Mercredi 25 janvier 2012
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Auteure des photos sur cette page:Eva Pinto "olhares.com"
Me voici. Me voici avec une envie farouche de mettre ce poème de Manuel Alegre (poète portugais, ancien candidat aux élections présidentielles au
Portugal), un poème de "troubadour" qui parle du vent qui passe.
Je l'aime beaucoup. Le Poète et le poéme...
Alors, en ce moment que l'Europe traverse, j'ai voulu le partager:
Voici la dernière stophe traduite en français:
"Même dans la nuit la plus triste
en temps de servitude
il a toujours quelqu'un qui résiste
il y a toujours quelqu'un qui dit non"
Traduction: Rosario Duarte da Costa
Mesmo na noite mais
triste
em tempo de
servidão
há sempre alguém que resiste
há sempre alguém que diz não
Trova do vento que passa (Manuel
Alegre)
Pergunto ao vento que
passa
notícias do meu
país
e o vento cala a
desgraça
o vento nada me
diz.
Pergunto aos rios que
levam
tanto sonho à flor das
águas
e os rios não me
sossegam
levam sonhos deixam
mágoas.
Levam sonhos deixam
mágoas
ai rios do meu
país
minha pátria à flor das
águas
para onde vais? Ninguém
diz.
Se o verde trevo
desfolhas
pede notícias e
diz
ao trevo de quatro
folhas
que morro por meu
país.
Pergunto à gente que
passa
por que vai de olhos no
chão.
Silêncio -- é tudo o que
tem
quem vive na
servidão.
Vi florir os verdes
ramos
direitos e ao céu
voltados.
E a quem gosta de ter
amos
vi sempre os ombros
curvados.
E o vento não me diz
nada
ninguém diz nada de
novo.
Vi minha pátria
pregada
nos braços em cruz do
povo.
Vi minha pátria na
margem
dos rios que vão pró
mar
como quem ama a
viagem
mas tem sempre de
ficar.
Vi navios a
partir
(minha pátria à flor das
águas)
vi minha pátria
florir
(verdes folhas verdes
mágoas).
Há quem te queira
ignorada
e fale pátria em teu
nome.
Eu vi-te
crucificada
nos braços negros da
fome.
E o vento não me diz
nada
só o silêncio
persiste.
Vi minha pátria
parada
à beira de um rio
triste.
Ninguém diz nada de
novo
se notícias vou
pedindo
nas mãos vazias do
povo
vi minha pátria
florindo.
E a noite cresce por
dentro
dos homens do meu
país.
Peço notícias ao
vento
e o vento nada me
diz.
Quatro folhas tem o
trevo
liberdade quatro
sílabas.
Não sabem ler é
verdade
aqueles pra quem eu
escrevo.
Mas há sempre uma
candeia
dentro da própria
desgraça
há sempre alguém que
semeia
canções no vento que
passa.
Mesmo na noite mais
triste
em tempo de
servidão
há sempre alguém que resiste
há sempre alguém que diz não.
Manuel Alegre
Rosario
Duarte da Costa
Copyright
25/01/2012
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