Auteurs Lusophones...

Lundi 21 novembre 2011 1 21 /11 /Nov /2011 10:04

 

O Ninho

Auteur: Manuel Ribeiro "olhares.com"

 

O NINHO

 

Sei de um ninho

e o ninho tem um ovo.

E o ovo redondinho,

tem lá dentro um passarinho

novo.

 

Mas escusam de me atentar:

nem o tiro, nem o ensino.

Quero ser um bom menino

e guardar

este segredo comigo

e ter depois um amigo

que faça o pino

a voar...

Miguel Torga

Diário VIII

 

Traduction:

 

Je sais d’un nid

avec un œuf dedans.

Et l’œuf très rond

a dedans un petit oiseau

neuf.

 

Mais, ce ne vaut pas la peine de me tenter :

je ne le l’enlève pas, ni l’apprends pas.

Je veux être un bon garçon

et garder

ce secret avec moi

et ensuite avoir un ami

qui fait la cabriole

a voler…

Miguel Torga

Diário VIII

Traduction : Rosario Duarte da Costa

Copyright

19/11/2011

 

O ninho do pernilongo

Autor: Euridice "olhares.com"

 

Par Rosario Duarte da Costa - Publié dans : Auteurs Lusophones... - Communauté : Les Grands Poètes
Ecrire un commentaire - Voir les 0 commentaires
Lundi 21 novembre 2011 1 21 /11 /Nov /2011 09:52

 

IRONIAS DE UM BURRO

Auteur: José Manuel Alves "olhares.com"

 

Um burrinho

Un petit âne

 

O menino quer um burrinho

para passear.

Um burrinho manso,

que não corra nem pule

mas que saiba conversar.

 

O menino quer um burrinho

que saiba dizer

o nome dos rios,

das montanhas, das flores,

-de tudo o que aparecer.

 

O menino quer um burrinho

que saiba inventar

histórias bonitas

com pessoas e bichos

e com barquinhos no mar.

E os dois sairão pelo mundo

que é como um jardim

apenas mais largo

e talvez mais comprido

e que não tenha fim.

 

(Quem souber de um burrinho desses,

pode escrever

para a Rua das Casas,

número das portas,

ao Menino Azul que não sabe ler)

Cecília Meireles

In Voz da terra

Rosario Duarte da Costa

Copyright

19/11/2011

 

Par Rosario Duarte da Costa - Publié dans : Auteurs Lusophones... - Communauté : Caligrafias Poéticas!
Ecrire un commentaire - Voir les 0 commentaires
Vendredi 18 novembre 2011 5 18 /11 /Nov /2011 10:39

LUNA LLENA A LA DERECHA DEL CASTILLO DE SANTIAGO DO CACEM - ANGEL, EL ALFA III ATARDECER EN SANTIGO DO CACEM - ANGEL, EL ALFA III Mirante - Santiago do Cac\u00e9m - Set\u00fabal - Portugal - 38\u00ba 0’ 40.15\ - Geraldo Salom\u00e3o Moinho de Santiago do Cac\u00e9m - Set\u00fabal - Portugal - 38\u00ba 0’ 56.18\ - Geraldo Salom\u00e3o Capela de S\u00e3o Sebasti\u00e3o Vista da Igreja Matriz de S\u00e3o Tiago - Santiago do Cac\u00e9m - Set\u00fabal - Portuga - 38\u00ba 0’ 50.45\ - Geraldo Salom\u00e3o Santiago do Cac\u00e9m - jotahoyas Mir\u00f3briga - sarima Santiago do Cacem.Ermita - Rafael Anglada Mir\u00f3briga - sarima

images:mapav.com

 

POESIA DE MANUEL DA FONSECA
POESIE DE MANUEL DA FONSECA

 

J’ai une tendresse particulière pour ce poète, appellé Manuel

da Fonseca…

J’ai en moi, un fil qui me traverse plein de ces choses si simples

et au même temps si profondes qui, me font penser, rêver et,

revivre…

à Manuel da Fonseca…mon frère poète !

 

O poeta tem olhos de água para reflectirem

as cores do mundo,

 

e as formas e as proporções exactas, mesmo

das coisas que os sábios desconhecem

 

Em são olhar estão as distâncias sem mistério

que há entre as estrelas

 

e estão as estrelas luzindo na penumbra dos

bairros da miséria,

 

com as silhuetas escuras dos meninos vadios

esguedelhados ao vento.

 

Em seu olhar estão as neves eternas dos

Himalaias vencidos

 

e as rugas maceradas das mães que perderam

os filhos na luta entre as pátrias

 

e o movimento ululante das cidades marítimas

onde se falam todas as línguas da Terra

 

e o gesto desolado dos homens que voltam ao

lar com as mãos vazias e calejadas

 

e a luz do deserto incandescente e trémula, e os

gelos dos pólos, brancos, brancos,

 

e a sombra das pálperas sobre o rosto das

noivas que não noivaram

 

e os tesouros dos oceanos desvendados

maravilhando como contos de fada à hora da

infância

 

e os trapos negros das mulheres dos

pescadores esvoaçando como bandeiras aflitas

 

e correndo pela costa de mãos jogadas prò mar

amaldiçoando a tempestade

 

-todas as cores, todas as formas do mundo se

agitam e gritam nos olhos do poeta.

 

Do seu olhar, que é um farol erguido no alto de

um promontório,

 

sai uma estrela voando nas trevas

 

tocando de esperança o coração dos homens

de todas as latitudes.

 

E os dias claros, inundados de vida, perdem o

brilho nos olhos do poeta

 

que escreve poema de revolta com tinta de sol

na noite de angústia que pesa no mundo

Rosario Duarte da Costa

Copyright

18/11/2011

 

www.dglb.pt

 

 Manuel da Fonseca  
[Santiago do Cacém, 1911 - Lisboa, 1993]  

 

Manuel da Fonseca

 

Fez a instrução primária em Santiago, no meio de uma família oriunda de Castro Verde e do Cercal do Alentejo. Em Lisboa, frequentou o Colégio Vasco da Gama, o Liceu Camões, a Escola Lusitânia e, ainda, a Escola de Belas-Artes. Nas férias, regressava a Santiago (Cerromaior, nas suas obras), a casa dos avós, ou, posteriormente, de uma tia.

Exerceu actividades muito díspares, quer na área do comércio, quer na da indústria, tendo ainda trabalhado em jornais e revistas e numa agência de publicidade. «Em Cerromaior nasci. / Depois, quando as forças deram / para andar, desci ao largo. / Depois, tomei os caminhos / que havia e mais outros que / depois desses eu sabia.»

Se estivermos atentos aos seus livros, saberemos muito mais do A., pois a sua obra é fortemente autobiográfica, já que as personagens que recriou (delineadas por forças internas) e a realidade, nela descrita, estão intimamente ligadas a experiências vividas e a uma unidade psicológica extremamente coesa. «Uma vez lançado, a realidade e a invenção, mascaradas, jogam às escondidas comigo – nunca sei ao certo, em cada momento, qual delas preside ao que escrevo», disse em entrevista.

Respirando e vivendo as memórias do Alentejo, este é, na verdade, parte de um todo, e Santiago é o espaço do conhecimento e tempo da revelação, memórias indeléveis do seu primeiro mundo. A infância, a adolescência e o mítico Largo serão condicionantes da sua criatividade, observáveis em qualquer dos seus livros; e a ideia de se assumir cumulativamente como vagabundo é tão normal que a repete, tanto na sua poesia ou ficção como em prefácios ou entrevistas, deixando-nos assim uma imagem repassada por uma grande dor inicial: a de uma casa que verdadeiramente nunca teve. «Antigamente, o Largo era o centro do mundo. Hoje é apenas um cruzamento de estradas... Era através do Largo que o povo comunicava com o mundo... O Largo é o lugar da igualdade (mas, depois)... a vida mudou-se para o outro lado da vila.»

Antigamente: a infância, a alegria, a paixão, o equilíbrio e a comunhão vivida no Alentejo, tudo foi substituído pela visão do adulto, pela dor, cinzas e solidão encontradas na cidade. Os pontos de vista do escritor, que evoca o antes, donde o Largo e o Alentejo representarem as raízes embebidas no mítico e na idealização, e a presentificação dorida do agora, onde se observa a omnipresença dos olhos-ouvidos, «ouvidos para ouvir / e olhos para ver», indicar-nos-ão as duas perspectivas adoptadas pelo poeta e ficcionista, numa visão sempre terna e generosa, mas que reflectem bem a sua personalidade.

É pois natural que um tom confessional e coloquial, vivo, ressalte da sua escrita; que o narrador seja também personagem; e que as primeiras figuras, líricas e heróicas, caracterizadas por um excesso de vida e de paixão, se tenham transformado em figuras nostálgicas, exiladas, solitárias e inadaptadas à realidade em que vivem: «André Juliano, meu amigo de infância, como nós mudámos!» Um «ano de grande fome» foi o momento em que perdeu o paraíso e lhe definiu a passagem para outros espaços. É o «forno» que se desmorona, em Seara de Vento, é a mudança operada em Adriano, em Cerromaior.

A sensualidade, a expressão espontânea (porque mais interior e verdadeira), a organização plástica, a ductilidade semântica e a sua originalidade esbatem-se, nas últimas obras, apesar de nelas guardar o essencial, integrando e coordenando as multissignificações simbólicas em que o A. sempre foi mestre, porque a criação poética é isso mesmo, intimamente ligada a um falar interior, aos objectos que navegam no nosso corpo secreto. Por isso, «tudo o que há no novelista preexistiu, em embrião, no poeta», e será difícil estudar a sua ficção ou a sua poesia como produções autónomas.

«A observação do homem e dos seus problemas – esclarece em entrevista – tem de ser contada de um modo pessoalíssimo». Ora é este pressuposto que o impede de cair em «clichés» e em empolgamentos ideológicos. A perspectiva neo-realista, na sua obra, emerge cândida e com naturalidade pelo facto de descrever camponeses e patrões naqueles espaços alentejanos, associada à grande capacidade de ternura e compreensão dos seus semelhantes. Donde, ao escrever «Aquela raça de lavradores antigos acabou-se» não o faça contra o próprio lavrador, mas contra as adversidades e alterações que acabaram por deteriorar o ancestral equilíbrio vivido, no Largo, pelo homem alentejano, apaixonado e violento, porém compassivo e companheiro.

São essas transformações que o escritor acabou por retratar através dos olhos e da sensibilidade do menino ou rapaz que se defronta e abre aos problemas da sua região natal, repostas pelo adulto que as observa como factos que o ultrapassam mas que não explicará através da perspectiva da luta de classes. «Sou barco de vela e remo / sou vagabundo do mar... não tenho rota marcada.» Desta forma, foram os seus dramas e lutas interiores que lhe realizaram a obra, espelhando o conflito entre o mundo mítico, primeiro, e a realidade social posterior, injusta, sim, mas para a qual não propôs qualquer solução, já que foi céptico quanto ao advento de um mundo melhor. Trata-se, na verdade, de uma ideologia muito pessoal, que olha o passado afectivamente, como se o preferisse, o que não impede que a sua obra se inscreva no espírito e movimento neo-realista, ainda que de forma mais universal, ao colocar o indivíduo num centro e num plano diferentes daqueles para que aponta a realização colectiva.
in Dicionário Cronológico de Autores Portugueses, Vol. IV, Lisboa, 1997

 

 

 

Par Rosario Duarte da Costa - Publié dans : Auteurs Lusophones... - Communauté : Caligrafias Poéticas!
Ecrire un commentaire - Voir les 0 commentaires
Mercredi 16 novembre 2011 3 16 /11 /Nov /2011 10:14

Image:www.cepdivin.org 

 

 

Miguel Torga (1907-1995)

 

Há quem diga que, me volto muitas vezes para o passado. É

verdade. Sobretudo quando se trata de autores que muito

aprecio. É o caso de Miguel Torga!

O seu verdadeiro nome Miguel Adolfo Correia da Rocha, nascido

nas alturas portuguesas, isto é em São Martinho da Anta- Trás-os-Montes.

Não era filho da riqueza, da abastância. Trabalhou cedo, como guardador de vacas, servidor, emigrou para o Brasil.

De regresso a Portugal, efectua estudos de medicina exerçendo

mesmo em Coimbra em 1933.

Mas, já em 1928 ele havia escrito um livro de poemas. E, o seu

desejo não era outro, que escrever: dizer, contar, testemunhar e,

poetisar!

Recebeu vários prémios, dentro dos quais o Prémio Camões em

1976!

Tinha a minha mãe apenas un ano, quando ele editou o seu

livro “Ansiedade”-1928.

Seguiram-se imensas obras:

 

POESIA

1930 -Rampa

1931 -Tributo

1932 -Abismo

1936 -O outro livro de Job

1943 -Lamentação

1944 -Libertação

1946 -Odes

1948 -Nihil Sibi

1950 -Cântico do homem

1952 -Alguns poemas ibéricos

1954 -Penas do purgatório

1958 –Orfeu rebelde

1962 –Câmara ardente

1965 – Poemas ibéricos

1981 – Antologia poética

PROSA

1931 –Pão ázimo

1934 –A terceira voz

1937 –A criação do mundo- os dois primeiros dias

1938 –O terceiro dia da criação do mundo

1939 –O quarto dia da criação do mundo

1940 –Bichos

1941 –Contos da montanha

1941 – Um reino maravilhoso

1942 –Rua

1943 –O senhor Ventura

1944 –O Porto

1944 –Novos contos da montanha

1945 –Vindima

1950 –Portugal

1951 –Pedras lavradas

1955 –Traços de união

1974 –O quinto dia da criação do mundo

1976 –Fogo preso

1981 –O sexto dia da criação do mundo

 

TEATRO

1941 – Terra firme

1947 –Sinfonia

1949 –O paraíso

1958 –Mar

Poesia e Prosa

Vários diários desde 1943 até ...

Arca

Requiem para mim.

 

Começei a ler a sua obra através dos seus contos. “Bichos” por

exemplo, pois começei a ler muito cedo e, a minha mãe gostava

de Miguel Torga!

Ainda me lembro de Nero, de Mago, Madalena...e Vicente!

Mais tarde,  começei a beber todas as palavras de Torga. Ele

tornou-se para mim, um íntimo, um amigo e confidente!

Em 1979, a Fundação Calouste Gulbenkian publicou dois livros intitulados:

“Portugal-A terrra e o homem”.

No segundo volume, há três textos de Torga:

- Um reino maravilhoso –conto sobre Trás-os Montes

- Do “Diário”-Poesia

-O caçador (extraído de Novos contos da montanha).

 

Panorama

 

Pátria vista da fraga onde nasci.

Que infinito silêncio circular!

De cada ponto cardeal assoma

A mesma expressão muda.

É de agora ou de sempre esta paisagem

Sem palavras,

Sem gritos,

Sem o eco sequer duma praga incontida?

Ah! Portugal calado!

Ah! Povo amordaçado

Por n ão sei que mordaça consentida!

Miguel Torga-

Do “Diário”-Poesia

 

Li-os muito com os meus alunos, para lhes transmitir o que eu

chamarei “A alma portuguesa”!

 

Lamento não possúir toda a obra. Muitos livros estão esgotados.

Mas, mesmo em Lyon apraz-me deitar-me nas páginas de MT,

de sentir o peso, a verdade, a ternura das suas palavras.

Bem Hajas Miguel, no cimo da tua torre!

Rosario Duarte da Costa

Copyright

13/11/2011

 

Par Rosario Duarte da Costa - Publié dans : Auteurs Lusophones... - Communauté : Caligrafias Poéticas!
Ecrire un commentaire - Voir les 0 commentaires
Lundi 14 novembre 2011 1 14 /11 /Nov /2011 09:43

 

Chers lecteurs et amis:

J'aime la poésie. J'aime les poètes...

Mia Couto, qui est déjà dans les pages de mon site, figure parmi

les auteurs que j'aime. Il est proposé pour le Prix Camões, la plus haute

distinction portugaise.

J'ai voulu vous offrir ce morceau de son oeuvre. Bonne lecture:

Missangas

Auteur: Nelson Andrade Silvestre"olhares.com

 

http://artesanum.pt

Mia Couto

 

A missanga todos a vêem. Ninguém nota o fio que, em colar

vistoso, vai compondo as missangas. Também assim é a voz do

poeta; um fio de silêncio, costurando o tempo.

Mia Couto

(Poète lusophone du Mozambique)

 

Tous voient la verroterie. Personne note le fil que, sur un collier

magnifique, va composant la verroterie. C’est aussi comme cela

la voix du poète ; un fil de silence, couturant le temps.

Mia Couto

(Poète lusophone du Mozambique)

Traduction : Rosario Duarte da Costa

 

www.ameixinhaverde.net

Saco de missangas cilíndricas facetadas cor de chumbo (V8)

Par Rosario Duarte da Costa - Publié dans : Auteurs Lusophones... - Communauté : Les Grands Poètes
Ecrire un commentaire - Voir les 1 commentaires
Dimanche 13 novembre 2011 7 13 /11 /Nov /2011 11:02

 

Richard Zimler nous parle du Sida !

 

Richard Zimler est, comme je vous ai déjà dit, un homme à plusieurs facettes.

Déjà, cet être issu de l’Amérique s’installa au Portugal, prenant de nouvelles racines dans la belle ville de Porto…

Il se sent bien. Il est chez lui. Il s’accroche, à une nouvelle vie qu’il

a choisie.

Cet américain est donc, devenu un portugais par choix et par conviction. Et, c’est important de pouvoir choisir, ce que l’on veut

être et, où l’on veut vivre !

C’est donc au Portugal qu’il deviendra connu en tant qu’auteur : romancier, conteur…

Par exemple, en 2008, R.Z. a écrit : « Contos gays da era da sida », c’est à dire: « Contes gays à l’ère du Sida ».

Dans ce contexte, il parlera des relations entre les parents et leurs

enfants.

Durant les années, 1992/1997, Richard avait publié 16 contes dans

diverses revues litéraires. Ces contes sont aujourd’hui réunis sous

le nom de Zimler, évoquant l’Amérique des années 80 où, la maladie

du SIDA était apparue comme une maladie des homosexuels.

N’oublions pas qu’en Amérique, la société est souvent apparue

comme puritaine!

 

Zimler, s’affirme lui-même comme homosexuel. Mais il refuse, que l’on adresse cette terrible maladie à tous ceux qui vivent en situation d’homosexualité.

« Confundir a cidade com o mar »

 « Confondre le ville avec la mer »…

Voici un article du site «ciberescritas »de 2008.

Livro de contos de Richard Zimler em Setembro

25 July 2008 - 13:16 No Comments

  A Oceanos vai lançar uma colectânea dos contos de Richard Zimler em Septembro. O título vai ser: Confundir a Cidade com o Mar. O romance The Seventh Gate , de Richard Zimler (A Sétima Porta, na Oceanos) foi nomeado para o 2009 International IMPAC Dublin HYPERLINK "http://www.impacdublinaward.ie/index.htm"LiteraryHYPERLINK "http://www.impacdublinaward.ie/index.htm" HYPERLINK "http://www.impacdublinaward.ie/index.htm"AwardHYPERLINK "http://www.impacdublinaward.ie/index.htm". Saber mais no site HYPERLINK "http://www.zimler.com/"oficialHYPERLINK "http://www.zimler.com/" do escritor norte-americano que vive no Porto

 Richard Zimler

   

Richard Zimler: "É um desafio enorme criar um mundo real e fascinante em cinco páginas"

Marcadores:

Escritor fala do desafio que foi escrever "Confundir a Cidade com o Mar", o seu primeiro livro de contos.

A quem dedica o novo livro?

Aos meus leitores portugueses. Por duas razões: a primeira é que isto é uma estreia mundial para mim, esta edição portuguesa provavelmente não vai sair em qualquer outro país. Os editores do mundo não querem publicar colectâneas de contos que não vendem tão bem como romances. Esta ideia é da minha editora portuguesa.

A segunda razão é que é um grande prazer deparar-me com pessoas do Porto, Lisboa, Braga, de todo o país, que quase todos os dias vêm falar comigo e dizer coisas honrosas sobre todos os meus livros.

Os livros de contos costumam vender menos que os romances. Mesmo assim decidiram arriscar…

É um risco. Felizmente não é um grande risco hoje, porque tenho um certo nome em Portugal e isso ajuda muito. Mas é um risco para qualquer editora. O mercado está de tal maneira saturado que as editoras não querem correr riscos, querem certezas, querem publicar o que eu chamo “clone”, os clones de "O Código de Da Vinci".

Que à partida sabem que vão vender...

Ou vão vender ou vão, pelo menos, ter críticas de jornais. Ou, então, livros de gente já famosa, romances de apresentadores televisivos, vedetas. As pessoas que só compram um ou dois livros por ano vão comprar esse, porque é conhecido, aparece na televisão, que maravilha! Não tenho nada contra isso: o único problema é que significa que os editores correm menos riscos hoje em dia e criam uma certa uniformização do mercado.

O que é que podemos encontrar neste novo livro?

Muitas coisas diferentes. Com contos o autor pode variar muito. Tenho contos que decorrem nos Estados Unidos, em Berkeley, Miami, Nova Iorque, numa comunidade portuguesa. Tenho outros que decorrem em Itália, Brasil, Portugal.

Isto é fantástico, porque dá-me uma oportunidade de falar de culturas diferentes, mostrar e explorar conflitos entre pessoas com maneiras de pensar diferentes sobre amizade, tolerância, solidariedade, sexo, doença, morte… É uma das vantagens de uma colectânea de contos: o autor pode conduzir o leitor para muitos sítios diferentes e, espero, fascinantes.

Qual é que foi o maior desafio para escrever este livro?

O maior desafio num conto ou uma colectânea de contos é sempre limitar-se, ir directamente ao assunto, não vaguear, não criar personagens em demasia, não sobrecarregar o enredo. Porque em cinco, 10 ou 20 páginas tu não tens espaço, nem tempo, para criar muitas reviravoltas e surpresas, tens de ir directamente ao assunto e captar a atenção do leitor. E isso não é fácil.

Sobretudo hoje, quando as pessoas têm tanta coisa a fazer, se o leitor não está interessado no teu romance dentro de 10 páginas, não vai lê-lo. Então, é um desafio enorme contar, criar um mundo real

                         

Dailymotion - Richard Zimler : Les Sortilèges de minuit - une vidéo ...

www.dailymotion.com/.../xfadvz_richard-zimler-les-sortileges-...20 oct. 2010 - 3 mn
Dans une salle de la Fondation Blermans-Lapôtre, Cité Internationale Universitaire de Paris, Olivier BARROT présente le roman ...
 

   Rosario Duarte da Costa

Copyright

12/11/2011

 

 

 

Par Rosario Duarte da Costa - Publié dans : Auteurs Lusophones... - Communauté : Caligrafias Poéticas!
Ecrire un commentaire - Voir les 0 commentaires
Mercredi 9 novembre 2011 3 09 /11 /Nov /2011 10:15

 

Homenagem a Jorge de Sena  

 

Caro Jorge:

Se tu soubésses...

Se tu imaginásses que, ao ler as tuas palavras, os teus poemas

me sinto forte e reconfortada...

Se tu pudésses imaginar, que aqui em Lyon vivo em exílio- como

tu vivês-te no outro continente em face.

E, mais ainda, daqui vejo tudo o que então não via; vejo tudo o

que, os que lá vivem não conseguem ver: ou porque não podem,

ou porque não querem.

E também Jorge, confesso-te que viver fora, é estar dentro da casa

do mundo. Embora viver nela, nunca nos apague céu, mar, ar, e

tudo aquilo que nos fêz!

Viver noutros lugares, é ainda viver. E acreditar no que fômos,

somos e, seremos. Porque, de locatários do nosso espaço terrestre,

seremos definitivamente proprietários da Casa da Eternidade!

 

Poema de Jorge de Sena

 

Glosa de Guido Cavalcanti

“ Perchi’ I’no spero di tornar giammai”

 

Porque não espero de jamais voltar

à terra em que nasci; porque não espero,

ainda que volte, de encontrá-la pronta

a conhecer-me como agora sei

 

que eu a conheço; porque não espero

sofrer saudades, ou perder a conta

dos dias que vivi sem a lembrar;

porque não espero nada, e morrerei

 

no exílio sempre, mas fiel ao mundo,

já que de outro nenhum morro exilado;

porque não espero, do meu poço fundo,

 

olhar o céu e ver mais que azulado

esse ar que ainda respiro, esse ar imundo

por quantos que me ignoram respirado;

 

porque não espero, espero contentado.

Jorge de Sena

In: “Versos e alguma prosa...”

1961

Rosario Duarte da Costa

Copyright

08/11/2011

6 - A Jorge de Sena, No Chão da Califórnia - YouTube

www.youtube.com/watch?v=FucV_x21sJE 21 févr. 2010 - 3 mn - Ajouté par pfv67
A Jorge de Sena, No Chão da Califórnia, de Eugénio de Andrade in Humores II, por Mário Viegas.

David Jackson sobre Jorge de Sena - YouTube

www.youtube.com/watch?v=6AvxyIxDTFs 22 août 2011 - 4 mn - Ajouté par lerjorgedesena
Standard YouTube License. 0 likes, 0 dislikes ... Maria Alzira Seixo fala sobre Jorge de Senaby lerjorgedesena3 ...

Jorge de Sena reads his poems, 5/5 - YouTube

www.youtube.com/watch?v=Nu4fvK9ueU4 28 janv. 2011 - 12 mn - Ajouté par lerjorgedesena
Entrevista organizada e realizada por Frederick G. Williams, e gravada em videotape na Universidade da Califórnia ...

Fernando J. B. Martinho fala sobre Jorge de Sena - YouTube

www.youtube.com/watch?v=Ru3vGM7P40Q 20 sept. 2011 - 12 mn - Ajouté par lerjorgedesena
Fernando J. B. Martinho fala sobre Jorge de Sena. lerjorgedesena 20 videos ... Standard YouTube License. 0 ...

Jorge de Sena Clip - YouTube

www.youtube.com/watch?v=veirKng6o5Q 21 juil. 2009 - 4 mn - Ajouté par biblioespl
Jorge de Sena Escritor português (1919-1978), poeta, ficcionista, dramaturgo e ensaísta, a sua obra é marcada ...

Jorge de Sena reads his poems, 1/5 - YouTube

www.youtube.com/watch?v=EgMqW6VQIcs 27 janv. 2011 - 15 mn - Ajouté par lerjorgedesena
Entrevista organizada e realizada por Frederick G. Williams, e gravada em videotape na Universidade da Califórnia ...

Jorge de Sena reads his poems, 4/5 - YouTube

www.youtube.com/watch?v=vurMbND9n2U 28 janv. 2011 - 13 mn - Ajouté par lerjorgedesena
Entrevista organizada e realizada por Frederick G. Williams, e gravada em videotape na Universidade da Califórnia ...

Mário Viegas diz Jorge de Sena - YouTube

www.youtube.com/watch?v=mfvnbow9npc 10 nov. 2010 - 7 mn - Ajouté par josemarques1977
Não, Não assino, Não subscrevo. Voz de Mário Veigas Letra de Jorge de Sena.
 

 

 

Par Rosario Duarte da Costa - Publié dans : Auteurs Lusophones... - Communauté : Caligrafias Poéticas!
Ecrire un commentaire - Voir les 0 commentaires
Mardi 8 novembre 2011 2 08 /11 /Nov /2011 10:01

Il ya des jours et, des lunes-comme disait le célèbre film.

Il y a des jours où, des vieilles voix nos approchent, pour

nous dire -peut-être- que nous ne sommes pas seuls.

C'est parfois Rimbaud; d'autrefois Pessoa...

Et cela, nous fait un bien irracontable!

image: perleastrale:centerblog.net

http://bioutibox.wordpress.com

 

 Fernando Pessoa

(13/06/1888-30/11/1935)

 

”Odes” de Ricardo Reis"

 

Tirem-me os deuses

Em seu arbítrio

Superior e urdido às escondidas

O Amor, a glória e riqueza.

 

Tirem,  mas deixem-me,

Deixem-me apenas

A consciência lúcida e solene

Das coisa e dos seres.

 

Pouco me imprta

Amor ou glória.

A riqueza é um metal, a glória é um eco

E o amor uma sombra.

Fernando Pessoa

In”Odes” de Ricardo Reis

Page 55 Colecção Poesia

 

Rosario Duarte da Costa

Copyright

07/11/2011

 

 

Par Rosario Duarte da Costa - Publié dans : Auteurs Lusophones... - Communauté : Caligrafias Poéticas!
Ecrire un commentaire - Voir les 0 commentaires
Vendredi 14 octobre 2011 5 14 /10 /Oct /2011 10:50

O (Porto)

Auteur photographique Pedro Moreira: olhares.com"

Ribeira

 

 

L’écrivain Richard Zimler!

(Une vie, deux histoires et, deux cultures)

 

J’aime les gens qui, en vivant ailleurs de chez eux, arrivent à

s’inscrire dans une autre culture, sans pour autant renier la

leur !

C’est le cas de Richard Zimler. Né à Roslyn Heights (New York),

il arriva à Porto (Portugal), après avoir effectué des études et

travaillé dans son Pays (comme Journaliste durant huit ans).

Au Portugal il travailla comme professeur dans l’Ecole de

Journalisme puis à l’Université de Porto.

Il a l’air de se plaire dans le Pays, dans lequel il a choisi d’être

citoyen. C’est vrai, la ville de Porto est belle, attractive. Elle

offre ses pentes chargées d’histoire, un mouvement concentrique

où, on peut s’accrocher sans peur.

C’est une ville cosmopolite où, durant des siècles les riches

anglais s’installèrent, pour gérer leurs biens : (Le vin de Porto,

les CTT…). Une terre de poètes, d’écrivains…

Donc, Richard en dix ans a produit. Il a écrit neuf romans, une collection de Contes et un livre pour enfants!

Ce qui a de plus étonnant, c’est qu’il a osé travailler ses romans

autour de l’histoire du Portugal. Comme le

«Dernier kabbaliste à Lisbonne »

dont je vous ai parlé il y a peu. Ou,

                                 «Goa ou le gardien de l’aurore » -Leya/D.Quixote-

que je viens de recevoir et, je lirais avec plaisir, pour vous donner

mon avis.

Alors, crise ou pas crise, les auteurs portugais comme Richard, produisent. Richard -comme je l'ai déjà dit- sera un grand dans

le royaume littéraire.

N’hésitez pas à le lire et, à en parler autour de vous. Ce sont des

livres intelligents, qui nous apportent le regard de l’histoire et,

le contenu de «l’histoire » racontée par l’auteur !

Ce sont des histoires qui, inscrites ou pas dans l'histoire, peuvent

être lues par des jeunes et moins jeunes. Croyez-moi, je n'ai pas

l'habitude de mentir!

Rosario Duarte da Costa

Copyright

13/10/2011

www.storm-magasine.com

 

Richard Zimler - A Hora do Caçador

Por Helena Vasconcelos

 

Richard ZimlerRichard Zimler é um escritor emblemático e de indispensável leitura. O autor do muito famoso "O Último Cabalista de Lisboa" e de outras obras essenciais para entender o mundo contemporâneo - como "Unholy Ghosts" por exemplo - tem o poder de, em "Hunting Midnight", o seu mais recente romance (com edição para breve, em português )conjurar os fantasmas históricos para fazer entender alguns dos traumas mais terríveis daquilo a que é comum chamar-se "civilização ocidental". A Storm conversou com o autor que deixou a cidade do Porto, onde reside, para correr mundo, acompanhando o sucesso da sua obra.
Esta entrevista é publicada em colaboração com a revista literária portuguesa Os Meus Livros, dirigida por Tereza Coelho.
Publicamos, também,uma versão em inglês desta mesma entrevista.

1 - Helena Vasconcelos - “Hunting Midnight” é um romance histórico, um romance de aventuras, um conto moral ou um tratado religioso? Como lhe surgiu a ideia para este livro?
Richard Zimler : Há cerca de quatro anos quando passei alguns dias em Graz, na Aústria e não tinha nada para ler. Acabei por comprar "A Mantis Carol" de Laurens van der Post, uma história sobre uma mulher que conta um sonho que envolve um africano que vivera em sua casa em Filadélfia. Fiquei com uma imagem que não me saía da cabeça: a de um Bushman vestido com roupas elegantes, sentado no meio de uma família europeia, no início do século XIX. Comecei a imaginar como este homem poderia mudar a vida daquelas pessoas o que me levou até Portugal e a uma família na qual a prática do judaísmo era mantida secreta. Fui descobrindo paralelos entre a cultura Bushman e o misticismo judaico e ao misturar a tradição oral das duas culturas fiquei cada vez mais entusiasmado. Nunca senti tanta paixão por o que estava a escrever. Vejo este livro como vejo a minha vida. O meu caminho, como o de toda a gente, não seguiu apenas uma direcção e não existem fronteiras definidas que demarcam os acontecimentos mais importantes. “Hunting Midnight” tão-pouco pode ser classificado. Não é uma história de amor, nem uma “morality play”, nem uma tragédia ou uma comédia, embora tenha todos esses elementos. É um romance histórico, uma aventura, uma procura de identidade e de sentido da vida, um manifesto contra preconceitos étnicos, um olhar sobre Portugal de 1800.É, também, uma história sobre magia africana, secretismo judeu, escravatura, com personagens, várias pessoas de que fiquei a gostar muito e cujas vidas se cruzaram e que trocaram entre elas amor, ódio, ciúme, lealdade e bravura ao longo de três décadas e nos espaços que ocuparam – Portugal e o sul dos Estados Unidos. Escrevi sobre a maneira como estas pessoas sobreviveram, cresceram – e se entre ajudaram – apesar da terrível intolerância e das crueldades a que foram sujeitas. Neste sentido é também acerca de pessoas vulgares com vidas vulgares que encontram coragem para fazer coisas magníficas.

2 - H.V. Em “O Último Cabalista de Lisboa” o principal tema é o da perseguição aos judeus na Península e em “Trevas de Luz” parece já esboçar-se uma figura (Peter) que prenuncia Midnight. A primeira parece ter funcionado como “cenário” ( existe até uma relação familiar entre Berekiah Zarco do “Ùltimo Cabalista…” e John, de “Hunting Midnight”) e, na segunda, surge um personagem (Peter) que poderia ser um esboço de Midnight, um “estranho” que traz consigo mistério, perturbação e, inevitavelmente, transformação.
R.Z. Tanto Midnight como Peter são dois místicos poderosos, (talvez feiticeiros) que se encontram fora das suas culturas, o que provoca tensões neles próprios e nas pessoas que eles amam. São ambos contadores de histórias que alteram profundamente as vidas de quem com eles se relaciona. A perturbação mencionada é causada pela sua imprevisibilidade e pelo facto de, pela sua natureza, funcionarem a um nível diferente, com um pé na terra e outro no céu ( ou no inferno).

3 - H.V.– John é o centro da acção, relacionado com todos os outros. Daniel, Violeta, Midnight, Morri. Ele é o protótipo do herói de romance que supera todas as dificuldades?
R.Z. É um herói no sentido em que faz tudo o que pode para ajudar os outros, suplantando obstáculos incomensuráveis, demonstrando uma grande coragem e sacrificando-se em larga escala. É o centro da roda em torno da qual tudo gira. John só descobre que é judeu por parte da mãe aos doze anos, o que o confunde por viver entre cristãos, incluindo o pai. A partir daí aplica-se a estudar secretamente o Torah com o vizinho, Benjamin. Mas é a sua devoção por Midnight e a necessidade de redimir o mal feito pelo pai que fazem com que a roda gire tão depressa. No início ele é apenas um rapazinho solitário e esquisito. Daniel ajuda-o, ao dizer-lhe que reconhece a sua estranheza e todavia o ama tal como ele é. É muito importante porque isso significa que ele (John) pode ser ele próprio e ser amado. Creio que todos precisamos disso. Mas até o percebermos somos obrigados a levar uma existência postiça, por detrás de uma máscara. Quando Daniel morre, John apercebe-se que perdeu a possibilidade de viver sem máscara. Sente-se um híbrido, uma mistura de Escocês e Português, de judeu e cristão e isso incomoda-o a princípio. Mas depois ele passa a aceitar e até apreciar o facto. Creio que todos nós somos “híbridos” de uma maneira ou outra, umas vezes de uma forma óbvia, outras de uma forma sub-reptícia. E ainda bem!

4 - H.V. - “Midnight” insufla fumo nos olhos e nos ouvidos de John e salva-o quando ele está a morrer como Javé (Jahweh) cria o ser humano com o Seu sopro. Portanto, Midnight, mais do que uma figura paterna, é um Criador com poderes, (até pelos seus conhecimentos de medicina) sobre a vida e a morte?
R.Z. Não pensei em Javé mas é verdade que Midnight é um Criador e, em parte, ele cria através das histórias que conta, tal como Deus no Torah disse que, “No princípio era o Verbo!”. Creio que os grandes místicos têm poder sobre a vida e a morte, eles vêm relações invisíveis, e podem influenciar tudo através das palavras. São mais sensíveis e estão mais alerta. É o que faz de Midnight um caçador tão formidável.

5 - H.V. Existem dois conceitos, ligados entre si, que atravessam o livro e sublinham toda a narrativa: o primeiro é a dádiva do conhecimento – “ensinar uma pessoa a ler é um acto de amor” está escrito algures – e o outro é o conceito de “caça” e do “caçador”. Mas a caça está ligada a hábitos predatórios, a demarcação de território, a hábitos, sobrevivência, focalização em objectivos. Porque é que não deu ao livro o título “Searching Midnight” ou “Looking for Midnight”?
R.Z. O Português e o Inglês são muito diferentes. “Hunting” implica a ideia de uma procura tão urgente que não pode ser adiada. É uma busca que tem de ir até ao fim mas que não envolve necessariamente o acto de matar. Midnight é um grande caçador, por isso o título possui uma ressonância dupla. John começa por achar que tem pouca coragem, o que não é verdade. No final ficamos a saber – Midnight di-lo – que John é o maior caçador de todos: NÃO através do acto de matar ou da violência mas sim graças à sua devoção, ao seu empenho, ao seu amor. E é claro que é o amor que o leva a ensinar Midnight a ler, algo que foi difícil para Midnight mas que ele aceitou como uma dádiva do seu jovem amigo. Pessoalmente não estou interessado na caça como desporto e acho esse tipo de caçadores repugnante. Mas sou capaz de entender alguém como um Bushman que caça para viver na sua África natal, um continente onde este acto implica um grande poder e também uma grande responsabilidade. Tirar uma vida, encarnar a Morte – podemos imaginar o que esse acto significa para Midnight – é algo transcendente. O caçador, neste caso, participa na história central da existência e em todo o mistério que está implícito.

6 - H.V. Judeus, Africanos, Índios Americanos – que têm direito a uma referência no livro, embora passageira - foram perseguidos, humilhados, dizimados ao longo dos tempos. Para além dos temas centrais, foi sua intenção denunciar os efeitos nefastos e prolongados de preconceitos raciais e sociais, da brutalidade que seres humanos exercem sobre os outros ?
R.Z. Fiz uma extensa pesquisa sobre a escravatura para escrever este livro e parece-me – pelo menos nos Estados Unidos – que ainda não nos confrontámos suficientemente com o facto de terem existido 10 ou 11 gerações de pessoas que viveram em condições tão miseráveis. Foi algo que fez toda a diferença, desde a forma de praticar a agricultura à maneira como a História foi ensinada e até à maneira como encaramos os Direitos Humanos. Para os Judeus a História recente tem como ponto de referência o Holocausto. Para os negros é a escravatura dos séculos XVIII e XIX.

7 - H.V. No seu livro os escravos têm voz e passam à acção.
R.Z. Sim. Morri descobre que uma das coisas mais terríveis da escravatura foi que a impediu – e a tantos outros negros na América – de contribuir, com as suas potencialidades, para o bem da sociedade. Os escravos não tinham acesso ao ensino e não podiam ser eles próprios, tinham os seus sonhos e objectivos permanentemente amputados.”Hunting Midnight” retoma o tema da intolerância que iniciei em “O Último Cabalista de Lisboa” , criando um paralelo entre o preconceito contra os judeus em Portugal no início do século XIX e a escravatura nos Estados Unidos.. Ao desenhar esse paralelo tive a oportunidade de fazer alguma coisa a esse respeito, isto é escrever sobre a intolerância onde quer que ela surja, seja em que contexto for.

8 - H.V. Por exemplo, quando escolhe colocar judeus que também são donos de escravos, tinha a intenção de mostrar que existe uma espécie de ciclo vicioso de retaliação em que seres humanos que foram perseguidos, sujeitos a ostracismo, por sua vez perseguem, brutalizam os mais fracos ? E teve a intenção de mostrar que essa “maldição” pode ser quebrada por pessoas, como John, Midnight, Morri, que se rebelam contra a injustiça, a estupidez e a violência?
R.Z. Em parte, sim. Não posso escamotear o facto de que há Judeus que não aprenderam a lição da História e por isso repetem o mal que lhes foi feito. Fui alertado para o facto de que houve Judeus na África do Sul, por exemplo, que apoiaram o apartheid porque se sentiam ameaçados e tinham uma grande necessidade de se integrarem. John refere que o acontecimento essencial do judaísmo é o Êxodo, a fuga da escravatura para a liberdade, um acontecimento que é revivido em cada Páscoa.. Portanto é necessário lutar pela liberdade e pela justiça em todo o lado – na América, África do Sul, Portugal, China… Revolta-me o facto de alguns judeus usarem a Bíblia para justificarem a violência contra outras pessoas e a chegada de John a Charleston deu-me a oportunidade de discutir esse assunto. O malefício da violência e da crueldade deve ser quebrado mas é necessário que surjam pessoas como John que digam “Basta!” Esta atitude implica sacrifício, correr riscos. Pode até implicar uma mudança de identidade. Tenho a certeza de que, se o Judaísmo permitisse a escravatura, John teria renunciado à sua fé. É por isso que fica tão perturbado quando chega à Sinagoga em Charleston e descobre que há donos de escravos na congregação.

9 - H:V. Será possível tirar elações deste livro e aplicá-las ao que se passa, há décadas, no Médio Oriente?
R.Z. É um assunto muito pessoal. Sou a favor de um Estado Judeu e conheço israelitas fantásticos mas não posso aceitar que judeus, ou quem quer que seja, roubem a terra de outros ou torturem pessoas em prisões. O verdadeiro judaísmo insurge-se contra este estado de coisas. É claro que os Palestinianos não deveriam agir como terroristas nem fazerem-se explodir em Israel mas os israelitas não deveriam arrasar aldeias palestinianas ou atirarem a matar sobre cidadãos palestinianos. E ninguém pode afirmar que os Judeus têm um direito “bíblico” sobre os Territórios Ocupados. Essa é uma interpretação estupidamente deformada do Torah e uma aberração que todos os judeus deveriam combater.

10 - H.V. A maior parte das personagens são forçados ao exílio e têm de esconder as suas crenças, a sua própria cultura. No final todos se reúnem em Nova Iorque para iniciarem uma nova vida. Escolheu esta cidade por acaso?
R.Z. Pareceu-me correcto uma vez que Nova Iorque sempre representou a oportunidade de os imigrantes começarem tudo de novo. Era o Novo Mundo, o que significava que se podia deixar para trás ideias e tradições que tinham perdido valor. E também porque gosto da geografia de Manhattan – uma ilha cercada por dois rios no limite oriental de um continente. Um lugar onde eu cresci e que me é familiar Posso ver claramente Manhattan em 1825, posso sentir as ruas sob os meus pés. Tinha de ser aí. Curiosamente, os ataques ao World Trade Center também podem ter tido influência. Para mim e para milhões de pessoas Nova Iorque representou sempre uma esperança de se iniciar uma nova vida. Só depois de escrever o livro é que compreendi que queria que Nova Iorque renascesse, pelo menos na minha cabeça como símbolo de esperança de uma nova vida.


11. H.V. – Utiliza por vezes um tom bastante bíblico – há aquela marcha dos escravos, com John a esvair-se em sangue – e vários símbolos: a pena e as flechas, as máscaras, etc. Também usa algumas expressões misteriosas como “Devorar a noite!” . Porquê?
R.Z. Não usei os símbolos intencionalmente. Em miúdo eu gostava muito de pássaros. Quando John diz que ama aquelas criaturas feitas de penas, luz e ar, ele está a falar com a minha voz. Talvez eles nos mostrem que podemos elevar-nos e daí o símbolo da pena. Eu também sou uma pessoa muito táctil e nervosa como John. Guardo sempre no bolso uma caneta, em parte para me recordar que tenho uma finalidade na vida : escrever. John também guarda uma das flechas de Midnight talvez para se recordar que tem uma urgente missão a cumprir. Quanto a “devorar a noite” talvez esteja relacionado com o facto de sermos feitos de luz e escuridão. Mas a única forma de sermos nós próprios é abraçando o perigo, as trevas. Sim, este livro tem um certo tom bíblico o que é normal porque trata de assuntos importantes como a vida, a morte, o sacrifício, a amizade, a crueldade, a traição, a redenção.

12 -H.V. O facto de viver em Portugal – um lugar onde tudo aconteceu e em que toda a gente se cruzou vinda de todos os lados – teve influência na evolução das suas histórias?
R.Z. Absolutamente. O facto de ter vindo para Portugal abriu-me os olhos para uma nova história, para uma forma diferente de pensar e de ver o mundo. Onde é que seria possível que Midnight e John Zarco Stewart’ se encontrassem? Só em Portugal! Não é por acidente que escrevo sobre pessoas que têm contacto com culturas diferentes, que lutam por se adaptar a circunstância novas, inseguras quanto à sua identidade, sentindo-se estranhas em lugares estranhos. Foi precisamente o que aconteceu comigo quando vim para cá em 1990. E é por isso que presto tanta atenção à língua. O facto de aprender bem português alargou a minha capacidade de apreciação da poesia e das possibilidades da língua inglesa. É uma das razões porque a linguagem em “Hunting Midnight” se tornou tão rica. Aprender outras línguas abre-nos a mente, é a droga que eu conheço que mais a expande. É melhor que marijuana ou LSD. Recomendo-a a todos os escritores.

Nota. Richard Zimler está a escrever o que chama “O Ciclo Sefardita” , uma série de romances que giram em torno de gerações e ramificações de uma única família de judeus portugueses – a família Zarco. Depois de “O Último Cabalista de Lisboa” e de “Hunting Midnight” , o autor trabalha num terceiro romance cuja acção se passa em Goa, em finais do século XVI. O título provisório é “Guardian of the Dawn”.

 

 

Dailymotion - Richard Zimler : Les Sortilèges de minuit - une vidéo ...

www.dailymotion.com/.../xfadvz_richard-zimler-les-sortileges-...20 oct. 2010 - 3 mn
Dans une salle de la Fondation Blermans-Lapôtre, Cité Internationale Universitaire de Paris, Olivier BARROT présente le roman ...
 

Vidéo Ina - Richard Zimler : Les Sortilèges de minuit, vidéo ...

www.ina.fr/art.../richard-zimler-les-sortileges-de-minuit.fr.html3 avr. 2006 - 3 mn
Dans une salle de la Fondation Blermans-Lapôtre, Cité Internationale Universitaire de Paris, Olivier BARROT présente le roman ...
 

 

Par Rosario Duarte da Costa - Publié dans : Auteurs Lusophones... - Communauté : Caligrafias Poéticas!
Ecrire un commentaire - Voir les 0 commentaires
Mercredi 12 octobre 2011 3 12 /10 /Oct /2011 10:54

 

 

                                                                                      

 

Jaime Rocha

  

Poète portugais. Le jury de PEN club lui a attribué le Prix de la Poésie 2010.

O Júro do PEN club 2010, composto por Francisco Belard,

Manuel Frias Martins e, Liberto Cruz,  premiou em Poesia

Jaime Rocha, com o seu livro: “Necrophilia”!

Parabéns ao autor!

 Souvenons-nous de ses poèmes. Voici un extrait du:

                                         Premier Cycle du vent:

 

                                 PRIMEIRO CICLO DO VENTO  

                                    PREMIER CYCLE DU VENT

Um homem edifica a arquitectura da casa

antes da chegada dos ventos.
Uma mulher chora quando encontra
o sítio dos móveis. A sua morte
está a ser construída com os quartos
e esse destino corrói-lhe todo o corpo.
Pensou em grandes fogos, em colchas.
Mas o seu esforço dilui-se com os dias.
Essa mulher está dentro de um rochedo
contemplando o bálsamo.
A sua pele mistura-se com a humidade
respondendo ao fechar das conchas.
rtp noticias

Rosario Duarte da Costa

Copyright

11/10/2011

 

RTP

Prémios PEN Clube para Pedro Rosa Mendes, André Gago e Jaime Rocha

publicado 21:28 10 outubro '11

O escritor e jornalista Pedro Rosa Mendes venceu hoje, com o romance "Peregrinação de Enmanuel Jhesus", o Prémio PEN Clube 2010, que distinguiu também o romance de estreia do ator André Gago e Jaime Rocha na poesia.

Pedro Rosa Mendes, de 43 anos, jornalista da agência Lusa, foi distinguido na categoria de Narrativa pelo romance "Peregrinação de Enmanuel Jhesus" (Dom Quixote, 2010), por um júri constituído por Maria João Cantinho, Luís Fagundes Duarte e Manuel de Queiroz, indicou hoje o PEN Clube Português, em comunicado enviado à Lusa.

Na categoria de primeira obra, o prémio foi para o ator e encenador André Gago, de 47 anos, que se estreou no romance com "Rio Homem" (Asa, 2010). A escolha foi feita por membros dos júris de narrativa, poesia e ensaio e respetivos presidentes: Francisco Belard, Maria João Reynaud, Maria João Cantinho e Teresa Salema, presidente do PEN Clube Português.

A obra "Necrophilia", do poeta Jaime Rocha, de 62 anos, foi a vencedora do galardão na categoria de poesia, eleita por um júri formado por Francisco Belard, Liberto Cruz e Manuel Frias Martins.

Na categoria de ensaio, o prémio foi ex-aequo para João Barrento, de 71 anos, pela obra "O Género Intranquilo. Anatomia do ensaio e do fragmento" (Assírio & Alvim, 2010), e para Jorge Vaz de Carvalho, por "Jorge de Sena. `Sinais de Fogo` como romance de formação" (Assírio & Alvim, 2010).

Um júri composto por Maria João Reynaud, Álvaro Manuel Machado e Fernando Cabral Martins foi o responsável por esta decisão.

Os prémios serão entregues aos vencedores numa cerimónia que tradicionalmente conta com a presença do Presidente da República, em data e local ainda a anunciar.

 

 

Par Rosario Duarte da Costa - Publié dans : Auteurs Lusophones... - Communauté : Caligrafias Poéticas!
Ecrire un commentaire - Voir les 0 commentaires

Syndication

  • Flux RSS des articles

Pages

Présentation

Créer un Blog

Recherche

Calendrier

Février 2012
L M M J V S D
    1 2 3 4 5
6 7 8 9 10 11 12
13 14 15 16 17 18 19
20 21 22 23 24 25 26
27 28 29        
<< < > >>

Images Aléatoires

Derniers Commentaires

Recommander

Créer un blog gratuit sur over-blog.com - Contact - C.G.U. - Rémunération en droits d'auteur - Signaler un abus - Articles les plus commentés