Lisboa: Quetzal Editores, 1996, tradução: José Lima; São Paulo: Companhia das Letras, 1997; adaptação para
o português do Brasil: Rosa Freire d'Aguiar) — romance histórico cuja ação decorre em 1506 entre os judeus forçados; as principais personagens pertencem a uma família de cristãos-novos
residente em Alfama, cujo patriarca, Abraão Zarco, é iluminador e membro da célebre escola
cabalística de Lisboa.
Assumidamente homossexual, mantém uma relação amorosa com o físicoportuguêsAlexandre Quintanilha desde 1978. Richard e Alexandre, residentes no Porto desde 1990[2], casaram-se oficialmente em 2010[3], após a aprovação da lei que permite o casamento entre pessoas do mesmo sexo em
Portugal, tendo sido um dos primeiros casais formados por figuras públicas a beneficiar da nova lei do casamento civil[4].
Image et poèmes extraits de Sarau Literario do
Rio
Saudades
É verdade. Vou relativamente pouco a Portugal.
Por razões
tanto profissionais como pessoais. Não tenho
explicações a
dar mas, logo de manhã –sento-me à mesa a beber o
café e,
leio os jornais! Felizmente que a internet
chegou, que as
relações se fazem, que a informação voa e, o
carteiro hoje
até quase não tem cartas a
distribuír!
No entanto, a particularidade portuguesa faz com
que
estejamos sempre com saudades de qualquer coisa,
quando
estamos fora do País. Como por exemplo de um
pastelzito
de Belém ou, dum folhado de abóbora
gila!
Porém, os meus filhos lá vão por vezes descobrir
Portugal e,
eu pensosempre que me trarão qualquer guloseima das
que
eu gosto.
Mas, não!
No entanto, quando lá vão, trazem-me sempre uma
prendazita
de grande valor. A minha filha lá vai à procura
de autores dos
quais gosto, especialmente no domínio poético. Há
dois ou
três anos, ofereceu-me a “Nova Antologia Poética”
de
Vinícius de
Moraes. E, fiquei cheia de satisfação, como
uma
criançinha recebendo uma prenda
fantástica!
Pensei: afinal não esquecem os meus
gostos.
E o livro na sua capa preta com uma fotografia
literária à
esquerda -que é o lado do coração- deu-me
fôlego!
Perguntei-lhe: Mas, tu conheces bem
Vinicius?
Respondeu-me logo: não. Mas sei que o lês
bastante!
Isto é uma alegria. Uma
Festa!
E, quando me sento a lê-lo, dá-me logo vontade de
o
traduzir. Mas, não posso sem autorização. Embora
por
vezes, eu traduza um poema dos autores que evoco
no meu blogue, com o objectivo de sensibilisar os meus leitores francophonos ou hispânicos, à cultura lusófona!
Rosario Duarte dáa Costa
Copyright
19/07/2011
Soneto de Fidelidade
De tudo, ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do meu encanto
Dele se encante mais meu pensamento.
Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.
E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama
Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.
Soneto de Separação
De repente, do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.
De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama.
De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente.
Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.
Minha mãe, minha mãe, eu tenho medo
Tenho medo da vida, minha mãe.
Canta a doce cantiga que cantavas
Quando eu corria doido ao teu regaço
Com medo dos fantasmas do telhado.
Nina o meu sono cheio de inquietude
Batendo de levinho no meu braço
Que estou com muito medo, minha mãe.
Repousa a luz amiga dos teus olhos
Nos meus olhos sem luz e sem repouso
Dize à dor que me espera eternamente
Para ir embora. Expulsa a angústia imensa
Do meu ser qunão quer e que não pode
Dá-me um beijo na fonte dolorida
Que ela arde de febre, minha mãe.
Aninha-me em teu colo como outrora
Dize-me bem baixo assim: — Filho, não temas
Dorme em sossego, que tua mãe não dorme.
Dorme. Os que de há muito te esperavam
Cansados já se foram para longe.
Perto de ti está tua mãezinha
Teu irmão. que o estudo adormeceu
Tuas irmãs pisando de levinho
Para não despertar o sono teu.
Dorme, meu filho, dorme no meu peito
Sonha a felicidade. Velo eu
Minha mãe, minha mãe, eu tenho medo
Me apavora a renúncia. Dize que eu fique
Afugenta este espaço que me prende
Afugenta o infinito que me chama
Que eu estou com muito medo, minha mãe.
Auteur des Photos sur cette page:Fernando
Viegas"olhares.com"
Jorge.
fôs-te-te...
deixando-nos abandonados às partes desiguais
no jogo da vida!
partis-te,
ficando aqui os teus rastros no cais da minha memória.
e ficasaqui, ocupando todo o meu lado
solitário da vida.
és como a onda do mar
que vai e vem
no balancé do mar.
e, eu quedo-me aqui
entre dentes e língua
com um barco sem leme
a remar...
a
remar!
Rosario Duarte da
Costa
Copyright
04/07/2011
Beijo
Um beijo em
lábios é que se demora
e tremem no abrir-se a dentes línguas
tão penetrantes quanto línguas podem.
Mais beijo é mais. É boca aberta hiante
para de encher-se ao que se mova nela.
É dentes se apertando delicados.
É língua que na boca se agitando
irá de um corpo inteiro descobrir o gosto
e sobretudo o que se oculta em sombras
e nos recantos em cabelos vive.
É beijo tudo o que de lábios seja
quanto de lábios se deseja.
1 min - Il y a 1 jour Um ano depois da morte de
José Saramago, ficam os livros e as homenagens, mas também música e. Um ano depois da morte de ... videos.sapo.pt/jPhzV6K7PfLYomqhHZWU
A 18 de Junho, um ano depois da sua morte, as cinzas de José Saramago serão depositadas diante da Casa dos Bicos,
frente ao rio Tejo, em Lisboa.
O Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, a Junta de Freguesia de Azinhaga e a Fundação José Saramago convidam V. Exa. para um acto que não será de despedida porque há pessoas a
quem não se pode dizer adeus.
No acto intervirão o professor e cantor lírico Jorge Vaz de Carvalho, que lerá Palavras para uma Cidade, de José Saramago, e a escritora Lídia Jorge. Actuará a Orquestra de
Percussão Tocá Rufar.
O Presidente da Câmara Municipal de Lisboa António Costa encerrará a cerimónia.
O espectáculo conta com a participação de:
Pilar Bardem
Aitana Sánchez-Gijon
María Pagés
Pastora Vega
e Pilar del Río.
A direcção de cena está a cargo de Gema Aparicio
A 17 de Junho pelas 20 Horas, o canal público de televisão mexicano Canal 22
exibirá o espectáculo Vozes de Mulher na Obra de Saramago,
realizado a 31 de Março, no Palácio de Bellas Artes, México, DF
*
17 de Junho, 12 Horas, Câmara Municipal de Lisboa
Salão Nobre dos Paços do Concelho
Conferência de imprensa e apresentação dos livros Palavras Para José Saramago (Ed. Caminho), O Silêncio da Água, de José Saramago (Ed. Caminho) e A Última
Entrevista de José Saramago, de José Rodrigues dos Santos (Gradiva)
18 de Junho, das 11 às 14 Horas A Casa José Saramago, Lanzarote
Jornada de leitura continuada de A Viagem do Elefante
13 Horas
Actuação dos alunos da Escola de Música de Tías
*
18 de Junho, 21.30 Horas
Exibição do filme José e Pilar na SIC
Apresentação do DVD e exibição do filme José e Pilar na Cinemateca Portuguesa, com a presença do realizador Miguel Gonçalves Mendes e de Pilar del Río
*
19 de junho, 18.30 Horas, Grande Auditório do Centro Cultural de Belém
A Ministra da Cultura e a Fundação José Saramago convidam V. Exa. para o espectáculo As Sete Últimas Palavras de Cristo na Cruz, com música de Joseph Haydn e textos de José
Saramago.
Concepção de cena: Teresa Villaverde
Interpretação: Orquestra Sinfónica Portuguesa
Entrada livre mediante levantamento de bilhetes nos seguintes locais:
- Centro Cultural de Belém, diariamente, das 11 às 20 Horas;
- Cinema São Jorge, de Segunda a Sábado, das 13 às 19 Horas, até ao dia 18 de Junho.
ZÉ SARAMAGO NO ERA UN NIÑO VAGO
JUGABA SOLO NO CON LOS DEMÁS
Y CON EL TIEMPO SE VOLVIÓ UN GRAN MAGO
QUE HACE QUE PENSEMOS MÁS
Estas palavras, cantadas no México por Sofía Álvarez, grande actriz e contista, diante de cerca de duas mil crianças, foi o momento mágico do ano. Perguntava Sofía como era Saramago e
as crianças respondiam que era «um mago que nos pôs a pensar». Os miúdos, que haviam visto a curta metragem A Maior Flor do Mundo e lido O Conto da Ilha
Desconhecida, estavam no grande auditório, convidados pela Feira do Livro de Guadalajara, que também realizou sessões especiais sobre o escritor português e apresentou um livro
onde homens e mulheres das letras elegeram o seu Saramago preferido e explicaram as razões da sua opção. «Porque soa bendito, como o mar», disse Ángeles Mastretta, que partilhava
páginas com escritores dos dois lados do oceano. Era Novembro, era México, era a Feira que Saramago tanto visitou a que o recordava com esmero. Como já tinham feito outros países.
O primeiro ano sem Saramago começou às 11.30 do dia 18 de Junho de 2010, quando os médicos Gracia Lanzas e Domingo Guzmán se olharam e ela, após um leve assentimento do companheiro,
pronunciou as palavras que ninguém na casa queria ouvir: «Hora da morte, 11 e 30». Aí começou a vida sem Saramago, embora Saramago continuasse a ser o centro de todos os passos, de
todas as palavras e de todos os abraços, o centro do mundo para aqueles que já nada podiam fazer, nem acrescentar uma palavra, nem mostrar o sorriso que ficou adiado, nem sentir o
apertar de mãos, gesto impossível, Saramago havia morrido e essa palavra – morte – é definitiva.
Nesse dia, a essa hora, começou também uma viagem diferente para os que haviam convivido com Saramago mas, apesar do terrível peso da realidade, que esmaga e de que maneira, os que
rodeavam Saramago levantaram a cabeça, deixaram que as lágrimas corressem por dentro e fizeram o que estava combinado: viver também pelo ausente, tê-lo sempre no coração, no sangue,
nos livros, nas conversas e nos brindes. Não morrerá de todo quem está tão presente na memória, disseram-se mutuamente e começaram a contar o tempo.
Um ano já sem Saramago. Como é possível, perguntar-se-ão alguns, se continua a publicar livros, se está nas conversas dos analistas políticos, se os jovens saem à rua com as suas
frases escritas em cartazes ou em t-shirts, se há concertos de rock onde o aplaudem ou se organizam outros de música erudita em seu nome? Que estranha ausência é essa? Mas é estranha
apenas para quem não compreendera o espírito transgressor de José Saramago, homem tímido e retraído que, no entanto, era audaz nas suas abordagens vitais, literárias e intelectuais,
destemido até, que nunca baixou a cabeça, que sempre seguiu o seu caminho sem se preocupar com costumes ou modas, sem medir as consequências dos seus actos desde que estes não
afectassem terceiros porque o respeito pelo outro, tratando-se de Saramago, era um dado adquirido. Sim, era um transgressor de todas as normas e convenções, por isso também o seu
funeral seria diferente, porque diferente foi a sua vida.
O avião que transladaria o corpo de José Saramago chegou a Lanzarote perto da meia-noite do dia 18 para sair no dia seguinte de manhã, já com a sua carga singular, o caixão e os
amigos mais próximos do escritor. Para se despedirem dele, a Fundação César Manrique convidou os ilhéus a que deixassem as suas casas e o trabalho, descessem à rua e lessem em voz
alta fragmentos dos livros que Saramago escreveu em Lanzarote, de modo a que a última saída da ilha fosse acompanhada pelo eco da sua voz. Depois, quando o avião aterrou em Lisboa,
outra surpresa aconteceu: pessoas erguendo livros, levantando-os do chão como Saramago havia levantado a vida de tantas pessoas humildes nas suas diversas ficções e, sobretudo, na sua
escolha dilecta. Após a cerimónia na Câmara Municipal, o cortejo partiu para o cemitério. Ali foi o adeus definitivo, um grupo de pessoas dentro da sala do crematório celebrou o facto
de ter partilhado a intimidade de um homem grande, enquanto lá fora havia um mar de livros e de cravos vermelhos, dois símbolos que engrandecem quem homenageia e quem é homenageado.
Horas mais tarde, no avião que levava a Madrid um grupo de amigos que viajaram até Lisboa para se despedirem de Saramago, tomou-se uma decisão que foi cumprida sem falhas: seguir o
ritual estabelecido em O Ano da Morte de Ricardo Reis. Se a morte, segundo Saramago nesse livro, não é definitiva até que decorram nove meses, que são os que se levam para
nascer, todos os dias 18, até Março, haveria que realizar encontros de celebração em lugares vários para ler Saramago e brindar pelo homem que deu personalidade à sua época. Em
Granada cantaram-se poemas, ouviu-se no meio da neve o som de instrumentos renascentistas enquanto uma voz lia o discurso do Prémio Nobel: «O homem mais sábio que conheci não sabia
ler nem escrever», e por uns instantes neto e avô assomaram por entre as oliveiras. Em Madrid apresentou-se o livro Saramago nas Suas Palavras, de Fernando Gómez Aguilera, e,
para fazer suas estas palavras, personalidades do mundo da cultura, da universidade, da justiça, escritores e jornalistas acudiram ao encontro. O juiz Garzón, a actriz Aitana Sánchez
Gijón, o compositor Emilio Aragón, o ex-presidente do Parlamento Europeu Enrique Barón, a pintora Sofía Gandarias e Pilar Manjón, porta-voz das vítimas do atentado terrorista de 11 de
Março em Madrid, sublinharam com as suas vozes o que ao longo do tempo Saramago vinha dizendo. Seguiu-se Barcelona, com Paco Ibañez cantando. E em Lisboa, a cada dia 18, pela tarde,
junto à Casa dos Bicos, leu-se e agradeceu-se a fortuna de ser compatriota de Saramago. Na Feira do Livro de Frankfurt e em Turim tiveram também lugar sessões celebrando a sua
memória. A Feira de Sevilha foi dedicada integralmente ao autor de A Viagem do Elefante, livro escolhido para assinalar o quinquagésimo aniversário da Fundação Santillana,
numa edição especial ilustrada por Manuel Estrada, e apresentada em Madrid com todas as honras.
E no Brasil: «Quantas vezes pode um homem enterrar o pai?», perguntou-se o editor brasileiro, e não pôde continuar nem responder a si mesmo porque as lágrimas lhe roubaram a voz e
apenas os aplausos das pessoas encheram o tempo. Até que começou o espectáculo «Vozes de Mulher na Obra de Saramago», mulheres conversando para suster o mundo na sua órbita, um homem
dizendo que assume essas vozes, Chico Buarque de seu nome, e esse mesmo espectáculo foi representado no Teatro das Belas Artes da Cidade do México, e será oferecido a 18 de Junho por
uma cadeia de televisão nacional, precisamente quando em Portugal estiver a ser exibido José e Pilar, o filme que conta os últimos anos de Saramago, a sua relação com o
mundo, as ideias que o preocupavam, o trabalho como motor diário, e sempre pensar, pensar, pensar... O filme mostra o que apenas os muito íntimos sabiam do autor de Memorial do
Convento, do Evangelho segundo Jesus Cristo e de Caim. E dos dois livros de textos do blog, a sua bússola pessoal: «O blog vai iluminando o caminho do autor»,
dizia Saramago.
Neste primeiro ano sem Saramago continuaram a publicar-se os seus livros de acordo com o calendário estabelecido quando era vivo e falava com a sua agente e com os editores mais
próximos. Anuncia-se para o Outono a publicação do seu segundo livro de juventude, Clarabóia, esse que dormiu o sono dos justos quase quarenta anos sem que Saramago recebesse
resposta alguma e que, quando o jovem que o escreveu era já um homem maduro e havia publicado grandes livros, a editora quis dá-lo à estampa. Saramago disse que enquanto vivesse não
seria publicado embora tivesse consciência de que o livro veria a luz do dia, porque é um presente que os leitores merecem. Aparecerão também em breve as páginas que tinha escritas de
um romance complexo, tão difícil como necessário: Alabardas, Alabardas, Espingardas, Espingardas, um verso de Gil Vicente, uma outra forma que Saramago encontrou de ser a
ponte entre os clássicos e os leitores contemporâneos, assim o seu Camões em Que Farei com Este Livro?, ou nas contínuas referências ao Padre António Vieira, a Pessoa,
Almeida Garrett ou Eça, o inventor do romance moderno. Ou Raúl Brandão, Almada Negreiros, ou os seus contemporâneos, Jorge de Sena, Rodrigues Miguéis entre outros, autores de que a
Fundação deve cuidar porque também nasceu para isto.
O ano sem Saramago foi especial para a Fundação que leva o seu nome. Ainda que não tenha nascido para contemplar o seu fundador, como ele mesmo deixou escrito na sua declaração de
princípios, não pôde senão dedicar o seu tempo a agradecer manifestações de pesar, responder às mais diversas solicitações, partilhar demonstrações de afecto, manter a sua agenda
apesar do desconcerto da morte. Por estes dias de Junho será anunciado o vencedor do Prémio de Fotografia «Retratar um Livro», fórmula simples de recuperar livros para a leitura,
aplicando-lhes técnicas vanguardistas. Nome de Guerra, de Almada Negreiros, foi o livro proposto para a primeira edição do prémio. Seguir-se-á A Escola do Paraíso,
de Rodrigues Miguéis, livro que nas palavras de Saramago deveria estudar-se nas escolas em vez do seu Memorial, porque os alunos conhecer-se-ão melhor ao saber de onde vêm,
de que mundo, de que arte.
A Fundação compilou textos escritos por todo o mundo por altura de 18 de Junho passado, que serão editados pela Caminho com o título Palavras para José Saramago. A leitura
desses textos dá uma imagem do que foi para a cultura, e não só, a morte de Saramago. Aí se verá o respeito – à excepção do órgão oficial do Vaticano – com que meios de comunicação de
diferentes tendências acolheram a notícia porque, de acordo ou não com os seus princípios políticos, sabiam que havia morrido um homem honesto, «A voz dos sem voz», titulou um jornal
basco. O livro, que sairá no dia 18, é também uma forma de agradecer: devolver os textos que nasceram para jornais e revistas em forma de livro é dar-lhes uma nova vida e é dizer aos
seus autores que foram lidos, entendidos e acolhidos no coração.
Ao longo deste ano multiplicaram-se os actos de homenagem, as leituras, os concertos. O programa encerrará no Grande Auditório do CCB no dia 19 pela tarde, quando, por iniciativa da
ministra da Cultura, se interpretará As Sete Últimas Palavras de Cristo na Cruz, de Haydn, com sete textos de José Saramago, escritos a convite de Jordi Savall e com
concepção de cena de Teresa Villaverde, em estreia absoluta em Portugal. E na noite do dia 18, a SIC exibirá o filme José e Pilar que, à mesma hora, estará a ser projectado
na Cinemateca Portuguesa, com a presença do realizador. E antes, ai!, as cinzas de José Saramago serão depositadas diante do rio, junto à Casa dos Bicos, frente ao lugar que iria ser
o seu escritório e que não chegou a ver terminado. Outros o verão por ele, esse é o compromisso. Haverá uma oliveira de Azinhaga, a terra natal de Saramago, uma pedra em que se lerá o
epitáfio que Saramago escreveu para Baltasar no Memorial do Convento: «Mas não subiu para as estrelas se à terra pertencia» e um banco, para que as pessoas possam sentar-se,
ver passar os barcos que Saramago não verá, sentir a sua presença, ler umas páginas, talvez um poema, e saber que nem tudo está perdido.
Neste ano duro e agitado, de crise económica e de manifestações de jovens em Portugal e em Espanha, em que cidadãos de países do Norte de África se sublevaram contra sátrapas ou
contra a economia de mercado que provoca o pânico nas pessoas e nas famílias, sentiu-se de forma especial a ausência de Saramago. Compensada, em parte, por leituras dos seus textos,
os do Blog, os de Saramago nas Suas Palavras, os de Ensaio sobre a Lucidez, sobretudo. «Que diria Saramago sobre isto?», foi uma pergunta constante, embora ninguém possa
interpretar Saramago, dizer se estaria eufórico, se sentiria medo ou se a esperança andaria no seu coração. Não o sabemos, não poderemos sabê-lo nunca. A única coisa que permanece
clara são os seus escritos, também a sua biblioteca e a sua casa em Lanzarote, abertas a visita pública todas as manhãs, porque esse legado é demasiado grande para que não seja
partilhado.
E assim, lendo os seus livros e recordando vivências decorreu um ano de ausências íntimas e de presença pública. Aproxima-se o aniversário do português que veio ao mundo para pôr nele
um pouco de harmonia. E conseguiu. Por isso nestes dias o recordamos com a força de um amor primeiro.
Texto publicado no suplemento Atual do jornal Expresso de 04 de Junho de 2011
:
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