Jeudi 25 février 2010
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La mort est toujours l’autre coté de la vie !
A morte é sempre o outro lado da vida !
Como ?!
Não. Esse problema que tens com a morte não data de hoje!
Segundo eu compreendi, trazes há muito uma certa visão das coisas. Foi talvez no dia em que viste o tio da tua mãe deitado na cama-já morto- e, as pessoas velavam o corpo com a chávena do café na mão. Fôste brincar e, depois voltaste para ver porque é que o tio Jaime não mexia. Gostavas dele, não podia ser assim a morte!
Falás-te-me depois, de todas aquelas crianças tuas companheiras na escola, que morriam...Lá ías comprar flores de seda para as colocares sobre o caixãozito, não percebendo bem porque não levavas as lindas rosinhas
brancas do carramanchão do teu jardim...depois, questionavas-te sobre o motivo da morte. Por exemplo aquela amiguinha que foi fazer-se extraír um dente no consultório do Dr. Macedo, morrendo ali
de repente!
Mas parece, que aquilo que mais te deu ódio pela morte foi naquele dia em que estavas com a tua avózinha sentada na soleira da porta e, vis-te passar
uma “carreta” com um corpo embrulhado num
lençol. Perguntás-te logo porque era assim e, a avó disse-te que devia ser alguém que não tinha dinheiro para ser enterrado. Então,
ficás-te a ver a carrinha descer a rua julgando isso injusto.
Foi?!
O quê?!
Não, não, eu não sou psicóloga nem psiquiatra mas tento ir ao fundo de ti. É talvez por isso que, mais tarde, quando acompanhás-te a tua madrinha ao cemitério, não conseguias olhar para os ciprestes e, segundo me dissés-te, recusás-te mesmo colocar as mãozinhas em cima do portão de ferro forjado, que vedava o túmulo do teu padrinho! Nem quizés-te
entrar, fugindo ràpidamente para a porta da entrada do cemitério!
Não. Eu nunca disse que não és corajosa. Só que, tento ajudar-te sobre o problema que tens, com os mortos e, os cemitérios!
Eu sei...sei, que nunca mais acompanhás-te um morto. O caso da tua avó paterna porque o teu pai o quiz, o do teu bisavô paterno também, ficando a vê-lo passar na rua da varanda do primeiro andar da casa da tua madrinha!
Nada disso. Os mortos não fazem mal. Eles vivem na terra e, na eternidade.
E quando foi isso?
Lembro-me bem. Contás-te-me que tinhas pouco mais de vinte anos; os teus pais eram jovens partindo a dois meses de intervalo um do outro. Aí, já não
tinhas tanto medo até porque te quizés-te deitar para cima do caixão da tua mãe...o que é normal, devido à tua idade, ao teu sofrimento, à juventude dela. Mas depois, tinhas pouca coragem para a
enfrentar deitada no túmulo, não foi?!
Certamente doía-te, faltava-te força, coragem. Tinhas uma luta interna constante!
E depois?
Isso foi há muito tempo?!-Está certo. Durante anos, fugias dos cemitérios, dos enterros, dos mortos...Com medo do quê?
De te levarem jovem, de te retirarem aos teus filhos
ainda pequenos, de não saberes o que há por detrás
da vida?!
Não sabes?! Pois bem, havias-me dito que o dia em que conseguis-te entrar no cemitério foi no dia do casamento da tua filha. Foi?
É normal. Na Normândia existem ainda muitas igrejinhas com o cemitério ao lado. Começás-te por visitar a igreja, depois por curiosidade desejás-te visitar os seres que ali dormiam; muitos
vinham da historia: a primeira e a segunda guerra mundial. Isso ajudou-te a tratares desse problema de voltares as costas à morte.
E agora ainda tens medo?
Não?!
Ah! Agora ja sabes que a morte é sempre o outro lado da vida!
Rosario Duarte da
Costa
Copyright
3/02/2010
Auteur: Maria Salvador www.olhares.com
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